Dezesseis partidas como titular em 2026, um gol e duas assistências — números que, sozinhos, já justificariam a dor de cabeça positiva instalada no Ninho do Urubu. Evertton Araújo aproveitou a lesão de Erick Pulgar, sofrida no dia 2 de abril na derrota para o Red Bull Bragantino, e construiu um argumento estatístico tão sólido que simplesmente devolver a vaga ao chileno passa a ser uma decisão técnica difícil de justificar.

O salto de qualidade que os números confirmam

Há um contra-argumento previsível dos que defendem Pulgar: o chileno é experiente, tem liderança consolidada e retorna de lesão motivado. É um argumento honesto. O problema é que os dados de Evertton tornam a discussão mais complexa do que os defensores do status quo gostariam. Em 2025, o jovem acumulou 36 partidas com 21 como titular, um gol e zero assistências. Em 2026, com 19 jogos e 16 como titular, já marca um gol e duas assistências, além de participação mais ativa na construção ofensiva — uma evolução objetiva de rendimento no mesmo clube, sob pressão real de titularidade.

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A comparação não é arbitrária. Pulgar, quando titular no início da temporada, não resolvia o problema de equilíbrio do meio-campo rubro-negro com a consistência que Leonardo Jardim exige. Evertton, ao assumir a função de primeiro volante, entregou justamente esse equilíbrio: o Flamengo ficou mais organizado defensivamente sem perder a capacidade de iniciar jogadas desde a base. Segundo apuração do SportNavo, a evolução defensiva do volante foi um dos pontos que mais surpreendeu a comissão técnica ao longo desse período.

O salto de qualidade que os números confirmam Evertton Araújo deixou de ser alte
O salto de qualidade que os números confirmam Evertton Araújo deixou de ser alte

O gol que simbolizou a consolidação

Se há um momento que resume a fase de Evertton, foi o gol marcado contra o Vitória pela Copa do Brasil. O lance condensou tudo que o jogador vem demonstrando: recepção na entrada da área, ajuste de corpo para tirar a marcação e finalização com força que não deixou alternativa ao goleiro. Não foi um gol de oportunista — foi um gol de jogador que entende o próprio espaço dentro do time. Esse tipo de participação ofensiva era rara no Evertton de 2025, e sua presença no futebol de 2026 diz muito sobre a curva de desenvolvimento do atleta.

"A sequência do jogador também ocorreu por necessidade, diante de desfalques no elenco", reconheceu o técnico Leonardo Jardim — mas foi cuidadoso ao completar que o desempenho do jovem foi além do esperado.

A ressalva de Jardim é reveladora. O treinador português não é dado a elogios inflacionados, e reconhecer que Evertton superou a expectativa inicial é, no vocabulário jardimiano, um endosso considerável. A ausência de Lucas Paquetá criou um vácuo criativo que o jovem volante ajudou a preencher com uma postura mais participativa na transição, algo que não estava no roteiro original da temporada.

Pulgar volta, mas a vaga não está garantida

Erick Pulgar já realiza atividades no gramado e deve se reintegrar ao grupo em breve. O problema imediato do chileno é duplo: além de precisar de ritmo de jogo após semanas de recuperação, está suspenso e não poderá atuar no clássico contra o Vasco da Gama, o que mantém Evertton como titular garantido nesse confronto. A suspensão, na prática, atrasa qualquer disputa direta pela posição e dá ao jovem mais uma oportunidade de ampliar sua vantagem na cabeça de Jardim.

"Evertton deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ser peça importante no elenco", segundo avaliação interna do clube — postura que se materializa nas negociações para renovação contratual até 2030, aceleradas também pelo interesse de clubes europeus no jogador.

A análise exclusiva do SportNavo mostra que a renovação não é apenas um movimento de retenção defensiva. O Flamengo está sinalizando hierarquia: Evertton não é mais o plano B que entra quando Pulgar se machuca. É um titular que pode perder a posição se o chileno apresentar desempenho superior — e não ao contrário. Essa inversão de lógica é o dado mais revelador sobre o que aconteceu no meio-campo rubro-negro desde abril.

A decisão que Jardim precisará tomar

Com Pulgar de volta aos treinos e Evertton em alta, Leonardo Jardim terá uma das definições mais delicadas de sua gestão no Flamengo. O técnico não pode ignorar o mérito construído pelo jovem — fazê-lo seria um sinal equivocado para o elenco inteiro sobre o valor da meritocracia. Pulgar, por sua vez, tem contrato e experiência internacional suficientes para pressionar por espaço. O clássico contra o Vasco, com Evertton como titular obrigatório pela suspensão do chileno, será mais um capítulo de um processo de definição que ainda não tem data para encerrar — e que o torcedor rubro-negro acompanhará com atenção nas próximas rodadas do Brasileirão e da Copa do Brasil.