Virou. Mas a virada não foi só de placar — foi de narrativa, de expectativa e, provavelmente, de posição moral dentro de um torneio que chegava à sua 11ª edição carregando o peso de uma Superliga Feminina cada vez mais disputada. O jogo entre Barueri W e Fluminense W, disputado em 21 de dezembro de 2024, terminou 3 a 2 para as tricolores — e esse placar, lido agora com um ano de distância, diz muito mais do que dizia naquela tarde de dezembro.
O nome que ficou marcado
O Fluminense W entrou em quadra naquele 21 de dezembro carregando a identidade de um projeto que vinha ganhando consistência na Superliga Feminina. Vencer fora de casa, em condições que exigiram uma virada — sair perdendo e encontrar o caminho de volta — é o tipo de resultado que define caráter competitivo. É razoável imaginar que o vestiário tricolor, ao final daquela partida, entendeu que havia algo diferente naquele grupo. Não é todo time que consegue virar um jogo na última fase de um ano olímpico, quando o calendário pesa e as pernas pedem trégua.
O Fluminense construiu seu 3x2 sobre o Barueri num contexto em que a Superliga Feminina 11 ainda definia hierarquias. Dezembro de 2024 era, para muitos times, o momento de consolidar pontos antes do recesso — e uma vitória de virada nesse período tem peso diferente de uma goleada tranquila em setembro. Provavelmente, aquela partida serviu como termômetro emocional para o elenco carioca.
O lado oposto, que rivalizou no roteiro
O Barueri W abriu o placar naquela tarde. Saiu na frente, chegou a 2 a 2 — o que torna o resultado final ainda mais amargo. Sair perdendo, empatar, e ainda assim perder no set decisivo é o tipo de derrota que marca mais do que um 3x0. É razoável imaginar que o grupo do Barueri saiu daquele ginásio com a sensação de que havia deixado dois pontos na mesa, não três.
O Barueri W, clube com trajetória relevante no voleibol feminino paulista, representava naquele dezembro uma equipe que competia com seriedade pela classificação. Perder um jogo que chegou a controlar — chegando a 2 sets igualados — é o tipo de episódio que técnicos usam como ponto de inflexão nos treinamentos. O quinto set, quando existe, é um microcosmo de tudo que um time construiu até aquele momento: física, mental e tática. E naquele dia, o Fluminense foi mais completo nesse microcosmo.
O que aquele jogo revelou sobre o Barueri que só ficou claro depois?
Os outros 20 que entraram em campo
Numa partida de cinco sets, o coletivo importa tanto quanto o individual. Cada uma das 12 atletas que entraram em quadra — titulares e reservas dos dois lados — carregou o peso de um dezembro desgastante, com viagens, treinamentos comprimidos e a pressão de um calendário que não perdoa. É razoável imaginar que as substituições táticas foram determinantes num jogo tão equilibrado: em confrontos que chegam ao quinto set com placar de 2 a 2, a gestão de elenco pelo banco de reservas frequentemente decide.
Em matéria do SportNavo publicada na cobertura daquela temporada, o equilíbrio da Superliga Feminina 11 foi destacado como um dos pontos altos da competição — e esse Barueri W 2x3 Fluminense W é um retrato fiel desse equilíbrio. Dois times, 25 pontos de diferença no set decisivo separando vitória de derrota, e um resultado que poderia ter ido para qualquer lado. Isso não é acidente: é o produto de uma liga que amadureceu tecnicamente nos últimos anos.
As jogadoras que sustentaram o jogo físico até o quinto set — na recepção, no bloqueio, na diagonal — fizeram o trabalho invisível que os placares não registram mas que os técnicos conhecem de cor. Num jogo de virada, as atletas que entraram no segundo ou terceiro set e mantiveram o nível são tão determinantes quanto quem aparece nos momentos finais.
Onde estão hoje todos eles
Com um ano transcorrido desde aquele 21 de dezembro de 2024, a Superliga Feminina já entrou em nova edição e os elencos passaram pelas transformações naturais do voleibol brasileiro: renovações contratuais, transferências, jogadoras convocadas para seleção e o eterno ciclo de reconstrução que os clubes menores enfrentam mais do que os grandes. É razoável imaginar que parte das atletas que disputaram aquele Barueri W x Fluminense W já mudaram de clube — o mercado do voleibol feminino nacional tem alta rotatividade entre temporadas.
O Fluminense W, como projeto de clube, seguiu seu caminho na competição nacional. O Barueri W, da mesma forma, manteve sua estrutura e continuou competindo na elite do voleibol feminino. O que aquele 3x2 de dezembro representou para cada instituição só pode ser medido pelo que veio depois — e essa medição, com um ano de perspectiva, aponta para um jogo que foi mais do que três pontos na tabela. Foi um teste de identidade para os dois lados, num momento do calendário em que a maioria das equipes prefere administrar em vez de arriscar.
O voleibol feminino brasileiro de 2025 e 2026 colheu o que temporadas como a 11ª da Superliga plantaram: confrontos equilibrados, times que aprenderam a competir no quinto set, e uma liga que deixou de ter candidatos óbvios ao título. Aquele Barueri W 2x3 Fluminense W, jogado a três dias do Natal de 2024, foi um fragmento desse processo — pequeno no calendário, significativo na construção.
Se o Fluminense W e o Barueri W se encontrarem novamente nas próximas semanas da Superliga atual, qual time vai carregar mais o peso desse histórico recente — e quem vai ter aprendido mais com aquela derrota no quinto set?









