"Achei tão injusta quanto a do colega do Estudiantes"
, disse Leonardo Jardim ao comentar a expulsão que o impedirá de comandar o Flamengo da beira do campo na quinta-feira (07) contra o Independiente Medellín. A frase revela mais do que indignação com o árbitro Piero Maza — ela condensa o nível de tensão operacional em que o clube entra nesta janela de quatro partidas fora do Rio de Janeiro.

O diagnóstico do momento

O Flamengo embarcou nesta terça-feira (05), às 15h30, rumo à Colômbia para o confronto da 4ª rodada da fase de grupos da CONMEBOL Libertadores, marcado para as 21h30 no Estádio Atanasio Girardot. A sequência não para aí: no domingo (10/05), às 19h30, a equipe enfrenta o Grêmio na Arena do Grêmio pela 15ª rodada do Brasileirão 2026. Vêm ainda EC Vitória (14/05, Copa do Brasil) e Athletico-PR (17/05, Brasileirão) — quatro jogos, três estados diferentes, duas competições e um país estrangeiro em 12 dias.

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A decisão estratégica central: a delegação não retorna ao Rio de Janeiro após Medellín. O grupo segue diretamente para Porto Alegre, onde realizará treinos na sexta-feira e no sábado no CT do Internacional. Não há tragédia: há contabilidade. Cada voo de retorno ao Rio economizado representa, em fretamento de aeronave executiva para um grupo de 50 a 60 pessoas, entre R$ 180 mil e R$ 280 mil, dependendo da rota e da janela de contratação.

O diagnóstico do momento Flamengo transforma maratona fora de cas
O diagnóstico do momento Flamengo transforma maratona fora de cas

Os fatores que explicam o quadro

A diferença entre o modelo do Flamengo e o de clubes como Athletico-PR, Fortaleza ou Bahia não é de vontade — é de caixa. Conforme levantamento do SportNavo, apenas Flamengo, Palmeiras e, eventualmente, São Paulo operam com contratos fixos anuais com empresas de fretamento aéreo, o que reduz o custo unitário por voo em até 35% em relação à contratação spot. Os demais clubes da Série A negociam fretamentos avulsos, pagando prêmio de urgência toda vez que o calendário aperta.

O Flamengo também mantém acordos com redes hoteleiras em destinos recorrentes — São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte — que incluem bloqueio de andares, cozinha exclusiva para o nutricionista do clube e sala de fisioterapia montada. O custo fixo mensal desses contratos gira em torno de R$ 90 mil a R$ 120 mil, segundo fontes do setor de hospitalidade esportiva, mas elimina a variação de preço em alta temporada e garante padrão de recuperação muscular controlado.

O que o clube mobiliza nesta sequência

  • Voo fretado Rio–Medellín (05/05): estimativa de R$ 420 mil a R$ 520 mil pela rota internacional
  • Voo fretado Medellín–Porto Alegre (08/05): em substituição ao retorno ao Rio, corta dois deslocamentos
  • CT do Internacional em Porto Alegre: uso negociado para treinos de sexta e sábado antes do Gre-Nal
  • Comissão técnica reduzida em campo: Jardim cumprirá suspensão, com assistentes assumindo a beira do gramado em Medellín

A ausência de Jardim no Atanasio Girardot tem custo operacional indireto. O treinador português, em sua primeira expulsão como profissional, precisará transmitir orientações táticas por comunicação com o banco — o que eleva a dependência de análise em tempo real pela comissão auxiliar, uma estrutura que o Flamengo mantém com três assistentes fixos e um analista de desempenho dedicado às partidas.

Os cenários possíveis daqui

A eficiência logística tem ROI mensurável em campo. Um estudo publicado pelo CIES Football Observatory em 2024 apontou que equipes que percorrem mais de 8.000 km em janelas de sete dias apresentam queda média de 11% nos índices de sprint e cobertura de campo na segunda partida da sequência. O Flamengo, ao eliminar o retorno ao Rio após Medellín, reduz o trajeto total da delegação em aproximadamente 3.200 km nesta janela específica.

Para o restante da maratona — Vitória (14/05) e Athletico-PR (17/05) —, a análise do SportNavo indica que o clube deverá repetir o modelo de escala direta, evitando o hub do Galeão entre jogos. A variável crítica é o tempo de recuperação entre Grêmio (domingo) e Vitória (quinta): 96 horas, abaixo do ideal de 120 horas recomendado pela FIFA para deslocamentos internacionais subsequentes.

O Flamengo retorna ao Maracanã apenas em 20 de maio, quando recebe o Estudiantes pela 5ª rodada da Libertadores. Até lá, os R$ 800 mil a R$ 1,1 milhão estimados em custos de logística desta sequência serão o menor dos problemas — desde que os pontos apareçam na tabela.