Uma queda sobre o próprio ombro no início do empate entre Flamengo e Estudiantes, na Argentina, em 29 de abril de 2026, foi suficiente para colocar em xeque a presença de Giorgian De Arrascaeta na Copa do Mundo. Os exames realizados no hospital local confirmaram o diagnóstico mais temido: fratura na clavícula direita, com necessidade de intervenção cirúrgica agendada para a manhã de 30 de abril, no Rio de Janeiro, sob supervisão do chefe do Departamento Médico do Flamengo, Fernando Sassaki.
O mecanismo da lesão e o prognóstico médico
Arrascaeta deixou o gramado ainda no primeiro tempo após se chocar com o zagueiro Pivoti e cair de mau jeito sobre o ombro direito. Visivelmente incomodado e com a mão pressionando o ombro, o camisa 10 foi substituído e encaminhado diretamente ao hospital próximo ao estádio Juan Jorge Neyra. A delegação rubro-negra retornou ao Brasil na madrugada seguinte, pousando no Rio de Janeiro por volta das 6h25 do dia 30, com o uruguaio já a bordo.
Fraturas de clavícula costumam exigir entre seis e doze semanas de recuperação, a depender da extensão do dano e da resposta individual ao procedimento cirúrgico. Para efeito de comparação, o meia Montoro, do Botafogo, passou por situação semelhante no ano anterior e levou 41 dias para retornar às atividades. O intervalo entre a cirurgia de Arrascaeta e o início da Copa do Mundo de 2026, prevista para junho, é estreito, o que torna o cenário preocupante.
O que a Copa do Mundo de 2026 representa para o Uruguai
Aos 29 anos, Arrascaeta é peça central do esquema do técnico Marcelo Bielsa na Seleção Uruguaia. Com habilidade para atuar como meia ofensivo ou pelas extremas, o jogador acumula passagens decisivas pela Celeste em eliminatórias e Copa América. Perder um atleta dessa função a menos de dois meses de um Mundial representa uma lacuna técnica relevante, especialmente pela combinação de criatividade e volume de jogo que ele oferece ao setor ofensivo uruguaio.
A análise do SportNavo aponta que, mesmo no cenário mais otimista — recuperação em seis semanas —, Arrascaeta teria tempo mínimo para ser reintegrado ao ritmo de competição antes das convocações definitivas. No pior cenário, com recuperação de doze semanas, o jogador estaria completamente fora do torneio. O Uruguai está no Grupo C do Mundial, ao lado de Portugal, Gana e Arábia Saudita.
A polêmica da arbitragem e o contexto do jogo
O empate de 1 a 1 no Juan Jorge Neyra manteve o Flamengo na liderança do Grupo A da Libertadores, mas o resultado foi ofuscado pela indignação dos dirigentes rubro-negros com a condução do árbitro chileno Piero Maza. O diretor de futebol José Boto foi categórico ao sair do vestiário:
"Estamos ali dentro com uma série de jogadores cheios de hematomas. Parece que saíram de uma guerra e não de um jogo de futebol. Agressividade é uma coisa e violência é outra."
Boto citou dois lances específicos que, na sua avaliação, justificariam expulsão. Aos 38 minutos do primeiro tempo, Farías atingiu Emerson Royal com uma tesoura por trás e recebeu apenas cartão amarelo. Na etapa final, Palacios — já advertido com amarelo — acertou Bruno Henrique com solada e força desproporcional; a arbitragem assinalou falta, mas não aplicou o segundo cartão. O comentarista de arbitragem PC de Oliveira, da Globo, avaliou ambos os lances como passíveis de expulsão, alinhando-se à posição do dirigente flamenguista.
"Os árbitros não sei por que conduzem o jogo de uma forma diferente na Argentina. Há dois lances claramente de expulsão e é impossível jogar assim", completou Boto, que cobrou a Conmebol por critérios distintos de apitagem dentro e fora do país.
O técnico Leonardo Jardim, que já acumulava pressão com a sequência da temporada, foi expulso durante a partida, ampliando as dificuldades do clube para a reta final da fase de grupos.

Os substitutos possíveis e os próximos compromissos
Sem Arrascaeta, o Flamengo inicia sua preparação a partir de 1º de maio com foco no clássico contra o Vasco, marcado para 3 de maio, às 16h, no Maracanã, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Leonardo Jardim terá de reorganizar o setor criativo para uma sequência que inclui jogos da Libertadores, confronto de volta da Copa do Brasil contra o Vitória, no Barradão, e o duelo direto contra o Palmeiras pelo Brasileiro.

No Uruguai, o cargo de substituto natural aponta para nomes como Facundo Torres, do Orlando City, ou Rodrigo Bentancur, da Juventus — jogador que atua numa posição diferente, mas cumpre papel de construção de jogo. A definição caberá a Bielsa, que convoca o elenco para o Mundial nas próximas semanas. Segundo apuração do SportNavo, a comissão técnica uruguaia já monitora a evolução clínica de Arrascaeta antes de qualquer decisão formal sobre a lista de convocados.









