Quando Ronaldo Fenômeno tinha 19 anos, já havia sido artilheiro de uma Copa do Mundo. Endrick tem a mesma idade e acumula 3 gols em 14 jogos pela Seleção Brasileira — o maior artilheiro do ciclo Ancelotti para a Copa do Mundo. O número parece modesto até você perceber que Matheus Cunha, segundo colocado nessa lista, tem apenas 1 gol em 12 partidas. Esse gap de eficiência é exatamente o argumento que convenceu o Real Madrid a não emprestá-lo novamente.
O que os meses no Lyon construíram dentro e fora do campo
O empréstimo ao Lyon não foi um exílio — foi um laboratório. Com minutagem real e sequência de jogos, Endrick passou a atuar tanto centralizado quanto pelos lados do ataque, uma versatilidade que, em termos de dados, se traduz diretamente em progressive passes recebidos e defensive actions evitadas (ou seja, ele consegue criar espaço sem depender de bola parada).
Para contextualizar: progressive passes são passes que avançam pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário. Um atacante que se movimenta entre linhas e força o adversário a marcar em duas posições diferentes recebe mais desses passes — e gera mais situações de xG, o indicador que mede a probabilidade real de um chute virar gol. No Lyon, Endrick acumulou gols e assistências justamente porque o clube francês o usou nesse papel híbrido, e os números chamaram atenção da diretoria merengue.
Segundo o jornal espanhol AS, a avaliação interna no Real é de que o jovem de 19 anos pode assumir papel relevante no elenco, inclusive como alternativa direta na posição de centroavante. A decisão foi clara: sem novo empréstimo.
Por que a saída de Gonzalo García abre mais do que uma vaga
O atacante espanhol Gonzalo García será vendido, segundo o The Athletic. A movimentação não é só contábil — ela redefine a hierarquia do setor ofensivo. Com Rodrygo em recuperação de cirurgia no joelho e Brahim Díaz como opção de rotação, o Real precisava de alguém que pudesse entrar como 9 falso ou extremo sem perder eficiência de finalização.

Aqui entra a métrica de xG por 90 minutos: ela mede quantas chances de gol de qualidade um jogador gera ou finaliza a cada 90 minutos em campo. Um atacante que cria 0,4 xG/90 é considerado consistente em ligas de alto nível. O desempenho de Endrick no Lyon colocou-o acima da média para um jogador da sua faixa etária no futebol francês — e é esse dado que sustenta a confiança do clube.
- Endrick — 3 gols em 14 jogos pela Seleção; retorna ao Real Madrid em julho
- Matheus Cunha — 1 gol em 12 jogos no ciclo; segundo artilheiro do Brasil
- Igor Jesus — 1 gol em 5 jogos; menos minutagem no ciclo
- Gonzalo García — saída encaminhada; abre vaga no elenco merengue
O ataque que Endrick vai encontrar de volta ao Bernabéu
O setor ofensivo do Real para 2026/27 já tem estrutura definida: Mbappé e Vinícius Júnior como titulares incontestáveis, com Bellingham circulando entre meia e segundo atacante. O que muda é a camada seguinte — e Endrick entra exatamente nela.
Segundo o jornal AS, a diretoria do Real Madrid vê Endrick como peça capaz de disputar espaço no ataque ao lado de Mbappé e Vini Jr, com versatilidade para atuar tanto centralizado quanto pelos lados.
A reformulação geral do clube vai além do ataque: o AS aponta que até quatro reforços serão buscados, com prioridade defensiva diante das situações físicas de Militão, Mendy e Carvajal, e a possível saída de Alaba. Mourinho aparece como candidato ao comando técnico — e, caso assuma, encontrará um Endrick diferente do que foi deixado para trás no início da temporada, quando Xabi Alonso reduziu seu espaço.

Contratado do Palmeiras por cerca de 80 milhões de euros, o brasileiro chega ao segundo capítulo da sua história no Real com argumentos que a primeira passagem não tinha: sequência de jogos, gols na Seleção e um perfil tático que serve a mais de uma função no ataque. O retorno está previsto para julho, e a disputa por vaga começa antes mesmo do primeiro treino — como uma receita que precisa dos ingredientes certos no momento certo para fazer sentido.












