Antoine Griezmann vive a antessala daquele que pode ser o último capítulo glorioso de sua segunda passagem pelo Atlético de Madrid. Aos 33 anos, o atacante francês tem pela frente não apenas uma final da Copa del Rey, mas a possibilidade de encerrar sua trajetória rojiblanca com o troféu que ainda falta em sua coleção pelo clube da capital espanhola. O adversário desta tarde no Estádio de La Cartuja carrega simbolismo especial: a Real Sociedad, justamente o clube onde deu os primeiros passos como profissional há mais de uma década.

A despedida anunciada para o Orlando City, da MLS, ao final desta temporada, transformou cada partida decisiva em uma oportunidade única de perpetuar seu legado no Wanda Metropolitano. Diferentemente do que ocorreu em outras grandes finais europeias disputadas pelo Atlético nos últimos anos, Griezmann chega a este duelo com a maturidade de quem já enfrentou a pressão de momentos decisivos e conhece tanto o peso quanto o prazer de levantar troféus importantes.

O retrospecto de Griezmann em finais pelo Atlético Griezmann busca coroar desped
O retrospecto de Griezmann em finais pelo Atlético Griezmann busca coroar desped
"Quero que cada minuto que me resta aqui seja uma homenagem a este escudo. O melhor ainda está por vir", declarou Griezmann em março, ao confirmar sua saída rumo à Major League Soccer.

O retrospecto de Griezmann em finais pelo Atlético

A história do francês em partidas decisivas com a camisa rojiblanca apresenta altos e baixos que espelham a própria trajetória do clube nas últimas décadas. Durante sua primeira passagem (2014-2019), participou de duas finais da Champions League - contra Real Madrid em 2016 e Liverpool em 2019 - ambas perdidas, mas onde demonstrou personalidade para assumir responsabilidades nos momentos de maior tensão. Seu desempenho na final de 2016 em Milão, especialmente na cobrança do pênalti que empatou a partida, evidenciou sua capacidade de protagonismo em jogos de altíssima voltagem.

O retrospecto em competições domésticas, contudo, apresenta uma lacuna significativa. Diferentemente de sua passagem pelo Barcelona, onde conquistou a Copa del Rey em 2021, Griezmann ainda não ergueu este troféu específico pelo Atlético. A conquista da Supercopa da Espanha em 2014 e da Liga Europa em 2018 compõem seu currículo madrilenho, mas a Copa permanece como o título pendente de sua relação com o clube comandado por Diego Simeone.

"É uma final que pouquíssimos jogadores têm a oportunidade de disputar. Por isso, traz uma alegria e um orgulho imensos", destacou o atacante em coletiva de imprensa na véspera do confronto.

O reencontro emocional com a Real Sociedad

A dimensão psicológica desta final ganha contornos particulares quando se considera que Griezmann enfrentará justamente o clube que o formou profissionalmente. Entre 2009 e 2014, o francês disputou 201 partidas pela Real Sociedad, marcando 52 gols e estabelecendo-se como uma das principais revelações do futebol espanhol naquele período. O ambiente de Anoeta foi onde desenvolveu as características técnicas e táticas que posteriormente o tornaram um dos atacantes mais versáteis da Europa.

Segundo apuração do SportNavo, o atacante mantém vínculos afetivos com diversos integrantes do elenco txuri-urdin, especialmente com jogadores como Mikel Oyarzabal e Martin Zubimendi, com quem compartilhou vestiários tanto no clube quanto na seleção francesa e espanhola, respectivamente. Esta familiaridade pode representar tanto uma vantagem - pelo conhecimento mútuo dos padrões de jogo - quanto um fator complicador adicional em um confronto já naturalmente carregado de pressão.

A Real Sociedad, por sua vez, chega à final embalada pela melhor campanha da temporada e com a motivação extra de conquistar seu primeiro título de Copa del Rey desde 1987. O técnico Imanol Alguacil construiu um time que mescla a traditional filosofia ofensiva basca com solidez defensiva, criando um adversário particularmente desafiador para o pressing alto característico do sistema de Simeone.

Entre o legado e a última oportunidade

O contexto desta final transcende os 90 minutos no gramado de Sevilha. Para Griezmann, representa a chance de encerrar sua segunda passagem pelo Atlético com um título que simbolizaria a reconciliação definitiva com a torcida rojiblanca - relação que passou por turbulências após sua polêmica saída para o Barcelona em 2019. O francês retornou em 2021 inicialmente por empréstimo, mas conquistou gradualmente o perdão dos ultras e recuperou o status de ídolo que possuía em sua primeira passagem.

O reencontro emocional com a Real Sociedad Griezmann busca coroar despedida do A
O reencontro emocional com a Real Sociedad Griezmann busca coroar despedida do A

A temporada 2024-25 marca também um momento de transição geracional no futebol europeu. Jogadores como Griezmann, Benzema e Modric representam uma geração que dominouos palcos continentais na última década e agora busca novos desafios em ligas emergentes como a MLS ou a Saudi Pro League. Neste contexto, cada título conquistado assume dimensões de legado histórico, especialmente em clubes com tradição centenária como o Atlético de Madrid.

"Espero que Deus e o destino lhe concedam aquilo que ele busca durante o tempo que lhe resta no clube", declarou Diego Simeone ao se referir aos objetivos de Griezmann nesta reta final de temporada.

O Atlético de Madrid e a Real Sociedad se enfrentam neste sábado (18), às 16h (horário de Brasília), no Estádio de La Cartuja, em Sevilha. Além da Copa del Rey, Griezmann ainda tem pela frente a semifinal da Champions League contra o Manchester City, marcada para a próxima semana, oferecendo uma segunda oportunidade de despedida triunfal caso o título doméstico escape das mãos rojiblancos.