A última vez que um meia estrangeiro ficou dois meses sem marcar pelo Flamengo e voltou a ser decisivo num jogo fora de casa foi com Éverton Ribeiro em 2017 — e mesmo assim o contexto era menos complicado do que o de Jorge Carrascal em 2026. O colombiano não estava apenas em jejum de gol: estava cumprindo suspensão, perdendo espaço e assistindo o campeonato de fora. O gol contra o Grêmio, no domingo (10), em Porto Alegre, encerrou 61 dias de espera e deu ao Flamengo uma vitória por 1 a 0 pela 15ª rodada do Brasileirão.
O gol que o Flamengo precisava e Carrascal também
O último gol de Carrascal antes deste domingo havia sido em 11 de março, na vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro, no Maracanã — apenas o segundo jogo do Flamengo sob comando de Leonardo Jardim. Nos 11 jogos seguintes, o meia colombiano teve uma única participação direta em gol: uma assistência na vitória sobre o Santos por 3 a 1. O número é árido, mas diz o que precisa dizer.

A sequência negativa não foi só questão de forma. Carrascal acumulou duas expulsões — contra o Corinthians na Supercopa do Brasil e no clássico contra o Fluminense — e cumpriu suspensão de quatro jogos. O resultado prático: em abril inteiro, ficou disponível apenas para partidas da Libertadores, sem conseguir encadear atuações no Brasileirão. Seria injusto chamar esses dois meses de era perdida — mas foi uma era perdida em escala de calendário brasileiro.
Jardim manteve a aposta e o retorno veio em sequência
Livre da suspensão, Carrascal voltou ao time titular em dois jogos consecutivos nesta semana. A confiança de Leonardo Jardim no meia foi o fator que sustentou a retomada. Sem sequência, dificilmente um jogador de características técnicas como as dele consegue recuperar ritmo — e o treinador português entendeu isso antes que o ambiente externo começasse a cobrar substituição definitiva.
O gol em Porto Alegre não foi apenas um número no placar. Ele chegou no momento em que o Flamengo precisava dos três pontos para encostar no líder Palmeiras. Com a vitória, o Rubro-Negro foi a 30 pontos e ocupa a segunda colocação. A diferença para o topo da tabela diminuiu, e o time ganhou um Carrascal que, ao menos por um jogo, voltou a funcionar como peça decisiva no esquema de Jardim.
O que muda no Brasileirão enquanto o Flamengo avança
O domingo (10) foi de resultados que movimentaram a tabela em várias frentes. O Corinthians venceu o São Paulo por 3 a 2 na Neo Química Arena, com gols de Raniele, Matheuzinho e Breno Bidon — resultado que tirou o Timão da zona de rebaixamento e gerou mais pressão sobre Roger Machado no Tricolor. Fernando Diniz defendeu Raniele após erro que gerou gol do São Paulo:
"Não é o tipo de erro que eu condeno no futebol. Eu condeno a falta de vontade e de coragem. E no Raniele nunca falta", declarou o treinador do Corinthians.
No Rio, o Vasco derrotou o Athletico-PR por 1 a 0 em São Januário, com gol do volante Thiago Mendes aos 37 minutos do primeiro tempo, após tabela com Puma Rodríguez. O resultado levou o Cruz-Maltino a 20 pontos e à oitava posição, afastando o time do Z-4. O Furacão chegou a assustar com uma bola na trave de Léo Jardim no começo do segundo tempo, mas não conseguiu converter as chances — e ainda não contou com Viveros, artilheiro da equipe no Brasileirão, que cumpria suspensão.
No Fluminense, o cenário foi diferente: empate com o Vitória no Maracanã, quatro jogos sem vencer, e Luis Zubeldía no centro das críticas. O técnico foi direto ao ponto após o jogo:
"Quando os resultados não aparecem é natural que se entrem em discussões de técnico. É mental, confiança… Temos que recuperar", disse Zubeldía.
O Flamengo volta a campo na quinta-feira (14), às 21h30, no Barradão, contra o Vitória, pelo jogo de volta da quinta fase da Copa do Brasil. O Rubro-Negro venceu a ida por 2 a 1 e pode até empatar para avançar às oitavas. Com Carrascal desbloqueado e a confiança de Jardim renovada, a sequência do colombiano no time será o dado mais observado nas próximas semanas.









