A decisão veio de forma súbita. Gilbert Burns colocou as luvas no centro do octógono após perder para Mike Malott no UFC Canadá, no último sábado (18), simbolizando o fim de uma carreira que durou 15 anos no MMA profissional. Aos 37 anos, Durinho admitiu que a aposentadoria não estava nos planos antes da luta.
O brasileiro de 37 anos construiu um currículo respeitável no welterweight do UFC. Burns acumulou vitórias sobre nomes como Stephen Thompson, Demian Maia e Tyron Woodley, chegando a disputar o cinturão contra Kamaru Usman em 2021. Sua derrota por decisão majoritária para Malott, que possuía cartel de 10-2-1 antes do confronto, pegou muitos analistas de surpresa.
Performance que definiu a aposentadoria
A performance contra Malott foi determinante para a decisão imediata. Burns mostrou sinais de declínio físico evidentes nos três rounds, principalmente na velocidade de reação e na potência dos golpes. O canadense conectou 47% dos seus strikes significativos contra apenas 32% de Burns, números que contrastam com a média histórica do brasileiro de 52% de aproveitamento.
"A decisão foi tomada de última hora, não tinha planejado isso antes da luta", revelou Burns em entrevista pós-evento.
A análise round-a-round mostra que Durinho perdeu claramente os dois primeiros assaltos. No terceiro round, conseguiu equilibrar as trocações, mas não foi suficiente para reverter o placar dos juízes. Malott mostrou superioridade no striking em pé, conectando 89 golpes significativos contra 67 de Burns.
Projetos fora dos octógonos já definidos
Burns já tem planos concretos para o pós-aposentadoria. O foco principal será a abertura de uma academia própria em Miami, onde reside há oito anos. O projeto inclui treinamento para atletas profissionais e amadores, além de aulas para iniciantes no jiu-jitsu e MMA.
Segundo apuração do SportNavo, Durinho também negocia um contrato de comentarista com canais especializados em lutas. Sua experiência como ex-desafiante ao título e conhecimento técnico apurado fazem dele um candidato natural para a função. O brasileiro domina perfeitamente o inglês e possui boa desenvoltura diante das câmeras.

A transição para comentarista seguiria o exemplo de outros lutadores aposentados como Daniel Cormier e Dominick Cruz. Burns possui conhecimento profundo sobre ground game, sendo faixa-preta de jiu-jitsu pela academia de Roberto Maia. Essa bagagem técnica seria valiosa para explicar as nuances do grappling para o público.
Legado consolidado no peso meio-médio
O cartel final de Burns no UFC mostra 13 vitórias e sete derrotas. Entre seus feitos principais estão as finalizações de Maia e Woodley, além da guerra épica contra Usman que rendeu bônus de Luta da Noite. Durinho nunca foi finalizado na carreira profissional, demonstrando a solidez de sua defesa no solo.

Seus números estatísticos impressionam: 4.2 takedowns por luta com 68% de eficiência e 91% de defesa contra quedas. No striking, manteve média de 4.8 golpes significativos por minuto, números superiores à média da divisão. A versatilidade entre trocação e luta agarrada sempre foi sua marca registrada.
O brasileiro deixa o esporte em posição financeira confortável. Burns arrecadou cerca de 3.2 milhões de dólares em prize money oficial ao longo da carreira no UFC, sem contar os bônus por performance e patrocínios. Esse capital permitirá investir no projeto da academia sem pressão financeira imediata.
A aposentadoria de Burns representa o fim de uma era para o MMA brasileiro. O próximo evento do UFC está marcado para 1º de fevereiro, em Las Vegas, sem presença brasileira confirmada na programação principal até o momento.








