Todo mundo já sabe que o Fluminense empatou em 2 a 2 com o Vitória neste sábado (9), no Maracanã, pela 15ª rodada do Brasileirão. O que poucos conseguem explicar é como um jogador que fez o gol e ainda criou o empate saiu de campo com cara de quem perdeu.

O que John Kennedy construiu antes do apito final

Aos 35 minutos do primeiro tempo, John Kennedy aproveitou uma sobra dentro da área e finalizou no canto de Lucas Arcanjo. Placar aberto. Fluminense no controle.

O time tricolor dominou boa parte da partida. Era aquele futebol cadenciado, sem urgência — o tipo de jogo que no Rio de Janeiro numa tarde de sábado parece resolvido antes do intervalo.

Só que o Vitória virou no segundo tempo. Dois gols em sequência, ambos em situações de bola parada, e o Maracanã sentiu o baque.

Nos minutos finais, John Kennedy ainda arrumou forças para uma jogada individual de alto nível. Deixou Kevin Serna em condições perfeitas para empatar. O colombiano não desperdiçou. Placar: 2 a 2. Quatro jogos seguidos sem vitória no Brasileirão.

A frustração que os números não conseguem esconder

Gol marcado. Assistência dada. Dois pontos perdidos. Esse é o balanço de John Kennedy na tarde deste sábado.

O atacante não poupou palavras ao microfone depois do jogo:

"A torcida não saiu com esse gosto de vitória. Acho que saiu realmente, assim como a gente, com gosto de derrota. A gente propôs o jogo inteiro e, como eu falei anteriormente, foram duas bolas deles e eles acabaram fazendo os dois gols."

A análise do camisa 9 foi direta sobre o que está tirando o Flu dos trilhos: desatenção em bolas paradas. Dois lances de desconcentração defensiva resultaram nos dois gols do Vitória. Não foi pressão. Foi descuido.

"Precisamos ficar atentos nessas bolas paradas. Porque são justamente essas bolas que acabam causando problema. Nos descuidamos em dois lances e sofremos dois gols. Acho que isso não pode voltar a acontecer."

Na avaliação do SportNavo, o padrão se repete com frequência preocupante. O Fluminense cria, domina, abre o placar — e cede em momentos que deveriam ser de gestão. Não é coincidência. Virou um padrão de comportamento coletivo.

John Kennedy como referência num time que ainda busca identidade em 2026

Quatro jogos sem vencer no Brasileirão. Vaias direcionadas ao técnico Luis Zubeldía ao fim da partida. Um elenco que ainda não encontrou consistência na temporada.

O que John Kennedy construiu antes do apito final John Kennedy brilhou no Maraca
O que John Kennedy construiu antes do apito final John Kennedy brilhou no Maraca

Nesse cenário, John Kennedy é o nome que aparece nos momentos que importam. Gol contra o Vitória. Assistência decisiva. Presença nos lances que definem partidas. Aos 22 anos, o atacante carrega um peso que vai além da função de centroavante.

Ele sabe disso — e pede que o grupo não se perca na crise:

A frustração que os números não conseguem esconder John Kennedy brilhou no Marac
A frustração que os números não conseguem esconder John Kennedy brilhou no Marac
"A gente tem que levantar a cabeça, isso já passou. A gente começou o jogo bem, controlou praticamente a partida toda, mandou no jogo. Agora é decisão. A gente tem que chegar e ganhar. Só conseguimos resolver uma crise ou momentos como esse vencendo."

O discurso é o de um líder. A pergunta é se o restante do elenco vai responder na mesma frequência.

Nas redes sociais, o nome de John Kennedy dominou as menções tricolores após o jogo — volume alto de engajamento positivo para o atacante, mas o sentimento geral da torcida no X e no Instagram foi de frustração com o resultado e com a instabilidade defensiva. Os clipes do gol e da jogada que gerou o empate circularam amplamente, mas o contexto era sempre o mesmo: "fez tudo e ainda assim não ganhou".

O Fluminense volta a campo em breve por Copa do Brasil e Brasileirão. A próxima chance de encerrar o jejum chega antes que a semana acabe — e o time precisa de uma vitória para recuperar a confiança que, nas palavras do próprio John Kennedy, existia no início de 2026.