O silêncio no vestiário do Maracanã após eliminações dolorosas tem um eco familiar para quem acompanha o Flamengo há décadas. Com três desfalques confirmados para enfrentar o Vitória nesta quarta-feira (22), às 21h30, pela quinta fase da Copa do Brasil, o clube carioca revive um padrão preocupante: a má gestão de elenco em momentos decisivos que já custou títulos importantes nos últimos anos.
Erick Pulgar (contusão na articulação acromioclavicular do ombro direito), Lucas Paquetá (edema no tendão da coxa esquerda) e Jorge Carrascal (suspenso) são os ausentes confirmados por Leonardo Jardim. O técnico português, que assumiu após a polêmica demissão de Filipe Luís, ainda avalia se relacionará Jorginho, que voltou aos treinamentos no Ninho do Urubu.
Paralelos históricos revelam padrão de instabilidade
A situação atual ecoa cenários vividos pelo Flamengo em temporadas de grandes frustrações. Em 2020, sob comando de Rogério Ceni, o clube perdeu a final da Libertadores para o Palmeiras com um elenco desfalcado e clima interno tenso. Já em 2023, Jorge Sampaoli deixou o cargo em meio à temporada após desentendimentos com a diretoria, e o time acabou sem títulos expressivos.
Conforme levantamento do SportNavo, o Flamengo disputou 47 partidas oficiais em 2019 (ano do título da Libertadores) com média de 1,8 desfalques por jogo. Em 2022, temporada da conquista da Copa do Brasil e Libertadores, essa média subiu para 2,1. Agora em 2026, após apenas 15 jogos, o clube já registra média de 2,9 ausências por confronto – um indicativo preocupante da gestão do plantel.
"O que aconteceu com o Filipe Luís foi muito raro. É um treinador que tinha acabado de conquistar tudo, Libertadores, Campeonato Brasileiro, de uma maneira excepcional. Em dois meses, tudo acabou", disse Saúl Ñíguez em entrevista ao jornal espanhol 'AS'.
Bastidores agitados e futuro incerto de promessas
A demissão de Filipe Luís continua reverberando internamente. O técnico, que conduziu o Flamengo aos títulos da Libertadores e Brasileirão em 2025, foi dispensado após derrotas na Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana. O volante espanhol não escondeu o descontentamento com a decisão da diretoria.
"Pelo carinho que tenho pelo Filipe Luís, foi uma pena que ele não esteja podendo nos ajudar. São meses duros, sei que ele está passando por um momento complicado, e isso me incomoda bastante", completou Saúl.
Paralelamente, o clube enfrenta risco de perder uma de suas maiores promessas sem retorno financeiro. Ryan Roberto, atacante de 18 anos e destaque na campanha do vice-campeonato da Libertadores Sub-20, tem contrato até março de 2027, mas as negociações para renovação estão travadas. O Shakhtar Donetsk monitora a situação e trabalha nos bastidores para contratar o jovem sem custos de transferência.

Lições não aprendidas custam títulos
A história recente mostra que o Flamengo perde títulos quando a gestão falha em momentos cruciais. Em 2020, Gabigol e Bruno Henrique jogaram a final da Libertadores contra o Palmeiras com problemas físicos mal resolvidos. O resultado foi uma derrota por 1 a 0 em Montevidéu. Dois anos depois, em 2022, a diretoria soube gerenciar melhor o plantel e conquistou Libertadores e Copa do Brasil.
O departamento médico rubro-negro registrou 127 lesões em 2023, contra 89 em 2022. A diferença não foi apenas numérica: enquanto em 2022 as contusões se concentraram em períodos de menor exigência do calendário, em 2023 os desfalques coincidiram com fases eliminatórias de competições importantes.
Leonardo Jardim herda não apenas um elenco desfalcado, mas também um ambiente de desconfiança. O português precisa provar que consegue reverter a tendência negativa que começou com as eliminações precoces no início de 2026. O Vitória, adversário desta quarta-feira, eliminou o Flamengo da Copa do Brasil em 1999 – uma lembrança que os torcedores mais antigos preferem esquecer.
A partida de ida contra o Vitória será transmitida pelo Premiere e SporTV, com o jogo de volta marcado para a próxima semana, na Bahia. O Flamengo busca evitar mais uma eliminação precoce que confirmaria o padrão de instabilidade que tem impedido o clube de consolidar sua hegemonia no futebol brasileiro.












