Um chute de fora da área, um desvio na trave, outro em Murilo e, por fim, o rebote fatal nas costas de Carlos Miguel. Esse encadeamento de eventos, registrado aos 26 minutos do segundo tempo no La Nueva Olla, em Assunção, transformou o que seria uma vitória segura do Palmeiras em um empate de 1 a 1 com o Cerro Porteño pela terceira rodada do Grupo F da Copa Libertadores. O resultado custou a liderança da chave ao time de Abel Ferreira, agora com cinco pontos — um a menos que o Sporting Cristal, que venceu na mesma rodada.

Domínio territorial sem eficiência defensiva no final

Os números do primeiro tempo são categóricos: 70% de posse de bola para o Palmeiras, que empurrou o Cerro para uma linha de cinco defensores e praticamente anulou qualquer transição ofensiva do time paraguaio. A equipe alviverde trabalhou bem a saída de bola, com Marlon Freitas atuando como pivô de distribuição no centro do campo — papel que elevou a cadência dos passes e criou superioridade posicional nos corredores laterais.

O gol saiu aos 32 minutos: Marlon Freitas recebeu, tabelou com Allan pela direita e serviu Jhon Arias, que empurrou para o fundo da rede em finalização limpa dentro da área. Antes disso, Allan havia acertado o travessão após bate-rebate na pequena área. O Cerro sequer ameaçou Carlos Miguel no primeiro tempo.

No segundo tempo, o Palmeiras rebaixou a linha de pressão e optou por administrar a posse sem buscar o segundo gol — decisão que, na avaliação do SportNavo, comprometeu a compactação no corredor central e abriu espaço para o crescimento paraguaio após a parada técnica.

O gol contra e a anatomia do lance

O empate não nasceu de uma jogada construída pelo Cerro, mas de uma sequência de desvios difíceis de prever e impossíveis de controlar. Iturbe, recém-entrado no jogo, chutou de canhota de fora da área. A bola desviou em Murilo, carimbou a trave e retornou na direção do próprio goleiro — que, de costas para o lance, não teve tempo de reposicionamento. O resultado foi o gol contra de Carlos Miguel, aos 26 minutos da segunda etapa.

Do ponto de vista técnico, o lance expõe uma vulnerabilidade pontual: quando a linha defensiva perde a compactação em transições após desvios múltiplos, o goleiro fica exposto em uma zona de indefinição. Não houve erro individual claro de Carlos Miguel — foi, objetivamente, um lance de baixíssima controlabilidade.

Palmeiras pressionou, mas Martín foi decisivo

Após sofrer o empate, o Palmeiras ativou uma transição ofensiva mais direta, apostando em bolas aéreas e cruzamentos. Nos acréscimos, a chance mais clara: Andreas Pereira cobrou falta na área, Murilo desviou de cabeça e o goleiro Arias defendeu com os pés. No rebote, Maurício chutou e a zaga tirou quase em cima da linha. Abel Ferreira promoveu cinco substituições na tentativa de alterar a dinâmica, mas o esquema não mudou estruturalmente — o Palmeiras seguiu sem encontrar espaços internos para construções de maior profundidade.

Segundo análise do SportNavo com base nos dados disponíveis, o Palmeiras criou suas melhores oportunidades no período entre 25 e 45 minutos do primeiro tempo, quando a posse foi convertida em pressão efetiva sobre a linha de cinco defensores do Cerro. No segundo tempo, a equipe nunca reproduziu aquela intensidade de forma consistente.

Situação no Grupo F e o que espera o Palmeiras

A tabela do Grupo F ao fim da terceira rodada ficou assim:

  • Sporting Cristal — 6 pontos (líder)
  • Palmeiras — 5 pontos (2º lugar)
  • Cerro Porteño — 4 pontos (3º lugar)
  • Junior Barranquilla — 1 ponto (4º lugar)

O Palmeiras permanece invicto, mas os dois empates fora de casa — ambos em partidas nas quais o time foi superior na maior parte do tempo — representam quatro pontos deixados para trás. A chave está matematicamente em aberto para três equipes.

O próximo compromisso na Libertadores é direto ao ponto: terça-feira, 5 de maio, em Lima, no Peru, contra o Sporting Cristal, às 19h (horário de Brasília). Uma vitória coloca o Palmeiras de volta à liderança; qualquer outro resultado fortalece os peruanos e reduz a margem de manobra do time alviverde para as três rodadas finais da fase de grupos. Antes, no sábado (2), o Verdão enfrenta o Santos no Allianz Parque, pela 14ª rodada do Brasileirão.