O Grbavica Stadium, em Sarajevo, com capacidade para apenas 9 mil espectadores, transformou-se nesta terça-feira (31) no palco onde a Itália decide seu destino rumo à Copa do Mundo de 2026. Em um ambiente conhecido pela hostilidade aos visitantes, a Azzurra carrega nas costas não apenas a pressão de uma eliminatória decisiva, mas o peso traumático de ter ficado fora do Mundial do Catar, quebrando uma tradição de 60 anos de participações consecutivas.
O estádio que intimida gigantes europeus
O modesto Grbavica, casa do FK Željezničar, possui uma peculiaridade que o torna especialmente desafiador: sua arquitetura concentra o som dos torcedores de forma amplificada, criando uma atmosfera claustrofóbica. Inaugurado em 1951, o estádio já foi palco de eliminações dolorosas para seleções tradicionais nas eliminatórias europeias. A Bósnia e Herzegovina, que disputa sua segunda tentativa de classificação mundial desde a independência em 1992, encontrou neste reduto uma fortaleza quase inexpugnável.
As dimensões reduzidas do campo, dentro do padrão FIFA mas no limite mínimo permitido, favorecem o estilo físico e direto da seleção bósnia. Nos últimos cinco jogos em casa pelas eliminatórias, os Dragões perderam apenas uma vez, justamente na estreia da campanha, quando ainda ajustavam o esquema tático sob o comando de Sergej Barbarez.
Azzurra assombrada pelo fantasma de 2017
A eliminação para a Suécia em novembro de 2017, que custou à Itália sua primeira ausência em uma Copa do Mundo desde 1958, ainda ecoa nos corredores da sede da FIGC em Roma. Roberto Mancini, técnico atual da seleção, herdou o cargo de Gian Piero Ventura justamente com a missão de reconstruir a confiança de um grupo traumatizado pela frustração de San Siro, quando 75 mil torcedores viram a Azzurra empatar em 0 a 0 e desperdiçar a classificação direta.
Lorenzo Insigne, capitão da seleção, viveu aquela eliminação como titular e carrega a responsabilidade de liderar uma geração que precisa provar sua capacidade de reagir sob pressão extrema. Aos 32 anos, o atacante do Napoli sabe que esta pode ser sua última oportunidade de disputar um Mundial, assim como outros veteranos do elenco italiano.
Repescagem intercontinental completa o drama
Paralelamente ao confronto europeu, a repescagem intercontinental define nesta madrugada as duas últimas vagas para a Copa de 2026. República Democrática do Congo enfrenta Jamaica às 18h, enquanto Iraque e Bolívia se enfrentam à meia-noite, horário de Brasília. Dos quatro confrontos decisivos desta Data FIFA, apenas seis seleções garantirão presença no Mundial que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México.
A Bolívia, representante sul-americana na repescagem, busca sua primeira classificação desde 1994, quando disputou o Mundial dos Estados Unidos. A seleção altiplânica, acostumada com a altitude de La Paz, terá pela frente o Iraque em território neutro, eliminando a tradicional vantagem do ar rarefeito que tanto incomoda adversários em Eliminatórias.
A partida decisiva entre Bósnia e Itália tem início às 15h45, horário de Brasília, com transmissão do SporTV. Uma derrota italiana significaria não apenas mais uma ausência mundialista, mas a confirmação de uma crise estrutural no futebol da península que vai além de resultados pontuais, questionando métodos de formação e filosofia tática que fizeram a Azzurra tetracampeã mundial.

