O silêncio ensurdecedor do Maracanã após o segundo gol do Independiente Rivadavia na última quarta-feira traduziu em decibéis a crise que assombra o Fluminense. John Kennedy, artilheiro isolado da equipe em 2026 com apenas 7 gols, personifica uma realidade incômoda: a queda vertiginosa na capacidade de finalização que transformou o atual campeão da Libertadores em uma sombra do time que encantou a América do Sul.
Os números revelam o drama ofensivo tricolor
Levantamento exclusivo do SportNavo mostra que John Kennedy converteu apenas 14,8% de suas finalizações nos últimos quatro jogos, período em que o Fluminense não conseguiu vencer. O aproveitamento despencou em relação aos primeiros dois meses da temporada, quando o atacante de 22 anos mantinha 31,2% de conversão. A diferença de 16,4 pontos percentuais não é apenas estatística - ela explica por que o time de Luís Zubeldía vive seu pior momento no ano.
O técnico argentino reconhece as dificuldades, mas mantém confiança no domínio territorial da equipe.
"Tivemos muito controle da bola, buscando alternativas no ataque. Foram jogadas pontuais em cima do marcador, e isso, sem dúvidas, é um golpe forte para um domínio que tivemos nas últimas partidas", analisou Zubeldía após a derrota por 2 a 1 para o time argentino.
A queda na eficiência ofensiva coincide com mudanças táticas implementadas pelo treinador. Nas últimas quatro partidas, o Fluminense criou uma média de 2,1 grandes chances por jogo, contra 3,4 no início da temporada. John Kennedy, que recebia uma média de 4,7 passes na área adversária por partida, agora recebe apenas 2,8 - uma redução de 40% no volume de bolas recebidas em posição de finalização.
Zubeldía busca soluções coletivas para problema individual
O comando técnico tricolor insiste que a responsabilidade pela seca de gols não recai sobre um único jogador.
"Não é culpa de um ou outro jogador. Como equipe, temos que solucionar. De forma pontual, perdemos pontos nos últimos jogos por essa situação", declarou o treinador após a eliminação virtual na fase de grupos da Libertadores.
A abordagem de Zubeldía revela estratégia específica para recuperar John Kennedy. Nos treinos da última semana, o atacante trabalhou movimentação em espaços reduzidos e finalizações de primeira, buscando recuperar a confiança perdida. O técnico também testou o jovem Wesley Natã, de 17 anos, como alternativa nos minutos finais contra o Rivadavia, sinalizando possível mudança de abordagem.
A situação do camisa 9 tricolor se agrava quando analisada sob perspectiva contratual. John Kennedy tem vínculo até dezembro de 2027, com cláusula de rescisão de 50 milhões de euros para clubes europeus. O Fluminense investiu R$ 8,5 milhões na renovação em janeiro, apostando na continuidade do crescimento mostrado em 2025. Agora, a diretoria acompanha com preocupação a queda de rendimento do principal ativo ofensivo.
Libertadores exige reação imediata
Com apenas um ponto em duas rodadas no Grupo C, o Fluminense enfrenta cenário dramático na competição continental. O time precisa de no mínimo três vitórias nos quatro jogos restantes para alcançar os 10 pontos e garantir classificação às oitavas de final - marca que assegurou a liderança do grupo na campanha do título em 2023.
O calendário não oferece respiro: dois confrontos seguidos fora de casa, contra Bolívar na altitude de La Paz e novamente diante do Independiente Rivadavia em Mendoza. John Kennedy terá apenas essas oportunidades para recuperar a confiança e justificar a aposta tricolor em sua permanência como referência ofensiva.
O próximo teste acontece na terça-feira, às 21h30, contra o Bolívar no Estádio Hernando Siles. Para o Fluminense, mais que três pontos, a partida representará o primeiro passo na tentativa de reverter uma crise que ameaça comprometer toda a temporada 2026.

