Uma bomba-relógio embrulhada em papel crepom tricolor.

É exatamente isso que o Fluminense de Luis Zubeldía se tornou nesta fase de grupos da Libertadores. O clube chegou a Mendoza, na região cuyana da Argentina, carregando um único ponto em três partidas e a lanterna do grupo C — um cenário que, em qualquer outro contexto, já teria esvaziado as arquibancadas de esperança. A detonação está marcada para esta quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), quando o Tricolor enfrenta o Independiente Rivadavia, time que lidera o grupo com aproveitamento perfeito e que, convenhamos, já humilhou o Flu dentro do próprio Maracanã.

Hoje: o que já é fato

O Fluminense pousou em Mendoza com um número que diz tudo: dois triunfos em nove jogos. Não é crise passageira — é um padrão de inconsistência que lembra, guardadas as proporções, o West Ham da temporada 2024/2025 na Premier League, incapaz de transformar boa posse em resultado concreto. Zubeldía, técnico argentino que conhece bem o peso emocional desses duelos sul-americanos, tem pela frente um adversário que não perdeu uma partida sequer nesta fase e que, além do resultado no Maracanã, construiu uma identidade tática de pressing alto admirável para um clube do interior argentino.

A boa notícia — talvez a única — é o retorno de Lucho Acosta. O meia argentino ficou afastado por pouco mais de três semanas após sofrer uma lesão no joelho esquerdo no dia 12 de abril. Desde então, o Fluminense venceu apenas dois dos sete jogos disputados, um dado que ilustra com brutalidade o quanto o camisa 10 é insubstituível no sistema do Tricolor. A expectativa é que ele entre no banco de reservas e atue no máximo 30 minutos — o suficiente, quem sabe, para mudar o ângulo de uma partida travada.

Esta semana: o que se desdobra

Mendoza não é Buenos Aires nem Rosario. A cidade tem um ritmo de interior provinciano que contrasta com a urgência tricolor — algo como o silêncio das ruas de Laranjeiras num domingo de folga, enquanto o Maracanã ferve a poucos quilômetros. O Independiente Rivadavia joga em casa, com a confiança de quem lidera e a memória recente de uma vitória fora do país. Para o Fluminense, o ambiente será hostil e o contexto, sufocante.

Segundo apuração do SportNavo, a comissão técnica planeja pelo menos mais uma atividade antes do jogo, com foco em ajustes posicionais e na retomada da intensidade defensiva — elemento que praticamente desapareceu nas últimas semanas. O gegenpressing que Zubeldía tenta implementar exige energia e confiança, dois insumos escassos num grupo que venceu pouco e sofreu críticas pesadas. A volta de Lucho Acosta, mesmo que parcial, reinsere um jogador capaz de conectar linhas e criar desequilíbrio individual, características que nenhum outro meio-campista do atual elenco reúne com a mesma consistência.

Nas palavras do entorno do clube, Lucho Acosta deve começar no banco e jogar no máximo 30 minutos — o suficiente para que Zubeldía tenha uma carta na manga caso o placar exija uma virada de chave.

Próximas 4 semanas: o que vai mudar

A matemática é cruel, mas ainda permite sonho. Uma vitória em Mendoza não resolve o problema, mas reabre a equação. O Fluminense precisará encadear resultados numa sequência que, dada a irregularidade recente, parece tão improvável quanto o tráfego fluindo sem engarrafamento na Avenida Paulista às 18h numa sexta-feira de chuva. Mas futebol, como qualquer correspondente internacional aprende cedo, não obedece à lógica dos modelos preditivos.

A análise exclusiva do SportNavo sobre o desempenho do grupo C mostra que o Independiente Rivadavia tem 100% de aproveitamento justamente por explorar os espaços deixados por adversários que tentam sair jogando sob pressão — exatamente o padrão de jogo que o Fluminense adotou e que tem resultado em erros técnicos custosos. Se Zubeldía não ajustar o posicionamento do meio-campo para proteger melhor a saída de bola, a noite em Mendoza pode ser longa.

Segundo o técnico Luis Zubeldía, a equipe precisa superar a instabilidade recente para voltar a apresentar o futebol que a fez campeã continental — uma referência clara à Libertadores de 2023, ainda viva na memória da torcida tricolor.

O calendário não perdoa. Após Mendoza, o Fluminense ainda terá rodadas decisivas no grupo C, e cada ponto desperdiçado agora reduz drasticamente as chances de classificação às oitavas de final. A vitória desta quarta-feira não garante nada — mas a derrota, quase com certeza, encerra a campanha do Tricolor na fase de grupos antes mesmo do apito final da última rodada.

Fluminense vence ou está fora.