5 pontos. Essa é a distância que separa o Manchester City do Arsenal na tabela da Premier League com apenas três rodadas restantes. Não é matematicamente impossível — mas exige que o City vença todos os jogos que restam e torça para o Arsenal tropeçar. O primeiro passo obrigatório acontece nesta quarta-feira, às 16h (de Brasília), no Etihad Stadium: o adversário é o Crystal Palace, time que chega sem pressão nenhuma e com a cabeça já na final da Conference League contra o Rayo Vallecano, marcada para 27 de maio.

O que os números do City revelam nessa reta final

A vitória por 3 a 0 sobre o Brentford no fim de semana deu fôlego ao elenco de Guardiola, mas os dados contam uma história mais complexa. Analisando as últimas cinco partidas do City, o time apresentou um xG (expected goals) médio de 2.3 por jogo — número alto, que reflete uma equipe criando chances de qualidade. O problema está na consistência defensiva: o PPDA (passes permitidos por ação defensiva) do City oscilou bastante, indicando que o pressing alto não está sendo aplicado com a mesma intensidade dos anos anteriores.

Outro dado que chama atenção é o volume de progressive passes — aqueles que avançam pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário. Bernardo Silva lidera essa métrica no elenco com média de 7.4 por partida nesta temporada, funcionando como o principal conector entre meio e ataque. Quando ele não está em dia, o City perde fluidez.

  • xG médio City (últimas 5 partidas): 2.3 por jogo
  • Progressive passes de Bernardo Silva: 7.4 por partida na temporada
  • Pontos necessários para alcançar o Arsenal: 9 em 9 possíveis, mais torcer por tropeços dos Gunners

O SportNavo mapeou que, nas últimas três temporadas, o City de Guardiola tem xG defensivo (xGA) abaixo de 0.9 quando o PPDA fica abaixo de 8 — ou seja, quando o pressing funciona, a defesa é quase impermeável. O desafio é manter esse ritmo com um elenco que acumula partidas.

Guardiola e o medo que ele não esconde

Nas palavras do próprio Guardiola em coletiva recente, o maior temor não é o Crystal Palace em si — é o desgaste físico acumulado pelo elenco após uma temporada de recuperação. O treinador espanhol tem repetido que a equipe precisará de gestão cuidadosa de minutos, mas contra o Palace, não há espaço para rotação: a escalação será com força máxima.

"Não podemos controlar o que o Arsenal faz. Só podemos controlar o que nós fazemos." — Pep Guardiola, em entrevista pré-jogo.

A provável escalação do City tem Donnarumma no gol; Matheus Nunes, Aké, Marc Guéhi e Nico O'Reilly na defesa; Bernardo Silva e Nico González no meio; Semenyo, Cherki e Doku apoiando Haaland. O norueguês, que já marcou mais de 25 gols na temporada, é o principal referencial ofensivo e o jogador com maior xG individual do elenco — média de 0.68 por partida.

Já o Crystal Palace chega com três desfalques confirmados: Caleb Kporha, Edward Nketiah e Cheick Doucouré estão no departamento médico. Oliver Glasner deve escalar Henderson; Richards, Lacroix e Canvot; Muñoz, Wharton, Kamada, Michell, Sarr e Johnson; Larsenn.

Palace sem nada a perder — e por que isso é perigoso

Times que jogam sem pressão de resultado são, estatisticamente, adversários mais imprevisíveis. O Crystal Palace tem 44 pontos e está matematicamente a salvo do rebaixamento. Glasner pode usar esse jogo para testar peças e poupar titulares visando a final europeia — o que, paradoxalmente, pode criar um adversário mais leve e rápido em transição.

As defensive actions do Palace têm sido consistentes na temporada: média de 52 ações defensivas por jogo, com boa taxa de recuperação de bola no terço médio. Se o time de Glasner conseguir compactar os espaços e explorar contra-ataques, o City terá de resolver o jogo com paciência e circulação — exatamente o que o xA (expected assists) de Doku e Cherki precisa para se converter em gols reais.

"Vamos a Manchester para jogar nosso futebol. Temos um objetivo maior em maio." — Oliver Glasner, referindo-se à final da Conference League.

O jogo desta quarta é o penúltimo compromisso do City antes do encerramento da temporada inglesa. Após o Palace, restam mais dois jogos — e qualquer tropeço agora entrega matematicamente o título ao Arsenal. A transmissão é pelo Plano Premium do Disney+.

Se o City vencer hoje e o Arsenal perder nos próximos jogos, a diferença pode cair para 2 pontos na última rodada — e aí, você toparia ver um título decidido no último minuto da última rodada, com os dois times jogando ao mesmo tempo?