A Arena do Grêmio ficou em silêncio por alguns segundos quando o placar do Centenário fechou em 1 a 0, em abril. Era o terceiro minuto do segundo tempo, Eduardo Agüero finalizava rasteiro e o goleiro Weverton não conseguia segurar — a bola passou por baixo do corpo dele antes de entrar nas redes. O começo de uma equação que agora precisa ser resolvida em Porto Alegre.
O Grêmio entra em campo nesta terça-feira, 26 de maio, às 22h (horário de Brasília), na última rodada do Grupo F da Copa Sul-Americana, obrigado a vencer o Montevideo City Torque para avançar às oitavas de final. O adversário lidera a chave com dois pontos a mais que o Tricolor e chega a Porto Alegre com um plano tático bem definido — e com a vantagem psicológica de quem já ganhou o confronto direto.
O que o histórico na Arena revela sobre esta noite
Nenhuma equipe uruguaia venceu o Grêmio em competições oficiais disputadas na Arena do Grêmio. O dado não é mera curiosidade estatística: é o principal argumento do lado tricolor para sustentar o otimismo num momento em que a campanha no torneio deixa a desejar. O clube gaúcho terminou a primeira rodada na lanterna do Grupo F, sem pontuar, depois da derrota no Centenário — o mesmo estádio onde o Torque venceu o Deportivo Riestra por 4 a 1 na rodada seguinte, consolidando a liderança da chave.
A leitura que o SportNavo faz desse quadro é de uma vantagem contextual real, mas não determinante por si só. Histórico não marca gol. O que importa é o que o Grêmio consegue produzir taticamente diante de um adversário que já demonstrou — no jogo de ida e no triunfo sobre o Riestra — capacidade de adaptar o esquema conforme o adversário e o momento da partida.
O plano uruguaio com três zagueiros e o problema gremista
O técnico Marcelo Méndez deve repetir o esquema com três zagueiros que funcionou contra o Riestra, segundo análise do repórter Pablo Cupese, do jornal El País. A ausência do volante Pablo Siles, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, reforça essa tendência: sem o meio-campo titular, a linha defensiva reforçada passa a ser a melhor opção para proteger o resultado que classifica o Torque mesmo com um empate.

"Nessa partida, ele sacou um dos pontas e jogou com três zagueiros e dois alas. Como só acontece nestes casos, eles subiam para o ataque e defendiam com linha de cinco jogadores. Não seria estranho que volte a fazer isso, tendo em conta que joga de visitante e que o empate não seria ruim", avaliou Cupese.
A provável escalação do Torque tem Torgnascioli no gol; Agüero, Kevin Silva, Romero, Kagelmacher e Silvera na linha defensiva; Pizzichillo, Montes e Obregón no meio; e Salomón Rodríguez como referência ofensiva. O ponta Lecchini, que foi escalado no último jogo pelo Campeonato Uruguaio — uma vitória por 2 a 1 sobre o Progreso no sábado, com titulares preservados —, pode ser o sacrificado para dar lugar a Kociubinski no esquema mais compacto.
Aqui está o núcleo do problema gremista: vencer uma equipe que se fecha com cinco defensores exige criatividade, largura e velocidade nas transições. É como tentar tocar uma música de jazz com uma banda que ensaiou só samba — os instrumentos estão lá, mas o arranjo precisa mudar em tempo real… e aí vem o problema.
O que os números da campanha dizem sobre as chances reais
O Grêmio do técnico Luiz Castro entrou na Copa Sul-Americana como nono colocado do último Brasileirão — uma posição que já indicava um time em processo de reconstrução, não um candidato ao título. A derrota na estreia, combinada com o gol sofrido por falha de Weverton no lance em que Obregón recebeu em velocidade e tocou para Agüero finalizar sozinho, colocou o clube gaúcho numa situação que exige vitória simples: qualquer outro resultado elimina o Tricolor ainda na fase de grupos.
A torcida gremista sentiu o peso da derrota no Centenário.
"É de explodir a cabeça do gremista", disse o comentarista Quetelin logo após o apito final da primeira rodada.A frase captura bem o estado de espírito de uma torcida que esperava, no mínimo, um empate fora de casa para chegar à decisão em Porto Alegre com margem de manobra.
Agora, sem essa margem, o cenário é binário: vencer ou ir para casa. O Torque, por sua vez, joga sabendo que um empate basta. A matemática favorece os uruguaios, e o plano tático de Méndez — com os titulares descansados após o fim de semana — foi desenhado exatamente para explorar essa vantagem.
O jogo começa às 22h desta terça-feira na Arena do Grêmio. O vencedor do Grupo F enfrenta um adversário ainda a definir nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Para o Grêmio, o histórico favorável em casa contra uruguaios precisa se confirmar exatamente quando mais importa — ou a campanha continental de 2026 termina antes de junho.












