'Foco total em Los Angeles — cada prova a partir de agora é uma peça desse quebra-cabeça.' A frase, atribuída ao entorno técnico de Isaquias Queiroz pela CBCa, resume com precisão cirúrgica o que aconteceu nas águas de Szeged, Hungria, entre os dias 8 e 10 de maio.

O que o cronômetro revelou sobre Isaquias em Szeged

Isaquias cruzou a linha de chegada do C1 500m em 1min47s80, tempo que garantiu o ouro na etapa de abertura da Copa do Mundo de Canoagem Velocidade 2026. Atrás dele ficaram o atleta independente Zakhar Petrov, com a prata, e o romeno Catalin Chirla, com o bronze. Era a primeira aparição internacional do baiano desde os Jogos Olímpicos de Paris 2024, onde conquistou prata no C1 1000m — e o desempenho mostrou que o interregno não enferrujou nem ritmo nem leitura de prova.

A margem sobre o compatriota Gabriel Assunção, que terminou na quinta colocação com aproximadamente dois segundos e meio a mais no cronômetro, ilustra o nível de controle que Isaquias exerceu na Final A. Cinco medalhas olímpicas acumuladas — uma de ouro, três de prata e uma de bronze — constroem um cartel que poucos atletas de qualquer modalidade conseguem apresentar. A Copa do Mundo de Szeged foi, na prática, o disparo de largada de um ciclo que termina em 2028.

Os números da delegação brasileira além do pódio individual

Segundo apuração do SportNavo com base nos dados oficiais da CBCa, o Brasil apresentou oito atletas na competição húngara, todos oriundos da Bahia. A dupla Gabriel Assunção e Jacky Godmann garantiu o bronze no C2 500m Masculino, fechando a Final A em 1min37s16. Mateus Nunes Bastos dos Santos terminou em quarto no C1 5000m com 26min25s12 — colocação que, sem medalha, ainda assim representa presença entre os melhores do planeta na distância. Filipe Vinicius Santana Vieira completou o quadro na Final A do C1 200m, em oitavo lugar.

Nas finais B, Valdenice Conceição — primeira canoísta brasileira a representar o país em Jogos Olímpicos — terminou em sexto no C1 200m Feminino. A dupla Filipe Santana e Mateus Nunes fechou o C2 500m Masculino em segundo na Final B. Não há tragédia nessas posições: há contabilidade — pontos que entram no ranking classificatório olímpico e compõem a matemática da vaga para Los Angeles.

A leitura técnica do ciclo que leva a Los Angeles 2028

A Copa do Mundo de Szeged inaugurou oficialmente a disputa por pontos no ranking classificatório para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Para Isaquias, o ouro no C1 500m — distância diferente da que lhe rendeu prata em Paris, o C1 1000m — demonstra versatilidade tática e capacidade de ajuste de potência em provas mais curtas, onde a explosão nos primeiros golpes de remo define hierarquias antes mesmo da metade do percurso.

"O grupo une a experiência de veteranos pioneiros à energia de novas gerações que dão seus primeiros passos em competições internacionais", destacou a Federação Baiana de Canoagem (Febac) em comunicado oficial sobre os resultados em Szeged.

A próxima etapa da Copa do Mundo de Canoagem Velocidade 2026 será o termômetro imediato para medir se Isaquias mantém a consistência ou se Szeged foi pico isolado de forma. O calendário internacional da modalidade prevê mais duas etapas antes do Mundial, competição que distribui vagas olímpicas diretas. Isaquias Queiroz chega a elas como líder de ranking e com o ouro de Szeged na bagagem.