— Você viu o VAR chamar o Gabigol antes do gol? — Chamou, mas ele marcou mesmo assim. — Então tá bom.
Três falas, resumo fiel do que aconteceu na Vila Belmiro na madrugada desta quarta-feira. O Santos venceu o Deportivo Cuenca por 1 a 0 pela sexta rodada da fase de grupos da Copa Sudamericana 2026, com gol de Gabriel Barbosa aos 14 minutos, numa noite que prometeu mais do que entregou em termos de espetáculo, mas que cumpriu o que importava na tabela.
O começo eufórico (ou tenso)
O jogo mal havia completado onze minutos quando o VAR interveio pela primeira vez. A jogada envolvendo Gabriel Barbosa gerou revisão da arbitragem — o lance foi checado, liberado, e três minutos depois o próprio atacante converteu a cobrança que abriu o placar. A assistência foi de Igor Vinícius, que apareceu pelo lado direito e cruzou na medida para o chute com o pé direito do camisa 99.
O gol precoce colocou o Santos numa posição confortável, mas o Deportivo Cuenca não recuou imediatamente. O time equatoriano tentou reagir com pressão alta nos primeiros minutos após o gol, e o jogo ganhou uma temperatura que logo se traduziu em cartões. P. Boolsen levou amarelo aos 16 minutos, numa falta que expôs a frustração visitante diante da desvantagem no placar.
O meio que decidiu o tom
A partir dos 20 minutos, o Santos tratou de administrar. A equipe santista se comportou como uma parede de ferro no setor defensivo — compacta, sem espaços para as transições do Cuenca e sem se aventurar em contra-ataques desnecessários. A estratégia funcionou, mas gerou um jogo truncado, com muitas faltas e pouquíssimas finalizações no segundo terço da etapa inicial.
Gustavo Henrique recebeu amarelo aos 26 minutos numa disputa de bola pelo alto. Era o segundo cartão da noite, e não seria o último. O duelo ganhou um caráter físico que favorecia o time da casa, mais experiente em controlar esse tipo de ambiente. O Cuenca, por sua vez, perdeu Adonis Frías por amarelo aos 43 minutos e Andrés López levou o quarto cartão da partida já no acréscimo do primeiro tempo, aos 45.
Quatro cartões em 45 minutos revelam um jogo que nunca encontrou fluidez. O Santos, registrado pelo SportNavo como um dos times com maior índice de infrações sofridas na fase de grupos desta edição da Sudamericana, soube usar o regulamento a seu favor sem forçar situações desnecessárias.
O final que mudou tudo
O técnico do Cuenca entrou com quatro substituições simultâneas no intervalo — Jeremy Chacón, Melvin Díaz, David González e Nicolás Leguizamón foram trocados por A. Mosquera, Carlos Arboleda, Mateo Maccari e Germán Rivero. A movimentação era clara: o time equatoriano precisava de sangue novo para virar um placar que já ameaçava encerrar qualquer chance de classificação.
As mudanças alteraram o ritmo do Cuenca, mas não o resultado. O Santos manteve a organização defensiva no segundo tempo, recuou as linhas e apostou nos contra-ataques para ampliar. O gol adicional não veio, mas também não era necessário. O 1 a 0 se sustentou até o apito final, confirmando a vitória santista no Estádio Urbano Caldeira.
O que cada torcida levou para casa
Para o Santos, a vitória fecha a fase de grupos com um resultado que pode ser decisivo na disputa por classificação. Gabriel Barbosa, que entrou na mira do VAR antes mesmo de marcar, terminou a noite como protagonista — e seu gol, assistido por Igor Vinícius numa jogada trabalhada pela direita, mostrou que a equipe tem mecanismos táticos funcionando mesmo em noites sem brilho coletivo.
Para o Deportivo Cuenca, a derrota encerra a participação na fase de grupos com um saldo negativo. As quatro substituições no intervalo mostraram desespero mais do que estratégia, e os dois cartões amarelos sofridos antes do intervalo — Frías e López — comprometeram a capacidade de pressão na etapa final. O time equatoriano volta para casa sem pontos suficientes para avançar.
O Santos, agora com a campanha encerrada na fase de grupos da Copa Sudamericana 2026, aguarda a definição da tabela para conhecer seu adversário na próxima fase. A equipe retorna ao Brasileirão com um resultado positivo nas costas e com Gabigol em ritmo de jogo — o que, para a torcida santista, vale mais do que qualquer análise de desempenho coletivo.









