Confesso: eu errei sobre esse Arsenal em 2024. Quando Arteta perdeu o título nos minutos finais de temporadas consecutivas, escrevi que o projeto tinha teto — que faltava mentalidade vencedora para fechar um campeonato. Hoje, olhando para 79 pontos na Premier League com dois jogos restantes, vejo exatamente onde errei.
O que os números desta temporada revelam sobre o Arsenal
O Arsenal de 2025/2026 não é apenas o melhor time de Arteta — é estatisticamente o mais eficiente da era pós-Wenger. O xG (expected goals, ou seja, a qualidade esperada das finalizações) do time está entre os três maiores da Premier League nesta temporada, o que significa que os Gunners não só criam chances, mas criam chances de altíssima qualidade posicional.
Dois indicadores chamam atenção especial:
- PPDA (passes permitidos por ação defensiva) — o Arsenal registra um dos menores índices da liga, abaixo de 8,5, o que indica uma pressão altíssima sobre o adversário com bola. Quanto menor o número, mais agressivo é o pressing.
- Progressive passes por jogo — a equipe completa em média 68 passes progressivos por partida, número que coloca Declan Rice como um dos meias mais verticais da Europa nesta temporada, com mais de 9 progressive passes por 90 minutos.
Esses dados importam porque explicam algo que o olho nu não captura facilmente: o Arsenal controla jogos não pelo volume de posse, mas pela direção dela. É um futebol que avança, pressiona e sufoca — e contra um Burnley já rebaixado com apenas 21 pontos, isso tende a ser devastador.
O que Arteta diz e o que o Burnley ainda pode oferecer
Segundo o técnico Mikel Arteta, o foco do grupo está exclusivamente no jogo de segunda-feira (18), às 16h (de Brasília), no Emirates Stadium. Nas palavras do treinador espanhol em entrevista coletiva recente, "cada partida é uma final para nós, independentemente do adversário". A frase soa clichê, mas a escalação confirmada diz mais: Gyökeres lidera o ataque, com Saka, Odegaard e Trossard criando por trás — mesmo sem Ben White, Timber e Mikel Merino, todos lesionados.
O técnico Mike Jackson deve escalar o Burnley com cinco defensores — mesma estratégia usada no empate com o Aston Villa — numa tentativa de preservar o pouco que resta de dignidade antes do encerramento da temporada. A única dúvida dos visitantes é Hannibal Mejbri. Não há motivação de tabela, mas há orgulho profissional — e times sem nada a perder às vezes produzem as maiores surpresas.
"Cada partida é uma final para nós, independentemente do adversário", disse Arteta na coletiva de imprensa antes do duelo.
O Arsenal a duas decisões de reescrever sua própria história
A última vez que o Arsenal levantou a Premier League foi em 2004, com o lendário time dos Invencíveis de Arsène Wenger. Vinte e dois anos de espera — uma geração inteira de torcedores que nunca viu o clube campeão da Inglaterra.
Arteta pode antecipar a festa já nesta rodada: se o Manchester City, com 77 pontos, tropeçar diante do Bournemouth na terça-feira (19), os Gunners são campeões mesmo sem entrar em campo. Mas a mentalidade do grupo parece ser outra — vencer primeiro, comemorar depois.
E tem mais: além da Premier League, o Arsenal ainda disputa a final da Champions League contra o PSG. Uma dobradinha que não acontece com um clube inglês desde o Chelsea de 2012.
Nas palavras de um membro da comissão técnica citado pela imprensa inglesa, "esse grupo entende que legado se constrói em semanas como esta, não em anos".
Se vencer hoje e na rodada seguinte, o Arsenal fecha a Premier League com 85 pontos — aproveitamento de 83,3% na temporada.









