Domingo, 12 de janeiro de 2025, ficará registrado nos anais do automobilismo brasileiro como data histórica. Pela primeira vez na NASCAR Brasil, duas mulheres largaram no mesmo grid: Tatiana Calderón, aos 31 anos, ex-piloto de Fórmula 1 e IndyCar, e Bruna Tomaselli, de 29 anos, veterana dos stock cars nacionais. Ambas defendendo as cores da SG28 by Pole Motorsport em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, com os Ford Mustang #25 e #97, respectivamente.

Trajetórias contrastantes convergem na NASCAR

A colombiana Tatiana Calderón chegou à NASCAR Brasil após uma carreira internacional consolidada. Entre 2018 e 2019, integrou a equipe Sauber como piloto de desenvolvimento na Fórmula 1, participando de 12 sessões de treinos livres. Sua experiência inclui ainda 24 corridas na Fórmula 2 entre 2017 e 2019, com melhor resultado de quinto lugar em Silverstone. Na IndyCar, disputou as 500 Milhas de Indianápolis em 2022 e 2023 pela AJ Foyt Enterprises, conquistando o 28º lugar como melhor colocação.

Bruna Tomaselli percorreu caminho oposto, construindo nome no cenário nacional. Desde 2019 na Stock Car Pro Series, acumula 47 largadas na principal categoria do automobilismo brasileiro. Seu melhor resultado foi o oitavo lugar conquistado em Interlagos durante a temporada 2022, tornando-se a terceira mulher a pontuar na história da categoria, após Bia Figueiredo (2005-2009) e Mariana Auriemo (2008).

Adaptação técnica aos desafios da NASCAR Brasil

O Ford Mustang da NASCAR Brasil apresenta características técnicas distintas dos monopostos de Calderón e dos Stock Cars de Tomaselli. Com 358 cavalos de potência, transmissão manual de cinco marchas e peso de 1.400 quilos, o carro exige adaptação específica ao comportamento aerodinâmico e à dinâmica de pilotagem em pelotão. A pista de Santa Cruz do Sul, com seus 1,5 quilômetros de extensão e configuração mista, ofereceu terreno neutro para ambas as estreantes.

Segundo apuração do SportNavo, a experiência internacional de Calderón em circuitos como Spa-Francorchamps, Silverstone e Monza contrasta com o conhecimento profundo de Tomaselli sobre autódromos brasileiros como Interlagos, Goiânia e Cascavel. Essa diversidade de backgrounds representa arsenal técnico complementar para o desenvolvimento da equipe SG28 by Pole Motorsport.

Precedente histórico no automobilismo feminino

A presença simultânea de duas mulheres no grid da NASCAR Brasil ecoa marcos similares em outras categorias. Na Fórmula 1, apenas cinco mulheres largaram oficialmente: Lella Lombardi (17 GPs entre 1974-1976), Divina Galica (três tentativas de classificação em 1976-1978), Desiré Wilson (uma tentativa em 1980), Giovanna Amati (três tentativas em 1992) e Susie Wolff (sessões de treinos em 2014-2015). No Brasil, a Stock Car registrou participação feminina em 2005 com Bia Figueiredo, seguida por Mariana Auriemo em 2008 e posteriormente Bruna Tomaselli a partir de 2019.

A NASCAR Cup Series norte-americana conta com precedente de Danica Patrick, que entre 2012 e 2018 disputou 191 corridas, conquistando sete top-10 e pole position nas 500 Milhas de Daytona 2013. Sua melhor colocação foi o terceiro lugar nas 500 Milhas de Daytona 2013, estabelecendo referência para pilotos femininas em categorias NASCAR.

Impacto técnico e competitivo da diversidade

A combinação entre a experiência internacional de Calderón e o conhecimento nacional de Tomaselli oferece à SG28 by Pole Motorsport vantagem estratégica inédita. Calderón traz feedback técnico refinado pelos padrões europeus de setup e aerodinâmica, enquanto Tomaselli contribui com expertise em condições climáticas brasileiras e características específicas dos pneus Pirelli utilizados na categoria.

Adaptação técnica aos desafios da NASCAR Brasil Duas mulheres fazem história iné
Adaptação técnica aos desafios da NASCAR Brasil Duas mulheres fazem história iné

A próxima etapa da NASCAR Brasil acontece em 9 de fevereiro no Autódromo de Goiânia, onde Calderón e Tomaselli terão nova oportunidade de consolidar suas adaptações aos Ford Mustang #25 e #97, buscando evolução técnica e competitiva que transforme o marco histórico de Santa Cruz do Sul em resultado prático para a equipe gaúcha.