A última vez que o São Paulo viveu uma crise técnica deste calibre logo no início de um Brasileirão foi em 2012, quando Emerson Leão acumulou seis rodadas sem vencer antes de ser demitido em junho — o clube terminou aquela temporada fora das competições continentais. Neste sábado, 23 de maio de 2026, o Morumbis assistiu a mais um capítulo da mesma história: empate por 1 a 1 com o Botafogo, gol sofrido aos 44 minutos do segundo tempo, e Dorival Júnior ainda sem uma vitória desde que voltou ao clube. A torcida não esperou o apito final para emitir seu veredito.

O gol que resumiu a fragilidade tricolor na reta final

O São Paulo havia saído na frente logo aos 3 minutos, quando Artur carregou pela intermediária num gramado completamente encharcado pela forte chuva, bateu de fora da área e viu a bola quicar de forma traiçoeira. O goleiro Neto espalmou mal, e Luciano, livre, empurrou para o fundo da rede. Era o roteiro ideal para um time que precisava de confiança. O problema é que o Tricolor não soube administrar a vantagem — e o Botafogo, mesmo sem criar muito durante os 90 minutos, foi premiado no detalhe: Marçal cabeceou na primeira trave em cobrança de escanteio, Rafael afastou de soco, e Barrera dominou na intermediária para marcar um golaço que calou o estádio. Fim de jogo, 1 a 1, e mais um tropeço na conta de Dorival.

Reparemos no detalhe que mais incomoda: o São Paulo ainda perdeu dois jogadores por lesão no primeiro tempo — Luciano e Sabino saíram de campo antes do intervalo —, o que expôs ainda mais a carência ofensiva de um elenco que já vinha apresentando dificuldades de criação nas rodadas anteriores. Tapia, por exemplo, recebeu passe açucarado de Calleri dentro da área e mandou para fora em lance que poderia ter selado o resultado.

O aproveitamento de Dorival em 2026 e o peso histórico dos números

Desde que retornou ao clube nesta temporada, Dorival Júnior ainda não somou os três pontos em nenhuma partida pelo Campeonato Brasileiro. A sequência de empates e derrotas coloca o São Paulo numa posição delicada na tabela, especialmente considerando que o clube havia apostado no retorno do treinador como solução para um início de ano irregular. A comparação com outros ciclos do próprio Dorival no Tricolor é inevitável: em sua primeira passagem, o técnico levou o clube ao título da Copa do Brasil de 2023 e da Supercopa do Brasil de 2024, construindo uma identidade defensiva sólida. O time atual, com 12 gols sofridos em 17 rodadas desta edição do Brasileirão, não reproduz aquela solidez.

Segundo apuração do SportNavo, torcedores foram às redes sociais em peso após o apito final para cobrar o treinador. As críticas convergem para um ponto: o estilo de jogo.

"Limitado. O time não cria, não pressiona, não tem identidade. Dorival está perdido"
foi uma das reações mais compartilhadas entre os tricolores no X (antigo Twitter). Outro torcedor foi mais direto:
"Não funciona. Nunca funcionou desde que voltou. Quando vamos admitir isso?"

O Botafogo que empata por sobrevivência e o contraste com o rival

Se o São Paulo enfrenta uma crise de resultados, o Botafogo vive uma situação ainda mais turbulenta nos bastidores — o que torna o empate no Morumbis ainda mais simbólico para os tricolores. O clube carioca atravessa uma crise financeira severa, enfrenta risco de desmonte no elenco e, como descrito por colunistas especializados, não tem goleiro de nível há quase um ano. Neto, escalado no Morumbis, recebeu nota 0,5 em avaliações pós-jogo: a falha no primeiro gol foi classificada como uma "assistência primorosa para Luciano", e o arqueiro realizou apenas uma defesa em toda a partida. Apesar disso tudo, o Glorioso saiu com um ponto de São Paulo — e o São Paulo, favorito em casa, não conseguiu mais do que isso.

O zagueiro Ferraresi foi o destaque positivo do Botafogo, com um corte providencial antes do intervalo que evitou o segundo gol tricolor. Já Marçal, o veterano lateral-esquerdo, foi o protagonista do empate com sua cabeçada no escanteio que originou o gol de Barrera. O Botafogo sobreviveu com o banco de reservas — Edenilson, Tucu e Ramos entraram no segundo tempo — e com a ineficiência adversária.

O que Dorival precisa responder antes da próxima rodada

A história do futebol brasileiro registra que técnicos com sequências negativas superiores a seis ou sete jogos raramente sobrevivem à pressão institucional quando o clube tem pretensões de título. Vanderlei Luxemburgo, em sua segunda passagem pelo Corinthians em 2018, durou apenas oito rodadas sem vencer antes de pedir demissão. Levir Culpi, no Atlético-MG em 2019, foi demitido após sete jogos sem vitória no Brasileirão. Dorival já se aproxima dessa marca no Tricolor paulista em 2026.

A diretoria do São Paulo ainda não sinalizou publicamente qualquer movimento em relação ao cargo do treinador, mas a pressão nas redes sociais e nas arquibancadas tende a se intensificar caso o clube não some os três pontos na próxima rodada. O São Paulo volta a campo pelo Campeonato Brasileiro na próxima semana, e a partida contra o Remo, pela 18ª rodada, pode ser o divisor de águas do ciclo Dorival em 2026 — vale acompanhar de perto, porque dificilmente o clube terá espaço para mais um tropeço sem que o debate sobre a continuidade do treinador ganhe força dentro do próprio clube.