Hassan Al-Haydos carrega nos ombros uma responsabilidade que poucos jogadores experimentaram na história do futebol mundial: ser o protagonista da transformação de uma seleção nacional. Aos 33 anos, o capitão catariano acumula 183 partidas pela seleção nacional — recorde absoluto do país — e testemunhou a evolução de uma equipe que ocupava a 113ª posição no ranking FIFA em 2010 para se tornar anfitriã da Copa do Mundo de 2022.

Trajetória de recordes e marcos históricos

A carreira de Al-Haydos pela seleção catariana começou em 2008, quando tinha apenas 17 anos. Desde então, construiu números impressionantes que o consolidam como o maior ídolo do futebol nacional: 39 gols em 183 jogos, média de 0,21 gol por partida que o coloca como artilheiro histórico da seleção. Para comparação, seu compatriota Akram Afif, segundo maior goleador, soma 26 gols em 97 partidas.

O meia-atacante foi peça fundamental na conquista da Copa da Ásia de 2019, primeira competição continental vencida pelo Catar. Naquele torneio disputado nos Emirados Árabes Unidos, Al-Haydos marcou três gols e deu quatro assistências em sete jogos, estatísticas que o colocaram entre os melhores jogadores da competição. A final contra o Japão, vencida por 3 a 1, marca o momento de maior glória na carreira do capitão.

Liderança na Copa do Mundo de 2022

Como capitão na Copa do Mundo disputada em casa, Al-Haydos enfrentou a pressão histórica de liderar a primeira participação catariana em Mundiais. Embora a campanha tenha terminado na primeira fase — com derrotas para Equador (0-2) e Senegal (1-3) e vitória sobre a Holanda (1-0) —, sua liderança foi reconhecida internacionalmente. O SportNavo apurou que Al-Haydos foi o jogador catariano com maior número de passes certos durante o torneio: 127 em 189 tentativas, aproveitamento de 67%.

O gol marcado contra Senegal, aos 78 minutos do segundo tempo, representou não apenas o primeiro tento catariano em Copas do Mundo, mas também coroou uma trajetória de 14 anos vestindo a camisa nacional. Aquele momento eternizou Al-Haydos na história do futebol mundial, transformando-o no primeiro jogador nascido no Catar a balançar as redes em uma Copa.

Impacto na formação de jovens talentos

A influência de Al-Haydos transcende os gramados e se estende às categorias de base do futebol catariano. Segundo dados da Federação Catariana de Futebol compilados em 2023, o número de jovens registrados em academias de futebol aumentou 340% entre 2010 e 2022, período que coincide com a ascensão do capitão como referência nacional.

Jogadores como Akram Afif, Almoez Ali e Abdulaziz Hatem frequentemente citam Al-Haydos como inspiração direta em suas carreiras. O atacante Almoez Ali, artilheiro da Copa da Ásia de 2019 com nove gols, declarou em entrevista à imprensa local que "Hassan sempre foi nosso exemplo de dedicação e amor pela camisa".

"Quando chegamos à seleção principal, Hassan nos ensinou que representar o Catar vai além de jogar futebol. É carregar a responsabilidade de um país inteiro"

Legado rumo à Copa de 2026

Aos 33 anos, Al-Haydos se prepara para disputar sua segunda Copa do Mundo, desta vez nos Estados Unidos, México e Canadá. A classificação catariana para o Mundial de 2026 foi garantida através da repescagem asiática, campanha na qual o capitão marcou dois gols decisivos contra a Jordânia nas semifinais.

Trajetória de recordes e marcos históricos Hassan Al-Haydos construiu legado úni
Trajetória de recordes e marcos históricos Hassan Al-Haydos construiu legado úni

Estatisticamente, Al-Haydos já supera lendas do futebol asiático em longevidade internacional. Seus 183 jogos pela seleção o colocam entre os cinco jogadores com mais partidas por seleções asiáticas na história, ao lado de nomes como Cha Bum-kun (Coreia do Sul, 136 jogos) e Ali Daei (Irã, 149 jogos).

O Catar estreia na Copa de 2026 contra a Colômbia, em 11 de junho, no Estádio Mercedes-Benz, em Atlanta. Para Al-Haydos, será a oportunidade de escrever um novo capítulo na história do futebol catariano, agora com a experiência de quem moldou uma geração inteira de jogadores em seu país natal.