"Nos comprometemos a eliminar todos os que lideraram o massacre de 7 de outubro, e é exatamente isso que faremos." A declaração é do ministro da Defesa israelense Israel Katz, publicada após a confirmação da morte de Mohammed Odeh — e ela não soa como retórica vazia quando se observa o que aconteceu nos dez dias anteriores.
Em 15 de maio de 2026, Israel confirmou a morte de Iss al-Din al-Haddad, chefe militar das Brigadas Al-Qassam no território de Gaza. Menos de duas semanas depois, Mohammed Odeh — que teria assumido o posto logo após a queda do antecessor — foi morto em um ataque aéreo sobre Gaza-Stadt. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e Katz o descreveram como "um dos arquitetos do massacre de 7 de outubro", quando Odeh exercia a função de chefe de inteligência das mesmas brigadas. O Hamas confirmou a morte de Odeh, embora nunca tenha reconhecido oficialmente sua nomeação ao cargo máximo.
A cronologia que transforma a promoção em sentença
O padrão que emerge desta sequência é operacionalmente significativo. Al-Haddad foi morto em 15 de maio. Odeh foi identificado como sucessor e eliminado antes de completar dez dias no cargo. Segundo relatos de fontes médicas no Gazastreifen citadas pela imprensa europeia, o ataque que matou Odeh atingiu uma residência em Gaza-Stadt com intensidade suficiente para matar também sua esposa e dois filhos, além de deixar cerca de 20 feridos. A Defesa Civil palestina registrou seis mortos no local.
Isso significa que Israel não apenas monitorava a cadeia de sucessão do Hamas em tempo real, mas conseguiu agir antes que o novo comando se consolidasse. A pergunta que fica para a estrutura de liderança do grupo é brutal em sua simplicidade: quem aceita o posto agora?
O vácuo de comando e o que ele revela sobre o Hamas em Gaza
Desde o ataque de 7 de outubro de 2023 — quando terroristas do Hamas e aliados mataram mais de 1.200 pessoas e sequestraram 251 reféns para Gaza — Israel vem executando uma campanha sistemática de decapitação da liderança militar do grupo. Odeh era, segundo as autoridades israelenses, um dos quadros mais influentes que ainda operava dentro do território, tendo acumulado poder ao longo de anos como chefe de inteligência das Al-Qassam.
A eliminação em sequência de dois comandantes militares em menos de duas semanas aponta para uma fragilidade estrutural que vai além da perda de indivíduos. Organizações militares resilientes constroem camadas de liderança com identidades protegidas e localizações compartimentadas. O que a cronologia de maio de 2026 sugere é que o Hamas, pelo menos em sua dimensão operacional dentro de Gaza, não conseguiu manter esse nível de compartimentação — ou que as informações de inteligência israelense, possivelmente alimentadas por redes de colaboradores internos, reduziram drasticamente o tempo entre a identificação de um novo líder e sua eliminação.
"Odeh era responsável pelo assassinato, sequestro e ferimento de numerosos civis e soldados israelenses", declararam Netanyahu e Katz em comunicado conjunto, reafirmando que Israel continuará perseguindo todos os envolvidos no ataque de outubro de 2023.
A armadilha da sucessão e o que vem a seguir
Apesar da pressão militar, o Hamas mantém uma estrutura política que opera parcialmente fora de Gaza — e que historicamente serviu como reservatório de liderança quando o braço armado sofreu perdas. O problema imediato, contudo, é que as negociações indiretas em curso sobre a segunda fase do cessar-fogo — que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses — dependem de interlocutores com autoridade real dentro da organização.

- Cessar-fogo oficial vigente desde outubro de 2025, com violações registradas por ambos os lados
- Al-Haddad morto em 15 de maio de 2026
- Odeh nomeado sucessor e morto em menos de dez dias
- Hamas não confirmou oficialmente nenhuma das duas nomeações
- Negociações sobre fase dois do acordo seguem travadas
O SportNavo acompanhou os desdobramentos desta sequência e o que chama atenção, do ponto de vista da análise de estruturas organizacionais sob pressão, é a velocidade com que Israel demonstrou capacidade de atualizar seus alvos. Não se trata apenas de poder de fogo — trata-se de inteligência em tempo real sobre uma organização que tentou, ao longo de décadas, operar na clandestinidade.
A questão prática que se coloca agora é quem, dentro do Hamas, tem legitimidade suficiente para conduzir as negociações da segunda fase do cessar-fogo sem se expor ao mesmo risco que custou a vida a Odeh e al-Haddad. Enquanto essa resposta não aparecer, o acordo permanece suspenso — e a próxima rodada de negociações indiretas, prevista para as próximas semanas no Catar, pode revelar se o Hamas ainda tem capacidade de sentar à mesa com um comando reconhecível.









