Se o Fluminense tivesse encerrado a noite de quarta-feira com a derrota que parecia certa até os 45 minutos do segundo tempo, o Grupo C da Libertadores 2026 seria, matematicamente, uma sentença. Mas o jogo não terminou assim. John Kennedy entrou em campo, encontrou a bola dentro da área do Malvinas Argentinas, em Mendoza, e marcou o gol que transformou uma eliminação anunciada em esperança real. Placar final: Independiente Rivadavia 1 a 1 Fluminense.

Um grupo que pune quem tropeça — e o Flu tropeçou muito

A tabela do Grupo C conta uma história dura. Com apenas dois pontos em quatro rodadas, o Tricolor ocupa a lanterna. O Independiente Rivadavia lidera com dez pontos e já está classificado. O Bolívar aparece em segundo com cinco, o Deportivo La Guaira é terceiro com três. A distância entre o Fluminense e o segundo lugar é a mesma que separa Recife de Fortaleza — pequena no mapa, enorme quando o prazo para percorrê-la está se encerrando.

ARSENAL 1X0 ATLÉTICO DE MADRID | JOGO COMPLETO | SEMIFINAL | CHAMPIONS LEAGUE 2025/26

O time de Luis Zubeldía teve posse de bola superior a 70% no primeiro tempo, mas finalizou apenas duas vezes ao gol em toda a partida. Foram chances claras desperdiçadas, um problema recorrente na campanha continental do Tricolor. O técnico reconheceu o padrão após o apito final.

"Somos uma equipe que gera muitas situações de gol, uma das que mais gera no Brasileirão. Mas vê como é a Libertadores, são diferentes, difíceis. Tivemos duas chances claras que não concretizamos. Esperamos reverter nos jogos que restam", disse Zubeldía em entrevista coletiva.

O Maracanã como última trincheira tricolor

O caminho ainda existe, mas exige perfeição. O Fluminense precisa vencer os dois jogos que restam em casa — contra o Bolívar e o Deportivo La Guaira — e superar os bolivianos no critério de confronto direto, que é o primeiro desempate adotado pela Conmebol nesta edição da competição. Como perdeu por 2 a 0 em La Paz, o Tricolor precisa bater o Bolívar por três ou mais gols de diferença no Maracanã para assumir vantagem direta. Uma vitória por 2 a 0 empataria o confronto direto e jogaria a decisão para o saldo de gols geral. Uma vitória por apenas um gol obrigaria o Flu a torcer por um tropeço boliviano na última rodada. Empate ou derrota eliminam o clube antecipadamente.

"Estamos vivos, temos que definir a classificação em casa nos jogos que temos. Respeitando sempre as outras equipes. Temos que encarar os dois jogos para classificar", completou o treinador.

O homem que o banco de reservas não consegue segurar

Há um padrão no currículo de John Kennedy que vai além da estatística. Em 2023, foi ele quem marcou na prorrogação da final da Libertadores contra o Boca Juniors, saindo do banco, para dar o título ao Fluminense. Na noite de Mendoza, repetiu a fórmula: entrou no segundo tempo, sentiu o jogo, e decidiu aos 46 minutos. Zubeldía não poupou palavras ao analisar o atacante.

"Me parece que John Kennedy é um jogador que entra muito bem, revoluciona o ataque quando a partida está difícil. É uma das qualidades principais dele. Sempre entra bem, isso tem valor agregado. É difícil encontrar jogadores que entram bem", afirmou o técnico argentino.

O perfil de "super-substituto" tem dois lados. Quando titular, as defesas adversárias já estão organizadas e o espaço some. Quando entra no segundo tempo, o cansaço dos marcadores abre brechas que John Kennedy sabe explorar com uma naturalidade quase instintiva. O gol em Mendoza foi a prova número mais recente desse talento específico — e o Fluminense vai precisar dele novamente, desta vez dentro de casa, com o Maracanã lotado e a classificação na balança.

O Tricolor recebe o Bolívar no Maracanã pela penúltima rodada do Grupo C, em confronto que já tem contornos de decisão. Se John Kennedy entrar em campo naquela noite e repetir o que faz de melhor, o torcedor vai se lembrar de Mendoza — e de como tudo quase acabou antes de começar. Você acredita que o Fluminense consegue bater o Bolívar por três ou mais gols de diferença no Maracanã?