A ausência de Lucas Paquetá nos próximos dois compromissos do Flamengo expõe uma questão estratégica que transcende o aspecto puramente esportivo. Com dores no joelho esquerdo após a vitória por 2 a 0 sobre o Bahia, o meio-campista de 26 anos se torna desfalque justamente quando o clube enfrenta uma sequência decisiva na Copa do Brasil e Brasileirão. A situação ilustra como dependências técnicas individuais podem impactar estruturas organizacionais complexas como clubes de futebol profissional.
O timing da lesão não poderia ser mais desafiador para Leonardo Jardim. O Flamengo estreia na Copa do Brasil nesta quarta-feira (22) contra o Vitória, no Maracanã, às 21h30, seguido pelo confronto com o Atlético-MG. Segundo dados do SportNavo, Paquetá participou diretamente de 67% dos gols do time na atual temporada, seja marcando ou assistindo, um índice que demonstra sua centralidade no sistema ofensivo rubro-negro.
Arsenal de reposições em xeque
As alternativas à disposição de Jardim refletem investimentos milionários realizados pelo clube nos últimos anos. Saúl Ñíguez, contratado sem custos após rescindir com o Atlético de Madrid em julho de 2025, retornou aos gramados justamente contra o Bahia após quatro meses afastado por cirurgia no calcanhar esquerdo. Em apenas um minuto em campo, o espanhol deu assistência de calcanhar para o gol de Paquetá, evidenciando sua capacidade técnica.
"Antes de entrar eu disse ao quarto árbitro que era complicada a mudança agora, porque pensava que iria fazer o gol. Ainda não fiz um gol oficial pelo Flamengo, e gostaria que fosse no Maracanã, com nossa torcida"
Everton Ribeiro e Arrascaeta completam o leque de opções para a vaga. O uruguaio, em particular, possui características técnicas similares a Paquetá na capacidade de transição ofensiva e finalização. Arrascaeta registra média de 2,3 passes decisivos por jogo nesta temporada, contra 2,1 de Paquetá, indicando produtividade estatística equivalente.

Dimensão econômica da dependência técnica
A situação expõe vulnerabilidades do modelo de gestão esportiva contemporâneo, onde clubes investem valores significativos em jogadores-chave sem necessariamente desenvolver redundâncias táticas adequadas. O Flamengo desembolsou aproximadamente R$ 180 milhões em contratações para 2025, mas a ausência de um único atleta compromete o padrão de jogo estabelecido.
Dados de audiência mostram que partidas do Flamengo com Paquetá em campo registram 12% mais espectadores na televisão, segundo levantamento do Ibope. Essa correlação entre presença individual e interesse do público evidencia como estrelas específicas impactam a receita televisiva e, consequentemente, os contratos de transmissão que representam 40% do orçamento anual do clube.
Adaptação sistêmica necessária
O drama pessoal vivido por Saúl, que revelou ter o filho internado na UTI, adiciona complexidade humana à equação tática. O espanhol disputou 25 jogos pelo Flamengo desde sua chegada, contribuindo com três assistências e participando dos títulos do Brasileirão e Libertadores de 2025.
"A verdade é que estou muito contente por estar de volta. Não está sendo um dia fácil para mim, porque meu filho está na UTI e estamos há três dias no hospital"
Leonardo Jardim iniciou nesta segunda-feira (20) a preparação específica para os jogos sem Paquetá. O treinador português, conhecido por adaptações táticas pragmáticas, deve alterar o esquema de meio-campo para compensar a ausência do camisa 20. A experiência na Ligue 1 e Premier League pode ser fundamental neste processo de reorganização sistêmica.
O confronto contra o Vitória representará o primeiro teste real da capacidade adaptativa do Flamengo em 2026. Com a quinta fase da Copa do Brasil em jogo, a resposta tática de Jardim pode definir não apenas a classificação, mas também a confiança do elenco para os desafios subsequentes na temporada.








