O confronto desta terça-feira (31) contra a Croácia, às 21h, no Camping World Stadium, representa muito mais que um simples amistoso para Dorival Júnior. Será o último teste antes da estreia histórica em Wembley, no sábado (23), contra a Inglaterra - o primeiro desafio oficial do técnico à frente da Seleção Brasileira. Com Vinícius Júnior confirmado na escalação, o comandante gaúcho tem a oportunidade de avaliar a sincronia do trio ofensivo que deve enfrentar os ingleses.
O laboratório tático de Dorival contra adversário de peso
A Croácia, vice-campeã mundial no Catar 2022 e terceira colocada na Rússia 2018, oferece o nível de oposição ideal para testar o sistema que Dorival pretende implementar. Historicamente, o Brasil possui aproveitamento de 66,6% contra os croatas em jogos oficiais: duas vitórias (Copa das Confederações 2005 e amistoso de 2018) e um empate nas quartas de final da Copa de 2022, decidido nos pênaltis favoráveis aos europeus.

A provável escalação brasileira - Bento; Danilo, Murilo, Beraldo e Wendell; João Gomes, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Vinicius Júnior, Raphinha e Rodrygo - representa uma formação mais jovem que a média histórica das últimas convocações. Com idade média de 25,2 anos, é a segunda Seleção mais jovem desde a Copa América de 2019, quando Tite levou um grupo com média de 24,8 anos.
Vinicius Jr como termômetro do novo sistema ofensivo
A confirmação de Vinícius Júnior para o duelo contra a Croácia ganha relevância estatística quando analisamos seu rendimento em amistosos desde 2022. O atacante do Real Madrid marcou em quatro dos últimos seis jogos preparatórios da Seleção, incluindo os gols contra Gana (3 a 0) e Tunísia (5 a 1) antes da Copa do Mundo. Sua média de 0,71 gol por partida em amistosos supera a de qualquer atacante brasileiro no período.
O trio Vinícius Jr., Raphinha e Rodrygo nunca atuou junto por mais de 180 minutos consecutivos pela Seleção. Na Copa do Catar, essa formação ofensiva funcionou apenas 67 minutos contra a Croácia - justamente na eliminação por 4 a 2 nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal. Dorival tem a missão de encontrar a química que Tite não conseguiu estabelecer entre os três madridistas e o barcelonista.
Inglaterra aguarda um Brasil em processo de reformulação
O adversário de Wembley representa um teste ainda mais complexo. A Inglaterra de Gareth Southgate perdeu apenas três dos últimos 20 jogos em casa, mantendo aproveitamento de 75% no período. A provável escalação inglesa - Pickford; Walker, Stones, Maguire e Chilwell; Alexander-Arnold e Rice; Grealish, Bellingham e Foden; Kane - combina experiência defensiva com juventude no meio-campo.
Bellingham, aos 20 anos, já soma 29 jogos pela seleção principal - quatro a mais que Vinícius Jr. pela camisa amarela no mesmo período etário. O meio-campista do Real Madrid representa o tipo de jogador moderno que a Seleção precisa neutralizar: fisicamente forte, tecnicamente refinado e taticamente versátil.
O histórico de estreias de técnicos em Wembley
Dorival será o quinto técnico brasileiro a estrear contra a Inglaterra desde 1990. Seus antecessores tiveram resultados mistos: Zagallo perdeu por 1 a 0 em 1995, Scolari venceu por 2 a 1 em 2002, Dunga empatou sem gols em 2009 e Tite perdeu por 1 a 0 em 2017. O aproveitamento de 25% em estreias contra os ingleses evidencia a dificuldade do desafio que aguarda o novo comandante.
Em Wembley especificamente, o Brasil possui retrospecto negativo recente: duas derrotas e um empate nos últimos três jogos. A última vitória no estádio londrino aconteceu em junho de 2013, quando Oscar e Paulinho garantiram o triunfo por 2 a 1 em amistoso preparatório para a Copa das Confederações.
O duelo contra a Croácia, portanto, funciona como ensaio geral para a missão de quebrar o jejum brasileiro em solo inglês. Dorival tem 90 minutos para encontrar as respostas táticas que definirão sua primeira impressão à frente da Seleção no palco mais tradicional do futebol mundial.

