Três seleções. Seis jogos. Zero pontos. Haiti, Copa do Mundo encerrada antes mesmo de completar dois jogos; Turquia, favorita discreta do Grupo D, derrotada por Austrália e Paraguai; Tunísia, varrida por 5 a 1 pela Suécia na estreia e depois goleada por 4 a 0 pelo Japão, em Monterrey, na madrugada deste domingo, 21 de junho. Três histórias distintas que convergem para o mesmo ponto de chegada: a primeira classe de eliminados da Copa de 2026.

O Haiti que voltou após 52 anos e não resistiu nem a uma semana

A última vez que o Haiti havia disputado uma Copa do Mundo foi em 1974, na Alemanha Ocidental. Cinquenta e dois anos de espera para um retorno que durou exatos dois jogos. Na estreia, derrota por 1 a 0 para a Escócia, no Grupo C. Na segunda rodada, o Brasil aplicou 3 a 0 e encerrou qualquer equação matemática. Com zero ponto e saldo de gols de menos quatro, os haitianos se tornaram a primeira seleção eliminada desta edição do torneio, conforme registrado pelo SportNavo logo após o apito final da partida contra a Seleção Brasileira.

BÉLGICA X IRÃ | COPA DO MUNDO 2026 | 2ª RODADA | FASE DE GRUPOS AO VIVO COM IMAGENS
O Haiti que voltou após 52 anos e não resistiu nem a uma semana Haiti, Turquia e
O Haiti que voltou após 52 anos e não resistiu nem a uma semana Haiti, Turquia e

A distância entre o Haiti e os adversários do grupo lembra aquela entre Manaus e Belém em linha reta — não é absurda no mapa, mas é intransponível sem estrutura. O país caribenho convocou jogadores espalhados por ligas de segunda e terceira divisão da Europa, incluindo um goleiro que atua na quinta divisão alemã. Qualidade técnica e organização tática foram deficits permanentes. Contra a Escócia, o time não finalizou sequer uma vez no alvo. Contra o Brasil, o cenário foi de controle absoluto do adversário desde os primeiros minutos. O Haiti ainda entra em campo contra Marrocos na última rodada, mas apenas para cumprir tabela.

A Turquia que era candidata a surpresa e não surpreendeu ninguém

Antes do torneio, os turcos eram apontados por analistas europeus como uma das seleções com potencial de zebra. Arda Güler, revelado pelo Real Madrid, e Hakan Çalhanoğlu, capitão e motor da Inter de Milão, compunham um meio-campo de nível europeu alto. O que aconteceu em campo foi diferente. Derrota por 2 a 0 para a Austrália na estreia, seguida de 1 a 0 para o Paraguai — uma seleção que ninguém havia apontado como favorita no Grupo D.

"Antes do torneio, os turcos eram vistos como candidatos a surpresas, mas acabaram decepcionando com derrotas para Austrália e Paraguai", resumiu a CNN Brasil ao confirmar a eliminação.

Dois jogos, duas derrotas, dois gols marcados contra, zero a favor. A Turquia não apenas perdeu — perdeu sem marcar. Çalhanoğlu foi discreto. Güler apareceu em lampejos, mas sem o peso esperado de quem saiu do Santiago Bernabéu como titular. O técnico Vincenzo Montella, italiano que assumiu o comando turco em 2023, não encontrou equilíbrio defensivo nem consistência ofensiva. O próximo adversário é os Estados Unidos, na última rodada, numa despedida sem aposta.

A Tunísia destruída em nove gols em dois jogos

Se Haiti e Turquia saíram pela porta dos fundos, a Tunísia saiu pela janela do porão. Cinco a um para a Suécia na estreia. Quatro a zero para o Japão neste domingo, em Monterrey. Nove gols sofridos em dois jogos, um marcado. O saldo de menos oito coloca os tunisianos numa posição estatística que não tem precedente recente para uma seleção africana em Copas do Mundo.

Contra o Japão, o goleiro Dahmen tentou o impossível. Num lance do primeiro tempo, fez uma defesa literalmente em cima da linha que precisou ser confirmada pela tecnologia do chip dentro da bola — a bola havia entrado quase inteiramente. Kamada abriu o placar aos três minutos. Ueda marcou duas vezes. Ito completou o placar após triangulação pelo meio. Aos 38 minutos do segundo tempo, Ueda finalizou de cabeça para selar o 4 a 0. O zagueiro Bronn, que havia evitado um gol certo de Ueda na primeira etapa, foi um dos poucos a sair sem humilhação individual.

"O Japão não ficou para trás", escreveu a Agência Brasil ao comparar o desempenho nipônico com o da Holanda, que havia goleado a Suécia anteriormente no mesmo grupo.

A Tunísia encerra sua participação contra a Holanda, em Kansas City. Será o terceiro jogo do torneio e, para os tunisianos, o terceiro sem nada a disputar além da honra.

O efeito cascata que essas eliminações produzem no torneio

Com três eliminadas confirmadas antes da última rodada da fase de grupos, o formato de 48 seleções da Copa de 2026 — que classifica os dois primeiros de cada grupo mais os oito melhores terceiros — mostra sua face mais cruel para quem chega sem condição de competir. A margem maior de classificação não protege quem não soma um ponto sequer.

No Grupo F, a eliminação precoce da Tunísia já organizou o cenário para a fase de mata-mata. Japão e Holanda lideram com quatro pontos cada, separados apenas pelo saldo de gols — os holandeses têm um gol a mais. Suécia, com três pontos, ainda pode terminar em primeiro. Os dois classificados desse grupo enfrentarão os dois primeiros do grupo do Brasil na primeira fase eliminatória: com a classificação atual, os confrontos seriam Brasil x Japão e Holanda x Marrocos. A rodada decisiva do Grupo F acontece na quinta-feira, com Japão x Suécia em Dallas e Holanda x Tunísia em Kansas City.