O Oklahoma City Thunder ergue o troféu Larry O'Brien em 2025, tornando-se o sétimo campeão diferente em sete temporadas consecutivas na NBA. É o recorde absoluto de paridade na história da liga, superando a marca anterior de seis títulos distintos entre 1975 e 1980. Essa nova realidade obrigou gerentes-gerais a repensarem completamente suas estratégias de montagem de elenco.

O modelo 'supertime' virou obsoleto

A era dos Warriors dominando com Kevin Durant (2017-2018) ou dos Lakers com LeBron James e Anthony Davis em 2020 deu lugar a uma paridade nunca vista. Desde 2019, Toronto Raptors, Lakers, Milwaukee Bucks, Warriors, Denver Nuggets, Boston Celtics e Thunder levantaram o troféu. Detroit Pistons e San Antonio Spurs emergem como principais candidatos a estender a sequência para oito campeões diferentes.

Os Pistons, que há três temporadas quebraram o recorde negativo com 28 derrotas consecutivas, agora lideram o Leste com 60 vitórias e 22 derrotas. Jalen Duren evoluiu para níveis All-Star ao lado de Cade Cunningham, exemplificando como desenvolvimento interno superou aquisições milionárias.

Teto salarial força criatividade tática

O salary cap de US$ 140 milhões em 2025-26 tornou impossível manter múltiplas estrelas máximas. Conforme levantamento do SportNavo, apenas três equipes dos últimos campeões gastaram mais de 90% do teto: Lakers (2020), Bucks (2021) e Warriors (2022). Thunder, Nuggets e Celtics venceram com folhas salariais equilibradas e rotações de 9-10 jogadores.

Victor Wembanyama lidera os Spurs (62-20) ao segundo lugar no Oeste sem um segundo All-Star tradicional. De'Aaron Fox e Stephon Castle formam um 'Big 3' construído via draft e trades pontuais, não free agency bombástica. Harrison Barnes e Dylan Harper completam um elenco sem salários estratosféricos.

Draft picks valem ouro na nova NBA

A eliminação dos Warriors por Phoenix Suns (111-94) na sexta-feira ilustra o dilema atual. Stephen Curry, aos 38 anos, carrega US$ 55 milhões em salary cap, limitando investimentos em profundidade. Gui Santos contribuiu com nove pontos, seis rebotes e quatro assistências, mas Golden State não consegue mais complementar suas estrelas veteranas.

Jalen Green ofuscou Curry no confronto decisivo, provando que jovens talentos em contratos de rookie superam veteranos caros. Oklahoma City construiu seu título com Shai Gilgeous-Alexander, Josh Giddey e Chet Holmgren - todos adquiridos via draft ou trades por picks, não assinaturas milionárias.

O manual moderno para ser campeão

A fórmula vencedora atual exige paciência executiva. Segundo análise do SportNavo, os últimos cinco campeões levaram em média 3,2 temporadas para amadurecer após mudanças significativas no elenco. Denver precisou de quatro anos para lapidar Nikola Jokić e Jamal Murray. Boston construiu gradualmente com Jayson Tatum e Jaylen Brown.

PER (Player Efficiency Rating) médio dos campeões recentes caiu de 18,5 (2015-2019) para 16,8 (2020-2025), indicando que contribuições distribuídas superaram dependência de superestrelas. True shooting percentage coletivo subiu de 56,2% para 58,1% no mesmo período, reflexo de sistemas mais fluidos.

Os playoffs de 2026 começam neste sábado com Pistons enfrentando Orlando Magic e Spurs medindo forças com adversário a definir. Thunder defende o título com 67 vitórias na temporada regular, melhor campanha da liga, mas enfrenta a pressão de quebrar a sequência histórica de campeões inéditos que redefiniu o basquete profissional americano.