Quando Leonardo Jardim assumiu o comando técnico do Flamengo, poucos imaginavam que a principal transformação não viria de uma contratação milionária ou de uma mudança radical no sistema de jogo, mas sim da libertação tática de Lucas Paquetá. Em apenas 11 partidas sob o comando do português, o meia-atacante acumula quatro gols e se tornou o jogador com melhor rendimento ofensivo entre todos os atletas do Brasileirão na chamada "era Jardim".
Os números do Sofascore revelam uma evolução notável: além dos quatro tentos, Paquetá registra 19 finalizações (nove no gol), 87% de acerto no passe e impressionantes 73% de eficiência no drible. Para contextualizar a importância dessa fase, o atleta já marcou um terço dos gols que fez em toda a temporada de 2018 - sua mais artilheira na carreira, com 12 tentos.
A liberdade tática que transformou o jogador
A mudança fundamental implementada por Jardim reside na versatilidade posicional concedida a Paquetá. Enquanto técnicos anteriores tentavam enquadrá-lo em funções específicas, o português permitiu que o jogador transitasse entre múltiplas posições durante as partidas. Em oito jogos como titular, Paquetá atuou como meia central, segundo volante, ponta-direita e até falso nove, dependendo das necessidades táticas momentâneas.
Esta flexibilidade se reflete diretamente nos números defensivos: 17 desarmes e 26 faltas sofridas em 11 jogos demonstram um atleta que participa ativamente de todas as fases do jogo. O índice de 65% de eficiência nos duelos comprova que Jardim conseguiu extrair não apenas o melhor lado criativo de Paquetá, mas também sua combatividade.
O contraste com momentos anteriores
A transformação de Paquetá sob Jardim ganha ainda mais relevância quando comparada aos seus números em períodos anteriores no Flamengo. Na análise do SportNavo, fica evidente que a chegada do técnico português coincidiu com o melhor momento individual do jogador desde seu retorno ao futebol brasileiro. O aproveitamento de 78% nos passes longos, por exemplo, indica maior precisão nas transições ofensivas.
A ausência de assistências - único ponto que ainda pode ser aprimorado - não diminui o impacto geral do atleta no esquema tático. Jardim tem utilizado Paquetá como um "curinga" no meio-campo, capaz de aparecer em diferentes setores e criar superioridade numérica em momentos cruciais das partidas.
O Paquetá definitivo que o Flamengo esperava
A evolução de Lucas Paquetá representa muito mais que números individuais impressionantes. Ela simboliza a capacidade de Jardim de identificar e potencializar as características únicas de cada jogador em seu elenco. O técnico português compreendeu que limitar Paquetá a uma função específica seria desperdiçar seu talento natural para aparecer nos espaços vagos e criar situações de finalização.
Com média de 0,36 gols por jogo na era Jardim - índice superior ao de muitos centroavantes brasileiros - Paquetá finalmente encontrou seu espaço ideal no futebol nacional. A combinação entre liberdade tática e responsabilidade coletiva criou as condições perfeitas para que o jogador expressasse todo seu potencial técnico e físico.
O próximo teste para essa dupla promissora acontece na quarta-feira, quando o Flamengo estreia na Copa do Brasil contra o Vitória, às 21h30, no Maracanã. A partida representará uma oportunidade para Paquetá consolidar ainda mais sua posição como peça fundamental no projeto de Jardim para a temporada 2024.








