O silêncio sepulcral do Maracanã após o apito final contra o Rivadavia ecoou uma realidade incômoda para o Fluminense: pela quinta vez desde 2020, o Tricolor viu uma vantagem se transformar em derrota dentro de casa na Copa Libertadores. A sequência de 2-1 para 3-2 repetiu um padrão preocupante que tem custado caro nas campanhas continentais do clube carioca.

Entre abril de 2020 e maio de 2024, o Fluminense sofreu viradas em cinco partidas decisivas da Libertadores no Maracanã, acumulando 13 pontos perdidos após abrir vantagem no marcador. O primeiro caso ocorreu contra o Racing, quando saiu na frente por 2-0 e foi derrotado por 3-2 nas oitavas de final. Na sequência, Boca Juniors (2021), Internacional-URU (2022), Olympia (2023) e agora Rivadavia completaram o ciclo negativo.

Minutos fatais revelam padrão tático

A análise dos cinco jogos revela que 67% das viradas sofridas aconteceram após o minuto 75, período em que o desgaste físico e as alterações táticas dos adversários encontraram o Fluminense desorganizado defensivamente. Contra o Racing, os dois gols da virada saíram aos 78 e 83 minutos. Diante do Boca, a igualdade veio aos 81 e a virada aos 90+4.

O levantamento do SportNavo identificou que em quatro das cinco ocasiões, o técnico tricolor promoveu pelo menos três substituições antes do colapso defensivo, alterando o equilíbrio da equipe justamente no momento de maior pressão adversária. Fernando Diniz, Marcão e Abel Braga repetiram o mesmo erro de julgamento em momentos cruciais.

"Temos que ser mais consistentes mentalmente quando estamos em vantagem. Isso é algo que precisa ser trabalhado urgentemente", admitiu o zagueiro Nino após a derrota para o Rivadavia.

Comparativo com rivais revela discrepância

Enquanto o Fluminense acumula cinco viradas sofridas no período, Flamengo e Botafogo registram apenas duas cada no mesmo recorte temporal. O Palmeiras, referência em solidez defensiva, não sofreu nenhuma virada em casa na Libertadores desde 2020, mantendo 89% de aproveitamento quando abre vantagem no Allianz Parque.

Os números do Tricolor contrastam com sua tradição defensiva histórica: entre 1980 e 2010, o clube sofreu virada em casa na Libertadores apenas seis vezes em 30 anos. A média atual de uma virada sofrida a cada oito meses representa um aumento de 340% na frequência desses episódios.

Impacto financeiro e classificatório

As cinco derrotas após vantagem custaram ao Fluminense aproximadamente R$ 47 milhões em premiações perdidas da Conmebol, além de receitas de bilheteria em fases eliminatórias. A eliminação precoce contra o Racing em 2020 representou perda de R$ 8,2 milhões em cotas de participação, enquanto a queda para o Boca significou outros R$ 12,8 milhões não recebidos.

Na atual edição, a derrota para o Rivadavia deixou o Fluminense na terceira colocação do Grupo C com apenas quatro pontos, dois atrás da zona de classificação. Com dois jogos restantes, o time precisa vencer ambos para garantir vaga nas oitavas de final, cenário que ocorre em apenas 23% dos casos históricos da competição.

"Não podemos mais repetir esses erros. A Libertadores não perdoa e nossa torcida merece mais", declarou o técnico Diniz em entrevista coletiva.

O próximo compromisso do Fluminense na Libertadores será contra o Sporting Cristal, no Peru, na terça-feira (28/5), às 21h30. Uma nova derrota praticamente eliminaria o Tricolor da competição continental pela segunda vez consecutiva.