Não, Hulk não é o atacante mais veloz do futebol brasileiro em 2026 — e essa nunca foi a questão. A pergunta que o Fluminense se fez, e respondeu com a contratação anunciada nesta terça-feira (5), é outra: quantos centroavantes do país ainda carregam o peso de um jogo inteiro nas costas, constrangem linhas defensivas com a presença física e ainda convertem chances com a frieza de quem marcou 140 gols num único clube? A resposta, ao que tudo indica, passa pelo número 39 — a idade de Givanildo Vieira de Sousa.

O legado que Hulk deixa no Atlético-MG

Desde que chegou ao Galo em 2021, Hulk construiu um currículo que poucos atacantes brasileiros podem reivindicar numa única passagem por um clube. Foram 309 jogos, 140 gols e 55 assistências — números que, colocados lado a lado, lembram os totais de um striker europeu em sua fase mais produtiva. No primeiro ano, sozinho, marcou 36 gols e distribuiu seis assistências, sendo peça central nos títulos do Brasileirão e da Copa do Brasil. Ao longo da passagem pelo Mineiro, acumulou ainda cinco títulos do Campeonato Mineiro e uma Supercopa do Brasil. Em 2026, antes da saída, somou cinco gols em 22 jogos — números modestos para o padrão que ele mesmo estabeleceu, mas suficientes para confirmar que o faro de gol permanece intacto.

"VERDE, branco e grená. Pra abalar as estruturas de todos os cantos do Rio de Janeiro e do Brasil, Hulk é do Fluminense Football Club. #NósTemosOHulk", publicou o clube nas redes sociais ao confirmar o acerto.

O que Hulk entrega ao Fluminense que o elenco atual não tem

Quem acompanhou o futebol europeu nos últimos anos sabe que o papel do target man — o centroavante de referência que fixa a defesa, protege a bola e libera os meias para chegarem ao segundo pau — nunca saiu de moda, mesmo na era do pressing alto e do gegenpressing. No Fluminense de Mano Menezes, onde a circulação de bola pelo meio ainda busca consistência, Hulk representa exatamente esse arquétipo: um corpo que a defesa adversária precisa respeitar, que cria espaço para os jogadores ao redor sem precisar correr 90 minutos. O levantamento do SportNavo sobre o aproveitamento ofensivo tricolor nesta temporada reforça a ausência de um finalizador de área com esse perfil no elenco.

O vínculo assinado vai até o fim de 2027, com opção de renovação por mais uma temporada — o que indica que o Fluminense não enxerga Hulk como solução emergencial, mas como peça de médio prazo. O interesse do clube não é novo: a diretoria já havia tentado a contratação no início de 2026, mas o atacante optou por permanecer em Belo Horizonte até o desgaste na relação com o Atlético-MG se tornar irreversível.

A leitura de conjunto e os próximos desafios tricolores

Há um paralelo interessante com o que o Barcelona fez em certas janelas de mercado ao longo dos anos 2010: contratar experiência e caráter quando o elenco jovem precisava de liderança dentro de campo, não apenas de talento. Hulk, independentemente dos minutos que acumular, carrega consigo uma autoridade que não se compra em atacantes de 22 anos. Essa presença — o que os ingleses chamariam de big-game mentality — pode ser determinante numa Libertadores, onde o Fluminense enfrenta o Independiente Rivadavia já nesta quarta-feira (6), às 21h30, pelo grupo da competição continental.

O legado que Hulk deixa no Atlético-MG Hulk aos 39 anos chega ao Fluminense par
O legado que Hulk deixa no Atlético-MG Hulk aos 39 anos chega ao Fluminense par

Na sequência, o tricolor tem o Vitória pelo Brasileirão no dia 9 de maio e o Operário pela Copa do Brasil no dia 12. Três competições em uma semana — exatamente o tipo de calendário que exige profundidade de elenco e um nome capaz de decidir quando os titulares habituais não estiverem em seu melhor momento. Hulk está disponível — falta o palco.