O presidente da FIFA, Gianni Infantino, fez uma declaração categórica nesta terça-feira (31) que ecoa muito além dos gramados: "O Irã estará na Copa do Mundo". A afirmação, feita durante visita a Antalya, no sul da Turquia, onde acompanhava um amistoso da seleção iraniana, representa uma tentativa clara de blindar o Mundial de 2026 de possíveis turbulências geopolíticas.

O Contexto Geopolítico do Mundial Americano

A garantia de Infantino ganha peso especial considerando que a Copa de 2026 será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, com os americanos como anfitriões principais. As relações tensas entre Washington e Teerã, marcadas por sanções econômicas e divergências diplomáticas históricas, poderiam teoricamente criar obstáculos para a participação iraniana no torneio.

A declaração do dirigente máximo do futebol mundial não é apenas protocolar. Ela surge em um momento em que a FIFA busca reafirmar os princípios de neutralidade política do esporte, especialmente após as controvérsias envolvendo a participação da Rússia em competições internacionais pós-invasão da Ucrânia. O precedente russo demonstra que questões geopolíticas podem, sim, impactar a participação de seleções em grandes torneios.

FIFA Entre a Diplomacia e o Futebol

A postura de Infantino reflete o delicado equilíbrio que a FIFA precisa manter entre sua missão de promover o futebol globalmente e as pressões políticas dos países-membros. A entidade sempre defendeu que "o futebol deve unir, não dividir", mas a realidade mostra que essa neutralidade é constantemente testada por conflitos internacionais.

Do ponto de vista esportivo, o Irã é uma força respeitável no cenário mundial. A seleção persa participou das últimas três Copas do Mundo consecutivas (2014, 2018 e 2022), consolidando-se como a principal potência do futebol asiático ao lado de Japão e Coreia do Sul. Sua ausência representaria não apenas uma perda competitiva, mas também um precedente perigoso para futuras exclusões baseadas em critérios não-esportivos.

Os Próximos Passos Até 2026

Embora a declaração de Infantino seja enfática, ela ainda carece de respaldo oficial dos governos envolvidos. A confirmação definitiva da participação iraniana dependerá não apenas das eliminatórias asiáticas, mas também da manutenção do atual status quo diplomático. Mudanças significativas no cenário geopolítico global nos próximos dois anos poderiam, teoricamente, alterar essa equação.

O Mundial de 2026 promete ser o maior da história, com 48 seleções participantes. Neste contexto ampliado, a FIFA tem ainda mais interesse em garantir a presença de todas as potências regionais, mantendo a legitimidade global do torneio. A declaração de Infantino pode ser vista como um movimento preventivo para evitar futuras contestações sobre critérios de participação, estabelecendo que apenas razões esportivas determinarão quem jogará no próximo Mundial.