Doze partidas. Esse é o número exato que colocou Hulk no centro das movimentações do mercado brasileiro e precipitou um dos dramas mais reveladores da temporada. O atacante paraibano de 39 anos atingiu o limite imposto pelo regulamento da CBF para o Campeonato Brasileiro, o que o impede de entrar em campo por outro clube na Série A caso dispute mais um jogo. Foi exatamente por isso que o Atlético-MG o retirou da relação na 13ª rodada, antes da goleada de 4 a 0 sofrida pelo Flamengo na Arena MRV — uma decisão tomada em comum acordo entre clube e jogador, segundo confirmou o próprio Galo em nota oficial.
O fim de ciclo que ninguém queria admitir
O relacionamento entre Hulk e o Atlético começou a rachar publicamente após a vitória contra o Ceará, pela Copa do Brasil, quando o atacante usou a expressão fim de ciclo para descrever seu momento no clube que defende desde 2021. Nas palavras do próprio jogador, em conversa com "quem manda no clube", sem citar nomes, ele ouviu que a saída deveria acontecer no meio ou no final do ano. A fala, relatada pela CNN Brasil, expõe um desgaste que vai além de mera negociação contratual. Em 22 jogos nesta temporada, Hulk marcou apenas cinco gols — quatro pelo Campeonato Mineiro e um no Brasileirão — números modestos para um atleta que carrega o status de artilheiro do século alvinegro.

O estafe do jogador deve se reunir com a diretoria atleticana durante a semana para costurar os termos da saída. A principal dúvida, conforme apurado pelo Blog do Diogo Dantas, do Globo, é se o Atlético liberará Hulk de graça ou exigirá compensação financeira, ponderando que o clube ainda tem pendências com o atleta. Em janeiro, durante a primeira rodada de negociações com o Fluminense, os mineiros chegaram a pedir percentuais sobre jogadores da base tricolor — proposta que travou o acordo e levou o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, a declarar publicamente que a negociação estava encerrada.
Por que Hulk faz sentido no esquema do Fluminense
O Fluminense de Fernando Diniz opera com uma referência central que não precisa ser um artilheiro compulsivo, mas sim um jogador capaz de fixar a marcação, girar sob pressão e distribuir para os meias que invadem a área. O argentino Rodrigo Castillo foi contratado recentemente para esse papel, mas ainda não convenceu. John Kennedy, que marcou nos dois últimos jogos do Flu no Brasileirão, é uma alternativa jovem e promissora, porém sem o peso físico e a experiência de quem jogou em Porto, Zenit, Hulk e Shanghai SIPG no topo do futebol mundial.
Hulk traz algo que o elenco tricolor não tem: presença de área com poder de finalização combinado à capacidade de reter a bola em situações de pressão alta. O 4-2-3-1 que Diniz costuma adotar ganharia uma referência diferente no centro do ataque, liberando Agustín Canobbio, Kevin Serna, Jefferson Savarino e Yeferson Soteldo para atuar com mais liberdade pelas pontas — justamente onde o sistema do técnico gera mais desequilíbrio.
A análise do SportNavo sobre o desempenho ofensivo do Fluminense na Série A mostra que o clube tem dificuldade em criar chances dentro da área adversária quando pressionado no setor intermediário. Um centroavante com as características físicas de Hulk — 1,87 m, potência de finalização e domínio aéreo — preencheria essa lacuna de forma imediata.
Os detalhes financeiros e regulamentares que viabilizam o negócio
A janela de transferências do futebol brasileiro está fechada até a paralisação para a Copa do Mundo, prevista para o meio do ano. Isso significa que Hulk não pode assinar um novo contrato com outra equipe neste momento. Contudo, a lógica da regra dos 12 jogos cria uma brecha operacional: ao preservar o atacante a partir desta rodada, o Atlético garante que ele chegue à janela de julho ainda elegível para disputar o Brasileirão por um novo clube. O contrato atual com o Galo vai até dezembro de 2026, e as partes precisarão negociar uma rescisão ou uma liberação amigável antes da abertura formal do mercado.
Do lado tricolor, a viabilidade financeira da operação depende dos termos de saída que o Atlético imporá. Em janeiro, os mineiros adotaram postura intransigente, pedindo ativos do clube carioca além de valores em dinheiro. Desta vez, com o jogador sinalizado publicamente que quer sair e a relação visivelmente deteriorada, a tendência é que o Galo adote posição menos rígida para não carregar um atleta desmotivado até dezembro.
"Conversei com quem manda no clube e me disseram que a saída deveria acontecer no meio ou no final do ano."
Hulk completará 40 anos em julho, o que torna o timing da negociação ainda mais sensível. O Fluminense precisaria fechar o acordo antes da abertura da janela — em torno de julho — e registrá-lo imediatamente para que o atacante tenha tempo de integração com o elenco antes de entrar em campo no segundo semestre. O clube carioca tem no calendário a disputa da Copa Sul-Americana, onde Hulk poderia ser utilizado sem restrições de imediato, já que a regra dos 12 jogos se aplica apenas ao Brasileirão.









