O Chelsea Football Club encerrou nesta quarta-feira (22) uma das páginas mais sombrias de sua história recente ao demitir Liam Rosenior, após uma sequência catastrófica que incluiu sete derrotas nos últimos oito jogos e a pior seca de gols em 114 anos. Entre os nomes que circulam nos corredores de Stamford Bridge para assumir o comando dos Blues, surge uma figura familiar: Filipe Luís, o ex-lateral brasileiro que defendeu as cores do clube londrino entre 2014 e 2015.

A filosofia tática de Filipe Luís

Durante sua breve passagem pelo Flamengo, onde conquistou oito vitórias, um empate e apenas uma derrota antes de ser substituído por Leonardo Jardim, Filipe Luís demonstrou uma abordagem tática que mescla elementos do gegenpressing alemão com a intensidade do futebol brasileiro. Sua experiência como lateral-esquerdo no Atlético de Madrid, sob o comando de Diego Simeone, moldou uma visão de jogo baseada na compacidade defensiva e transições rápidas para o ataque.

O estilo do brasileiro contrasta significativamente com o tiki-taka tradicional que muitos técnicos sul-americanos tentam implementar na Europa. Sua filosofia se aproxima mais do pressing alto praticado pelos melhores clubes da Premier League, uma característica que poderia ser fundamental para revitalizar um Chelsea que não conseguiu marcar gols em cinco jogos consecutivos no campeonato inglês.

Os desafios da adaptação europeia

Segundo apuração do SportNavo, a principal barreira para uma possível contratação de Filipe Luís pelo Chelsea reside nas questões burocráticas. O brasileiro ainda não possui a Licença PRO da UEFA, requisito obrigatório para comandar equipes nas principais competições europeias, embora já tenha obtido as Licenças A e B da CBF Academy.

A situação remonta aos casos de outros técnicos sul-americanos que enfrentaram dificuldades similares na Europa. Marcelo Bielsa, por exemplo, precisou de meses para regularizar sua documentação antes de assumir o Leeds United em 2018. A diferença é que o argentino já possuía vasta experiência internacional, enquanto Filipe Luís ainda constrói sua carreira como treinador.

A filosofia tática de Filipe Luís Filipe Luís desponta como opção para Che
A filosofia tática de Filipe Luís Filipe Luís desponta como opção para Che
"Foi inaceitável em todos os aspectos do jogo. Estou magoado e chocado... A atitude foi inaceitável", disse Rosenior após a derrota por 3 a 0 para o Brighton, que selou seu destino no comando dos Blues.

A crise estrutural dos Blues

O colapso do Chelsea sob Rosenior transcende questões táticas individuais. A equipe ocupa atualmente a sétima posição na Premier League com 48 pontos, sete atrás do Liverpool, que ainda tem um jogo a menos. A eliminação nas oitavas de final da Champions League pelo PSG, com derrota agregada de 8 a 2, expôs fragilidades defensivas que nem mesmo a experiência do técnico inglês conseguiu corrigir.

Calum McFarlane, que já havia assumido interinamente quando Enzo Maresca deixou o clube em janeiro, volta a comandar a equipe até o final da temporada. Sua missão imediata é classificar o Chelsea para a final da FA Cup, enfrentando o Leeds United na semifinal deste domingo, e garantir ao menos uma vaga na Conference League para a próxima temporada.

A experiência cosmopolita de Filipe Luís, que passou oito anos divididos entre Barcelona e Londres durante sua carreira como jogador, pode ser um diferencial na adaptação ao futebol inglês. Sua passagem pelo Atlético de Madrid, clube conhecido pela disciplina tática e organização defensiva, oferece um modelo interessante para um Chelsea que precisa recuperar a solidez perdida. O brasileiro terá até o encerramento da atual temporada europeia para resolver as questões de licenciamento, caso o interesse dos Blues se concretize em uma proposta formal.