Quatro derrotas consecutivas. Para um lutador que disputou cinturão há três anos, essa sequência negativa soa como alarme vermelho no octógono. Gilbert Burns, aos 37 anos, chega ao UFC Canadá deste sábado (18) contra Mike Malott carregando uma pressão inédita em sua trajetória no MMA profissional - e os números técnicos revelam um declínio preocupante em aspectos fundamentais de seu jogo.

Os números revelam o declínio técnico

Entre 2020 e 2021, quando Burns disputou o cinturão dos meio-médios contra Kamaru Usman, o brasileiro apresentava taxa de acerto de 47% nos golpes significativos e conseguia 2.8 quedas por luta em média. Nas últimas quatro derrotas - contra Belal Muhammad, Jack Della Maddalena, Sean Brady e Michael Morales -, esses índices despencaram para 38% de precisão e apenas 0.75 tentativas de queda bem-sucedidas por combate.

A perda de explosão fica evidente na movimentação. Burns, que antes encurralava adversários com pressão constante e mudanças rápidas de nível, passou a depender mais da trocação em pé - justamente onde sofreu os nocautes mais duros da sequência negativa. O faixa-preta de jiu-jitsu da Kill Cliff FC caiu do 5º para o 11º posto no ranking da categoria em menos de dois anos.

Lesões acumuladas comprometem estilo agressivo

Segundo apuração do SportNavo, Burns lidou com lesões no joelho e no ombro direito entre 2022 e 2023, problemas que limitaram sua preparação para as lutas contra Brady e Morales. A capacidade de encaixar takedowns, marca registrada que o levou ao topo da divisão, foi diretamente afetada pela perda de potência nas pernas e pela hesitação em arriscar entradas mais explosivas.

Contra adversários de elite como Belal Muhammad e Sean Brady, Burns mostrou-se mais defensivo e reativo - postura oposta à agressividade que caracterizou suas vitórias sobre Tyron Woodley e Stephen Thompson. O tempo de reação também aumentou consideravelmente, permitindo que oponentes mais jovens ditassem o ritmo dos combates.

"Gostei de estar em mais um 'main event', de lutar contra o Mike Malott. É um cara bom, completo, mas não é um desses monstros assassinos que eu estava lutando, que nem Jack, Belal, esses caras. É um bom teste para mim, tenho muito mais experiência que ele"

Malott representa oportunidade de reconstrução

Mike Malott, de 32 anos e fora do top 15 da categoria, chega embalado por três vitórias consecutivas no peso meio-médio, mas ainda não enfrentou oponentes do calibre que Burns costuma encarar. O canadense possui 55% de finalizações por nocaute e 27% por finalização, números que podem favorecer Burns caso consiga levar a luta para o solo.

Os números revelam o declínio técnico Gilbert Durinho precisa reverter declíni
Os números revelam o declínio técnico Gilbert Durinho precisa reverter declíni

As casas de apostas colocam o brasileiro como azarão, reflexo direto da má fase e da vantagem de Malott lutar em casa, no Rogers Place, em Edmonton. Para Burns, representa a primeira oportunidade em dois anos de enfrentar um adversário teoricamente mais acessível - todos os seus últimos oponentes estavam ranqueados entre os dez melhores quando os enfrentou.

Momento decisivo para prolongar carreira

Uma quinta derrota consecutiva pode significar o fim da linha para Burns no UFC, organização onde compete há uma década e disputou 24 lutas. O brasileiro acumula 20 vitórias na carreira profissional, com 13 finalizações, mas precisa provar que ainda possui condições físicas para competir no mais alto nível.

A estratégia para vencer Malott passa necessariamente por explorar a experiência superior e buscar a finalização no solo, onde ainda mantém vantagem técnica sobre a maioria dos meio-médios. Burns precisa redescobrir a agressividade que o caracterizou no auge da carreira, quando finalizou Demian Maia e nocauteou Tyron Woodley em sequência memorável.

O UFC Canadá acontece neste sábado (18), com Burns e Malott fazendo a luta principal do card em Edmonton. Uma vitória pode recolocar o brasileiro no caminho de volta ao top 10, enquanto nova derrota pode forçar uma reflexão sobre o futuro da carreira aos 37 anos.