US$ 871 milhões. Esse é o montante que a Fifa distribuirá entre as 48 seleções participantes da Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá — um aumento de 15% em relação ao bolo de US$ 750 milhões que foi repartido no Catar, em 2022. O anúncio foi feito durante o 76º Congresso da Fifa, realizado em Vancouver, uma das cidades-sede do torneio, consolidando a mais alta premiação da história do futebol masculino por seleções.

O que mudou em relação às edições anteriores

Para entender a magnitude do salto financeiro, convém percorrer a evolução histórica das premiações. Na Copa de 1994, nos Estados Unidos, a Fifa distribuiu aproximadamente US$ 70 milhões. Em 2006, na Alemanha, o total chegou a US$ 266 milhões. No Brasil, em 2014, foram US$ 576 milhões. Na Rússia, em 2018, US$ 400 milhões ficaram para as seleções classificadas — valor menor por mudanças de estrutura contratual —, e no Catar, em 2022, o bolo atingiu US$ 750 milhões. A curva ascendente é inequívoca: em três décadas, a premiação cresceu mais de 1.100%.

O que mudou em relação às edições anteriores Fifa eleva premiação da Copa do Mun
O que mudou em relação às edições anteriores Fifa eleva premiação da Copa do Mun

Além do montante total, o Congresso aprovou mudanças específicas nos repasses: a verba de preparação subiu de US$ 1,5 milhão para US$ 2,5 milhões por seleção, e o valor mínimo garantido apenas por classificação passou de US$ 9 milhões para US$ 10 milhões — aproximadamente R$ 49,9 milhões na cotação atual. Subsídios para custos de delegação e ingressos de equipe completam um pacote adicional que ultrapassa US$ 16 milhões por seleção.

"A Fifa orgulha-se de estar na sua posição financeira mais sólida de sempre, o que nos permite ajudar todas as nossas Associações Membro de uma forma sem precedentes. Este é mais um exemplo de como os recursos da Fifa são reinvestidos no futebol", afirmou Gianni Infantino, presidente da entidade, durante o congresso em Vancouver.

O que o Brasil tem a ganhar nessa equação

A Seleção Brasileira já garantiu sua participação na Copa de 2026 e, portanto, receberá ao menos US$ 10 milhões antes de entrar em campo. Mas, como demonstra o levantamento do SportNavo com base no histórico das distribuições da Fifa, o valor real recebido por uma seleção que avança até as etapas finais é substancialmente maior. No Catar, a Argentina, campeã, embolsou US$ 42 milhões. A França, vice, recebeu US$ 30 milhões. O Brasil, eliminado nas quartas de final pela Croácia nos pênaltis (1 a 1 no tempo normal, 4 a 2 nas penalidades), ficou com aproximadamente US$ 25 milhões.

Com a premiação de 2026 15% superior e o formato expandido para 48 times — que implica mais jogos e, portanto, mais cotas por fase eliminada —, uma campanha até as quartas de final pode render ao Brasil algo entre US$ 30 e US$ 35 milhões. Uma conquista do hexacampeonato, que não vem desde Yokohama, em 30 de junho de 2002, quando Ronaldo marcou duas vezes na vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha, poderia aproximar a CBF dos US$ 50 milhões.

O impacto estrutural para a CBF e o futebol nacional

A questão que interessa ao torcedor brasileiro não é apenas o valor bruto, mas como esse dinheiro circula dentro do ecossistema do futebol nacional. A CBF tem o hábito de repassar parte da premiação aos clubes que cederem jogadores — prática regulamentada pela própria Fifa, que exige compensação financeira às entidades clubísticas por liberação durante a competição. No ciclo 2022, os clubes brasileiros que cederam atletas convocados por Tite receberam parcelas proporcionais ao tempo de permanência de cada jogador no torneio.

Com uma premiação de piso 11% maior apenas na fase de grupos (de US$ 9 mi para US$ 10 mi), clubes da Série A e mesmo da Série B que tiverem atletas convocados para o Mundial de 2026 receberão compensações maiores — um efeito secundário que movimenta o mercado interno. Conforme análise exclusiva do SportNavo, essa cadeia de repasses beneficia especialmente agremiações de menor orçamento, para quem a perda temporária de um titular é financeiramente sensível.

O contexto do formato ampliado e o debate sobre qualidade

A expansão de 32 para 48 seleções, implantada a partir desta edição, é o motor comercial que justifica o aumento de premiação. Com mais partidas — o torneio passará de 64 para 104 jogos —, a Fifa projeta receita total superior a US$ 11 bilhões apenas com direitos televisivos e patrocínios, segundo dados apresentados pelo próprio Infantino no Congresso de Vancouver. O crescimento de 15% na premiação reflete, portanto, uma parcela maior do bolo sendo redistribuída às associações membros.

Para o Brasil, que disputará seu grupo inicial provavelmente em solo norte-americano, a estrutura de três jogos na fase de liga (o novo formato de grupos de 3 times) exige atenção redobrada do técnico que for convocado para o cargo — ainda indefinido após a demissão de Dorival Júnior em março de 2025, com a CBF em processo de contratação. Cada partida na fase eliminatória representa um incremento de premiação que, historicamente, a Seleção tem convertido em avanço concreto: o Brasil é a única seleção a ter participado de todas as 22 edições da Copa do Mundo, com cinco títulos — 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 — e aproveitamento geral de 68,3% em 114 jogos disputados.

A Copa do Mundo de 2026 tem início programado para junho, com a fase de grupos distribuída entre as 16 cidades-sede nos três países anfitriões. A CBF deve anunciar o novo treinador da Seleção até o final de maio, prazo estabelecido internamente para que o técnico tenha ao menos um ciclo de preparação antes da estreia no torneio.