A última vez que um pivô decidiu um Jogo 7 de playoffs com uma atuação desse nível foi Dennis Rodman nos anos 90 — não com pontos, mas com rebotes que sufocavam o adversário. Jarrett Allen fez os dois neste domingo: 22 pontos, 19 rebotes e um terceiro quarto que simplesmente encerrou a série contra o Toronto Raptors. Cleveland venceu por 114 a 102 e avança às semifinais da Conferência Leste da NBA 2025-2026.

O que mudou

O jogo estava empatado em 49 a 49 no intervalo. Nada indicava desequilíbrio — Toronto tinha Scottie Barnes (24 pontos) e RJ Barrett (23 pontos), o mesmo que havia forçado o Jogo 7 com uma bola de três na prorrogação do confronto anterior. O que mudou foi um terceiro quarto de 38 a 19 para Cleveland, com abertura devastadora de 11 a 1.

O que mudou Jarrett Allen domina o terceiro quarto e
O que mudou Jarrett Allen domina o terceiro quarto e

Allen foi o motor dessa virada. 14 dos seus 22 pontos saíram nesse período, junto com os 10 rebotes que transformaram o garrafão numa zona proibida para Toronto. O técnico Kenny Atkinson não escondeu a surpresa positiva:

"Esse desempenho no terceiro quarto foi o melhor que já vi dele. Eu o treinei por muito tempo. Os rebotes ofensivos foram essenciais e precisávamos de pontos no garrafão, de alguém que assumisse a responsabilidade. Ele foi simplesmente incrível, estava pronto para o momento."

Donovan Mitchell colaborou com outros 22 pontos, e James Harden, aos 36 anos, somou 18 numa noite em que o coletivo de Cleveland funcionou acima da média esperada para um Jogo 7.

Por que agora

Allen nunca foi o nome que aparece primeiro quando se fala dos Cavaliers. Mitchell é o astro, Harden é o veterano experiente, Dennis Schroder é o armador de confiança. O pivô sempre operou nas sombras — eficiente, consistente, mas raramente decisivo em momentos críticos. A análise do SportNavo mostra que, nas últimas três temporadas, Allen havia registrado apenas dois jogos com mais de 15 rebotes em toda a pós-temporada. Neste domingo, chegou a 19 em um único jogo.

A comparação histórica que cabe aqui é com Ben Wallace no início dos anos 2000: defensores e pivôs de força que, em séries físicas e disputadas, emergem justamente quando o jogo fica feio. A série contra Toronto foi exatamente isso — sete jogos, empate em 3-3, um Jogo 7 onde a bola de três de Barrett quase tirou Cleveland na prorrogação do duelo anterior. O estresse da série criou o cenário perfeito para Allen aparecer.

Nas redes sociais, o nome "Jarrett Allen" gerou mais de 180 mil menções no X (antigo Twitter) durante o terceiro quarto do Jogo 7, segundo dados de monitoramento em tempo real. O clipe dos 10 rebotes nesse período acumulou mais de 4 milhões de visualizações nas primeiras duas horas após o jogo — número que coloca Allen no centro do debate digital da rodada de playoffs.

O que vem em seguida

Cleveland enfrenta o Detroit Pistons, melhor time da Conferência Leste na temporada regular, com o Jogo 1 marcado para esta terça-feira no ginásio dos Pistons. Atkinson já jogou o favoritismo para o adversário:

"Entramos lá como azarões, o que é um desafio. Será uma série parecida, em que teremos de lidar com a pressão, os rebotes, a força e o jogo físico deles. Então, espero que esta série tenha nos preparado para isso."

Os dois times se enfrentaram quatro vezes na temporada 2025-2026, com dois triunfos para cada lado — e ambos venceram ao menos um jogo fora de casa. Detroit terá vantagem de quadra, com quatro dos sete jogos em seu ginásio. O histórico equilibrado, porém, garante que nenhum resultado está descartado antes de começar.

A questão central para Cleveland é se Allen consegue manter esse nível físico numa série ainda mais exigente. Contra os Pistons, a batalha no garrafão tende a ser ainda mais dura — e o pivô que dominou Toronto terá que provar que o Jogo 7 não foi exceção. O Jogo 1 acontece nesta terça-feira na casa de Detroit, e Allen chega ao confronto como o pivô mais comentado dos playoffs.