A delegação do Fluminense desembarcou na Bolívia sem Paulo Henrique Ganso. Por orientação médica, o meia não foi relacionado para o duelo desta quinta-feira (30) contra o Bolívar, pela terceira rodada do Grupo C da Copa Libertadores, às 19h no Estádio Hernando Siles. A recomendação dos médicos do clube está diretamente ligada à miocardite que Ganso sofreu no início de 2025: a exposição a 3.650 metros de altitude representa risco cardiovascular real, e o clube optou por preservá-lo sem hesitar.

O peso da altitude sobre qualquer estratégia tática

O Hernando Siles é um dos estádios mais temidos do continente justamente pela altitude extrema. A 3.650 metros acima do nível do mar, a pressão parcial de oxigênio é cerca de 35% inferior à registrada no Rio de Janeiro — o que impacta diretamente o VO2 máximo dos atletas, a recuperação entre sprints e a capacidade de manutenção de pressing alto por 90 minutos. Para um time que precisa de circulação rápida de bola no meio-campo, a ausência de Ganso — jogador de baixo desgaste físico, mas alto volume técnico — torna a adaptação ainda mais delicada.

AO VIVO! GE FLUMINENSE ANALISA DUELO CONTRA O BOLÍVAR PELA LIBERTADORES | #podcast | ge.globo

O técnico Luis Zubeldía também não contará com Lucho Acosta, Martinelli e Nonato, o que limita as opções criativas no setor. A provável escalação aponta para Fábio; Guga, Jemmes, Freytes e Guilherme Arana; Bernal, Hércules e Savarino; Canobbio, Serna (ou Soteldo) e John Kennedy — uma estrutura mais compacta, com Savarino assumindo a função de organizador entre as linhas.

Canobbio e Renê carregam históricos opostos no Hernando Siles

Dois integrantes do atual elenco tricolor já viveram a altitude de La Paz em situação de mata-mata pela Libertadores de 2023 — e as experiências foram radicalmente distintas. Canobbio estava no Athletico-PR quando o Furacão foi derrotado pelo Bolívar por 3 a 1 nas oitavas de final daquela edição, resultado que eliminou o time paranaense do torneio. A derrota pesada é um dado que expõe o poder do Hernando Siles como fator determinante.

Renê, por outro lado, construiu uma memória diferente. O lateral-esquerdo fez parte do Internacional que venceu o Bolívar por 1 a 0 em La Paz nas quartas de final da mesma competição — partida que classificou o Colorado para as semifinais, onde acabaria eliminado pelo próprio Fluminense, que foi campeão naquele ano. Na avaliação do SportNavo, o histórico de Renê no Hernando Siles torna o lateral um ativo tático e psicológico relevante para Zubeldía nesta quinta.

John Kennedy como referência ofensiva num cenário de múltiplos desfalques

Com o Fluminense acumulando 38 gols em todas as competições até agora em 2026, John Kennedy responde por 9 deles — o que representa 23,7% da produção ofensiva do clube na temporada. O atacante é o artilheiro tricolor no ano e segue uma tendência recente: desde 2024, o Flu tem trocado seu principal goleador a cada temporada. Jhon Arias liderou com 14 gols em 2024; Germán Cano voltou ao topo com 20 tentos em 2025; agora é JK quem carrega a referência na área.

A lista de relacionados confirmada pelo clube para o jogo inclui três goleiros (Fábio, Vitor Eudes e Marcelo Pitaluga), cinco laterais, cinco zagueiros, quatro volantes, um meia e seis atacantes. A composição reforça a intenção de Zubeldía de ter opções para administrar o desgaste físico imposto pela altitude ao longo dos 90 minutos — é rotatividade planejada, não improvisação.

Conforme apuração do SportNavo, a partida desta quinta representa um teste de maturidade coletiva para um Fluminense que vem de vitória no Brasileirão e precisa somar pontos no Grupo C para avançar de fase. Uma vitória em La Paz colocaria o Tricolor em posição confortável na chave; um tropeço manteria a pressão sobre o restante da fase de grupos. O jogo começa às 19h, horário de Brasília.