Duas lesões musculares graves ocorridas com diferença de poucos dias podem redefinir completamente o cenário do Grupo B da Copa do Mundo 2026. Estêvão, atacante de 18 anos do Chelsea e titular da Seleção Brasileira, sofreu ruptura quase total do músculo posterior da coxa direita no sábado passado, contra o Manchester United. Do lado alemão, Serge Gnabry, de 30 anos e referência ofensiva do Bayern de Munique, rompeu o adutor da coxa direita nas quartas de final da Champions League contra o Real Madrid.

Impacto estatístico das possíveis ausências

Os números evidenciam a importância dos dois jogadores para suas respectivas seleções. Estêvão disputou 37 partidas na atual temporada pelo Chelsea, contribuindo com 15 gols e 8 assistências como titular absoluto no esquema de Carlo Ancelotti. Na Seleção Brasileira, o jovem atacante participou dos últimos seis jogos das Eliminatórias, sendo responsável por três gols decisivos que garantiram a classificação direta para o Mundial.

Gnabry, por sua vez, registra 10 gols e 11 assistências em 37 jogos pelo Bayern na temporada 2024/25, mantendo média de participação em gol a cada 1,8 partidas. Pela Alemanha, acumula 26 gols em 59 jogos desde sua estreia em 2017, estabelecendo-se como uma das principais opções ofensivas de Julian Nagelsmann nos últimos dois amistosos contra Gana e Suíça.

Cenários de recuperação e dilemas médicos

A situação de Estêvão envolve uma corrida contra o tempo que lembra casos históricos. Segundo apuração do SportNavo, os exames revelaram lesão de grau quatro na coxa direita, com o Chelsea inicialmente sugerindo cirurgia que inviabilizaria sua participação no Mundial. A CBF, no entanto, negocia o retorno do atacante ao Brasil para tratamento conservador, apostando em recuperação similar à de Rivaldo em 2002.

"Entre os que trabalham perto de Estêvão, imagina-se ainda que a recuperação pode se dar em prazo mais curto do que os três meses alardeados. Dizem que os ingleses são alarmistas e sempre tratam da hipóteses de cirurgia, mesmo quando não é necessário"

No caso alemão, a situação se mostra mais definitiva. Max Eberl, dirigente do Bayern, reconheceu o impacto da lesão na carreira do atleta:

"Ele está calmo e sereno, mas, obviamente, está desapontado. Quando você tem 30 ou 31 anos, provavelmente ainda tem uma Copa pela frente. Esta poderia ter sido sua última chance"

Alternativas táticas em análise

As possíveis ausências forçarão ajustes significativos nos esquemas táticos. Carlo Ancelotti conta com Vinícius Júnior, Raphinha e Savinho como principais opções para suprir Estêvão no setor ofensivo brasileiro. Já Julian Nagelsmann deve apostar em Kai Havertz, Serge Müller ou mesmo improvisar Jamal Musiala em função mais avançada para compensar a falta de Gnabry.

O histórico recente mostra que lesões de última hora podem alterar drasticamente o desempenho de seleções em Copas do Mundo. Em 2018, a Alemanha sofreu eliminação precoce parcialmente devido à ausência de jogadores-chave por lesão, enquanto o Brasil em 2002 superou as dúvidas sobre Ronaldo e conquistou o pentacampeonato.

Reflexos no equilíbrio do Grupo B

A coincidência temporal das lesões - ambas ocorridas a menos de dois meses do início da Copa - pode beneficiar diretamente as outras seleções do Grupo B. Marrocos e a terceira seleção classificada via playoff enxergam uma oportunidade concreta de avançar às oitavas de final, considerando que tanto Brasil quanto Alemanha perderiam peças fundamentais de seus sistemas ofensivos.

A convocação oficial de Carlo Ancelotti será anunciada em 18 de maio, restando apenas três semanas para definição dos casos. O Brasil estreia contra o Marrocos em 13 de junho, enquanto a Alemanha enfrenta a seleção do playoff dois dias depois, em confrontos que podem ter cenários completamente diferentes dependendo da recuperação ou confirmação das ausências de Estêvão e Gnabry.