"Queremos que o Le Mans seja um clube de referência no futebol europeu." A frase foi atribuída ao grupo de investidores do clube no momento em que Djokovic e Massa assinaram seus aportes, em agosto de 2025. Naquele instante, o time acabara de subir da terceira para a segunda divisão francesa — e a promessa soava ambiciosa demais para um clube que, doze anos antes, havia decretado falência e despencado até a sexta divisão do futebol francês.

Neste sábado (9), a promessa virou fato. O Le Mans venceu o Bastia por 2 a 0, fora de casa, e garantiu a vice-liderança da Ligue 2 com 62 pontos em 34 rodadas. O campeão da divisão foi o Troyes, com 67 pontos. Mas o acesso, para o Le Mans, tem um peso simbólico que nenhuma pontuação consegue dimensionar completamente.

O que os números revelam sobre a queda e a ressurreição do Le Mans

A última aparição do clube na primeira divisão francesa data de 2010. Três anos depois, em 2013, o Le Mans entrou com pedido de falência — um colapso financeiro que empurrou o time para as divisões amadoras do futebol francês. O rebaixamento não parou na terceira ou na quarta divisão. Chegou à sexta.

A reconstrução foi lenta e metódica. Rodada a rodada, divisão a divisão, o clube foi recompondo estrutura, elenco e identidade. Na temporada passada, o Le Mans disputava a terceira divisão francesa. Dois anos depois, estará na Ligue 1. São 16 anos de ausência da elite encerrados num placar simples, mas de enorme peso histórico.

O aproveitamento na Ligue 2 desta temporada — 62 pontos em 34 jogos, média de 1,82 por partida — coloca o Le Mans entre os cinco clubes com melhor desempenho na segunda divisão francesa em 2025/2026. Não é um acesso por tabela. É uma campanha construída com consistência.

O que dizem os protagonistas sobre o projeto de investimento

Novak Djokovic e Felipe Massa ingressaram como investidores em agosto de 2025, imediatamente após o acesso à Ligue 2. O timing não foi casual. Segundo informações divulgadas pelo clube, o objetivo declarado desde o primeiro dia era levar o Le Mans à primeira divisão em uma única temporada.

"O futebol é uma paixão que sempre tive. Quando surgiu essa oportunidade de fazer parte de algo especial, de ajudar a construir um clube do zero, não hesitei", declarou Djokovic ao anunciar seu investimento no clube francês.

Massa, por sua parte, trouxe para o projeto não apenas capital, mas também uma rede de contatos consolidada no esporte europeu de alto rendimento — algo que o ex-piloto da Fórmula 1 acumulou ao longo de mais de 15 anos de carreira nas pistas. A combinação entre o apelo midiático do tenista sérvio e a experiência institucional do brasileiro criou um ambiente favorável para atrair novos parceiros comerciais ao clube.

Thibaut Courtois, goleiro do Real Madrid, entrou como investidor em fevereiro de 2026 — portanto, já com a temporada em andamento e o Le Mans bem posicionado na tabela. A entrada do belga adicionou ao projeto uma dimensão europeia ainda mais ampla: Courtois é um dos três ou quatro goleiros mais reconhecidos do mundo, e sua associação ao clube reforçou a visibilidade internacional da marca Le Mans.

"Acredito no projeto e nas pessoas que estão à frente dele. Quero ver o Le Mans competindo no mais alto nível", afirmou Courtois quando oficializou seu aporte, em fevereiro deste ano.

Por que o modelo Le Mans importa além da Ligue 1

O caso do Le Mans não é isolado no futebol contemporâneo. Desde que Lionel Messi adquiriu participação em um clube da terceira divisão espanhola, o modelo de investimento-celebridade ganhou tração e visibilidade. Mas há diferenças estruturais relevantes no caso francês.

Djokovic, Courtois e Massa não chegaram ao Le Mans quando o clube já estava consolidado. Entraram quando o projeto ainda precisava ser construído — um clube que saiu da sexta divisão, reconquistou credibilidade esportiva e só então atraiu nomes de peso. A sequência importa. O capital veio depois da base, não no lugar dela.

Isso distingue o Le Mans de operações em que celebridades compram clubes já estabelecidos e usam a visibilidade para ampliar receitas de licenciamento. Aqui, o investimento acelerou um processo que já estava em curso, mas que provavelmente levaria mais dois ou três anos sem o aporte financeiro e midiático trazido pelo trio.

Do ponto de vista institucional, o acesso à Ligue 1 representa também um teste para a sustentabilidade do modelo. A primeira divisão francesa exige estrutura de estádio, elenco e gestão administrativa significativamente mais robusta do que a Ligue 2. O Le Mans terá de provar, a partir da próxima temporada, que o projeto tem fundação sólida — e não apenas brilho de celebridade.

A estreia do Le Mans na Ligue 1 está programada para o início de agosto de 2026. O clube retorna à elite francesa após 16 anos de ausência, com 62 pontos conquistados na Ligue 2 e três investidores que somam, juntos, 24 títulos de Grand Slam, uma Champions League e uma carreira inteira na Fórmula 1.