Se Unai Emery fosse um músico, a Liga Europa seria seu álbum de estreia, seu disco de maior sucesso e a única faixa que ainda não saiu do jeito que ele queria. Quatro títulos em cinco finais — uma taxa de aproveitamento que nenhum treinador da história da competição chegou perto — e, mesmo assim, existe um fantasma chamado Chelsea que insiste em aparecer quando o assunto é 2019. Agora, na temporada 2025/26, o basco de 54 anos retorna a Istambul com o Aston Villa para tentar o que ninguém fez: vencer a Liga Europa cinco vezes.

A goleada que abriu as portas de Istambul

A classificação para a final foi construída sobre uma goleada de 4 a 0 sobre o Nottingham Forest, em Birmingham, resultado que eliminou qualquer drama do confronto. Não foi surpresa para quem acompanha o Villa de Emery com atenção: desde que chegou ao clube, em 2022, o técnico transformou uma equipe que brigava para não cair num semifinalista de Champions e agora finalista continental. O saldo de gols da campanha europeia desta temporada já ultrapassa dois dígitos, algo que o clube de Birmingham não via desde os tempos em que Peter Withe levantou a taça da Champions League, em 1982, em Roterdã.

O único borrão na galeria de Emery na Europa

A única derrota em finais europeias ficou por conta da temporada 2018/19, quando seu Arsenal foi desmontado por 4 a 1 pelo Chelsea, numa noite que ficou marcada pelo adeus de Eden Hazard ao futebol inglês. Aquela partida, disputada em Baku, expôs as limitações táticas de um Emery que ainda tentava encaixar suas ideias num elenco que não era totalmente seu. O Arsenal daquela época tinha jogadores como Özil e Aubameyang num momento de queda de rendimento, e o técnico pagou o preço. Segundo a avaliação do SportNavo, foi a única final em que Emery chegou sem controle real do vestiário — algo que no Villa Park de 2025/26 parece impensável.

A goleada que abriu as portas de Istambul Emery e a Liga Europa nunca foram uma
A goleada que abriu as portas de Istambul Emery e a Liga Europa nunca foram uma
"Emery é o técnico que mais entende a competição no mundo. Ele conhece cada detalhe, cada pressão, cada momento de uma final europeia", disse o presidente do Villarreal, Fernando Roig, em entrevista após o tetracampeonato de 2021.

O que o Freiburg representa — e por que não pode ser subestimado

O adversário na final do dia 20, no Estádio Tüpraş, é o Freiburg, clube alemão que chega à sua primeira final continental da história. Quem acompanhou a Bundesliga nos anos 2000 sabe que o Freiburg é historicamente um clube de sobrevivência — ficou entre rebaixado e recém-promovido por mais de uma década. A transformação sob Christian Streich, e agora sob Julian Schuster, é um dos casos mais fascinantes do futebol alemão recente. Estreantes em finais europeias raramente chegam sem motivação: o Porto de 2003, o Middlesbrough de 2006 e o próprio Villarreal de 2006 mostraram que a inexperiência pode ser compensada pela fome… e aí vem o problema.

O que Emery precisa fazer para fechar o ciclo

O Villa precisa manter a estrutura defensiva que Emery construiu com Pau Torres e Tyrone Mings como dupla de zaga, ao mesmo tempo em que usa a velocidade de Moussa Diaby e Leon Bailey nas transições. Emery sempre foi um técnico de blocos compactos e saídas rápidas — a mesma fórmula que usou no Sevilla para vencer em 2014, 2015 e 2016 e que adaptou no Villarreal para bater o Manchester United nos pênaltis em 2021. A diferença agora é que ele tem um elenco com mais qualidade técnica individual do que qualquer um dos times anteriores que levou a uma final.

"Esta equipe tem uma mentalidade diferente das que treinei antes. Eles querem ganhar títulos, não apenas competir", afirmou Emery em entrevista coletiva após a classificação.

O Aston Villa não vence um título de elite desde a Copa da Liga Inglesa em 1996 — três décadas de espera que Istambul pode encerrar em 90 minutos. A final está marcada para o dia 20 de maio, às 16h (horário de Brasília), e Emery chega com um histórico que qualquer adversário deveria respeitar: quatro títulos, um técnico que conhece cada centímetro psicológico de uma final europeia, e um clube faminto por glória continental.