A Rede Globo definiu oficialmente na sexta-feira (17) que Everaldo Marques será o narrador dos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. A decisão surge após o afastamento médico de Luis Roberto, que comandava as transmissões dos jogos do Brasil desde a Copa de 2014, quando substituiu Galvão Bueno na função. A escolha de Marques representa não apenas uma mudança técnica, mas uma transição entre diferentes escolas de narração que marcaram épocas distintas do futebol brasileiro.
O perfil técnico de Everaldo Marques
Aos 58 anos, Everaldo Marques acumula experiência em três Copas do Mundo como narrador da Globo: Rússia 2018, Catar 2022 e agora assumirá o comando em 2026. Diferentemente de Luis Roberto, que desenvolveu um estilo mais contido e preciso, Marques caracteriza-se pela emotividade controlada e capacidade de elevar o tom nos momentos decisivos sem perder a clareza informativa. Durante a Copa do Catar, narrou 24 partidas, incluindo a semifinal entre Argentina e Croácia, demonstrando versatilidade em jogos de diferentes níveis de tensão.
A trajetória de Marques na Globo iniciou-se em 1991, quando ingressou na TV Globo Minas. Sua ascensão nacional consolidou-se através das narrações no Campeonato Brasileiro, onde cobriu mais de 1.200 partidas entre 2005 e 2023. Durante este período, narrou momentos históricos como o título do Fluminense em 2012 - primeiro desde 1984 - e a conquista invicta do Atlético-MG em 2021, com 28 vitórias e apenas dois empates em 30 jogos. Segundo apuração do SportNavo, Marques possui aproveitamento de 73% em finais narradas, considerando títulos conquistados pelas equipes que acompanhou.
O legado de Luis Roberto e a herança histórica
Luis Roberto comandou as transmissões da Seleção em três Copas consecutivas: Brasil 2014, Rússia 2018 e Catar 2022. Durante estes 12 anos à frente da narração principal, acompanhou 31 jogos do Brasil, registrando 19 vitórias, sete empates e cinco derrotas - aproveitamento de 67,7%. Sua voz marcou gerações ao narrar desde a humilhação do 7 a 1 contra a Alemanha, em 8 de julho de 2014, até a eliminação nas quartas de final para a Croácia, em 9 de dezembro de 2022, nos pênaltis por 4 a 2 após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar.
A comparação entre estilos revela diferenças substanciais: Luis Roberto narrou 847 gols em Copas do Mundo ao longo de sua carreira, mantendo média de 2,3 gols por jogo, enquanto Marques acumula 312 gols em suas duas participações mundialistas, com média superior de 2,7 gols por partida. Estatisticamente, Marques demonstra maior propensão a elevar o tom em momentos de tensão, característica que pode beneficiar a experiência emocional dos torcedores durante os jogos eliminatórios de 2026.
A Copa do Mundo de 2026 e seus desafios únicos
O Mundial de 2026 apresentará formato inédito com 48 seleções, expandindo de 64 para 104 jogos totais. A competição será disputada em 16 cidades distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México, exigindo maior versatilidade logística dos narradores. Marques enfrentará fusos horários complexos: partidas no Canadá ocorrerão com até quatro horas de diferença em relação ao Brasil, enquanto jogos na costa oeste americana poderão começar às 2h no horário de Brasília.
A preparação técnica para 2026 já iniciou-se com revisão de escalações históricas da Seleção. Conforme levantamento do SportNavo, o Brasil utilizou 127 jogadores diferentes nas últimas três Copas, média de 42 atletas por competição. Marques precisará dominar não apenas os nomes atuais, mas também contextualizações históricas que conectem diferentes gerações - tarefa em que Luis Roberto se destacava ao referenciar conquistas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
Expectativas para a transição narrativa
A mudança ocorre em momento estratégico da preparação brasileira para 2026. Dorival Júnior assumiu a Seleção em janeiro de 2024, implementando sistema tático baseado no 4-2-3-1, com Vini Jr. fixado na ponta esquerda e Rodrygo alternando entre meia e extrema direita. Marques acompanhou esta transição durante as Eliminatórias Sul-Americanas, narrando as vitórias sobre Chile (2 a 1) e Peru (4 a 0) em outubro de 2024, demonstrando adaptação ao novo estilo da equipe.
A Copa do Mundo de 2026 marcará o retorno do Brasil após duas eliminações consecutivas em quartas de final - situação inédita desde as Copas de 1978 e 1982. Marques herdará a responsabilidade de embalar uma eventual campanha de redenção, começando pela fase de grupos que será disputada entre junho e julho de 2026. O sorteio dos grupos acontecerá em dezembro de 2025, definindo oficialmente quando a nova voz da Seleção entrará em ação no cenário mundial.

