Zero vitórias em três jogos. O Fluminense é o único clube brasileiro a não vencer uma partida sequer nas primeiras três rodadas da Conmebol Libertadores 2026 — e a situação, além de estatisticamente alarmante, carrega uma explicação que começa muito antes de qualquer bola rolar. A construção desse fracasso tem endereço certo: os andares mais altos da gestão tricolor.

Uma diretoria que errou antes do apito inicial

O Fluminense encerrou os dois últimos exercícios financeiros com recorde de arrecadação. Dinheiro, portanto, não foi o problema central. O problema foi como esse dinheiro foi administrado. O presidente Mattheus Montenegro e o diretor-geral Mário Bittencourt acumularam decisões que enfraqueceram estruturalmente o elenco: a venda de Jhon Arias por valores considerados irrisórios para um jogador de sua influência tática e afetiva foi apenas a mais emblemática delas. Arias era titular insubstituível, ídolo consolidado e peça-chave na construção ofensiva — e sua saída abriu um vácuo que nenhuma das contratações subsequentes conseguiu preencher.

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Lucho Acosta e Martinelli, outros dois titulares de peso, também deixaram o clube, esvaziando ainda mais o setor criativo. No lugar deles, apostas caras e de alto risco: Lezcano, Lavega e Santi Moreno chegaram com investimentos significativos, mas sem a consistência esperada para um clube que disputava a Libertadores. Soteldo, contratado com um longo histórico de lesões, reforça a percepção de planejamento deficitário. Segundo apuração do SportNavo, ao menos três dos principais reforços deste ciclo chegaram ao Maracanã sem tempo adequado de pré-temporada, o que atrasou a adaptação tática ao esquema do técnico Luis Zubeldía.

Zubeldía e as convicções que custam pontos

O técnico argentino Luis Zubeldía não está isento de responsabilidade. O treinador manteve titularidades absolutas de Freytes e Renê mesmo diante de rendimentos inconsistentes, recusando-se a promover rotações que poderiam revitalizar o coletivo. Em confrontos de maior pressão — justamente os que definem campanhas continentais — Zubeldía tem sido incapaz de extrair o melhor do grupo tanto taticamente quanto em termos de mobilização anímica.

"Sob sua batuta, o Tricolor Carioca soma boas exibições pontuais, mas falha sistematicamente nos momentos decisivos", apontou análise publicada pelo 90min.com/pt-BR sobre a campanha tricolor na Libertadores 2026.

O padrão de jogo apresentado nas três rodadas iniciais confirma essa leitura: o Fluminense não sofre de falta de posse ou volume ofensivo em todos os momentos, mas tem dificuldade crônica em converter pressão em resultado, especialmente quando o adversário cria blocos defensivos baixos.

A derrota que aconteceu fora do campo

A situação dentro das quatro linhas ganhou um contorno ainda mais delicado por conta de um episódio extraesportivo: no Brasileirão 2026, a diretoria tricolor acatou, sem resistência formal, o adiamento de um Fla-Flu que beneficiava diretamente o Flamengo. A decisão, que prejudicava o próprio Fluminense em termos de calendário e sequência competitiva, gerou um mal-estar profundo entre jogadores, comissão técnica e torcedores. A percepção instalada — e que persiste — é de que a gestão cedeu espaço ao maior rival sem travar nenhuma batalha institucional.

"A sensação é que essa decisão feriu, irreversivelmente, a conexão entre elenco-gestão-arquibancada", descreveu o portal 90min.com/pt-BR em texto de análise sobre o momento do clube.

Há também uma reclamação recorrente sobre a postura do clube frente a arbitragens desfavoráveis em âmbito nacional e continental. A ausência de defesa institucional mais firme transformou o Fluminense, na avaliação do SportNavo, numa espécie de alvo fácil — clube que raramente reage publicamente quando se sente prejudicado, o que alimenta a passividade nos bastidores.

O que o clube precisa fazer agora para não ser eliminado

O Fluminense ainda tem três jogos restantes na fase de grupos da Libertadores 2026 para reverter uma campanha que, com zero vitórias até aqui, já acende o alerta máximo de eliminação precoce. Para avançar, precisará vencer ao menos dois dos três compromissos restantes, dependendo também dos resultados paralelos. Zubeldía terá de rever ao menos parte de suas escolhas de escalação — especialmente nas posições de flanco e meio-campo —, e a diretoria precisará demonstrar suporte real ao grupo, algo que a gestão de Montenegro e Bittencourt ainda não conseguiu transmitir com clareza nesta temporada. O próximo jogo do Fluminense na Libertadores será fora de casa, contra adversário do mesmo grupo, partida que já pode ser classificada como decisiva para as pretensões tricolores na competição de 2026.