Diz-se que o futebol saudita retém seus astros com contratos blindados. Na prática, o Al-Hilal já negociou saídas antecipadas quando a compensação financeira justificou — e é exatamente nessa brecha que o Grêmio tenta se encaixar para repatriar Malcom em 2026.

Malcom no Al-Hilal e o contrato que complica tudo

O atacante Malcom tem vínculo com o clube saudita até meados de 2027. O Al-Hilal investiu alto na contratação do brasileiro e não demonstra urgência em abrir mão de um jogador com participação consistente em gols e minutos relevantes na Saudi Pro League nesta temporada.

SÃO PAULO ANUNCIA A CONTRATAÇÃO DE DORIVAL JÚNIOR | TÁ NA ÁREA | sportv

O salário anual de Malcom gira em torno de dezenas de milhões de euros — estimativas de mercado apontam para um pacote entre €20 milhões e €25 milhões brutos por ano, incluindo luvas e bônus. Esse valor está entre os maiores do elenco do Al-Hilal, que também conta com Neymar em recuperação e Rúben Neves como referência técnica.

"Malcom já declarou em mais de uma oportunidade o desejo de voltar ao futebol brasileiro antes de encerrar a carreira", segundo relatos da imprensa saudita que acompanhou o jogador nos últimos meses.

O atacante, de 27 anos, construiu trajetória que passou por Corinthians, Bordeaux, Barcelona e Zenit antes de chegar à Arábia Saudita em 2023. O valor de mercado estimado pelo Transfermarkt é de €25 milhões — número que serve de piso para qualquer negociação de transferência definitiva.

O que o Grêmio já moveu nos bastidores

Fontes ligadas ao mercado confirmam que o Grêmio realizou consultas formais ao estafe de Malcom para mapear condições de uma possível transferência. Não há proposta oficial na mesa. O clube gaúcho sondou o terreno antes de comprometer qualquer recurso financeiro.

A operação, para sair do papel, exige criatividade estrutural. Entre os modelos discutidos no mercado para movimentações desse porte estão empréstimo com opção de compra, transferência definitiva parcelada ao longo de 24 a 36 meses, participação do Al-Hilal em percentual de revenda futura e metas esportivas atreladas a bônus. Nenhum desses formatos, isoladamente, resolve o problema salarial.

O Grêmio encerrou 2025 com receita total próxima de R$ 450 milhões, segundo balanço divulgado pelo clube. Bancar um salário mensal equivalente a R$ 10 milhões ou mais — estimativa conservadora baseada no pacote saudita — comprometeria o teto de gastos do elenco inteiro. A conta não fecha sem dinheiro externo.

"Para uma operação desse tamanho, o clube precisa de um parceiro financeiro disposto a absorver parte do custo salarial", afirmou uma fonte do mercado de transferências consultada pela reportagem, sem autorização para ser identificada.

Investidores externos como peça central da negociação

A dependência de investidores externos não é novidade no futebol brasileiro de 2026. Modelos como os adotados pelo Botafogo com o grupo 777 Partners — antes do colapso — e pelo Cruzeiro com a SAF de Pedro Lourenço abriram caminho para operações que antes seriam impossíveis para clubes da Série A.

No caso do Grêmio, a busca por um parceiro que banque ao menos 60% do custo salarial de Malcom é o ponto crítico. Grupos ligados ao marketing esportivo e fundos de investimento com interesse no mercado brasileiro já foram mapeados pelo clube, mas nenhum acordo foi formalizado até a publicação desta matéria.

A operação também tem componente comercial relevante. Malcom possui projeção internacional e base de seguidores que ultrapassa 8 milhões nas redes sociais. Um patrocinador máster disposto a associar a marca ao retorno do atacante poderia absorver parte do custo, como ocorreu em negociações similares envolvendo clubes europeus de médio porte.

A imagem do negócio lembra um temporal sem trovão — há pressão acumulada, movimentação nos bastidores e sinais claros de que algo está se formando, mas nenhum raio tocou o chão ainda. O Al-Hilal não deu sinal verde, o investidor não está confirmado e o Grêmio não apresentou proposta formal.

A janela de transferências internacional se abre em julho de 2026. O Grêmio tem até lá para estruturar uma oferta que convença o Al-Hilal a liberar Malcom com mais de um ano de contrato pela frente — e a pergunta que o mercado vai responder nas próximas semanas é direta: se um investidor fechar parceria com o clube gaúcho antes de 30 de junho, o tricolor entra na janela com proposta real ou o nome de Malcom some da pauta até 2027?