Não foi a derrota mais pesada da história de uma estreia em Copa do Mundo. O 5 a 1 sofrido pela Copa do Mundo de 2026 pela Tunísia diante da Suécia é goleada, mas não chega perto dos 10 a 1 que a Hungria impôs a El Salvador em 1982. O que nenhuma outra partida inaugural havia produzido antes foi isto: a demissão imediata do técnico responsável. Sabri Lamouchi, 54 anos, de origem franco-tunisiana, entrou para a história do futebol mundial pelo ângulo mais ingrato possível — o de protagonista de um recorde que ninguém deseja.

O gol que abriu o placar e a decisão que encerrou um ciclo de cinco meses

Lamouchi havia assumido o comando das Águias de Cartago apenas em janeiro de 2026, convocado para substituir Sami Trabelsi após a eliminação tunisiana nas oitavas de final da Copa Africana de Nações. Cinco meses de trabalho, uma Copa do Mundo como meta e um único jogo oficial para mostrar resultados. O placar final contra a Suécia — 5 a 1 — não deixou margem para argumentação. A Federação Tunisiana de Futebol não esperou pela segunda rodada. A demissão foi anunciada horas após o apito final, tornando Lamouchi o quarto técnico dispensado com um Mundial em andamento e, pela primeira vez na história da competição, o único a sair após apenas uma partida.

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Segundo fontes ouvidas pelo jornal tunisiano La Presse de Tunisie, o diretor técnico Mondher Kebaier, que acompanha a delegação no México, é o candidato mais provável a assumir o cargo de treinador interino para os dois jogos restantes na fase de grupos.

Os três coadjuvantes de 1998 e o recorde que resistiu por 28 anos

Quando Carlos Alberto Parreira foi dispensado da seleção da Arábia Saudita durante a Copa da França, em 1998, o futebol registrou pela primeira vez uma demissão com o torneio em andamento. O brasileiro saiu após a segunda rodada, com os sauditas eliminados. Na mesma edição, outros dois treinadores seguiram o mesmo caminho pelo mesmo motivo — resultados insuficientes após dois jogos. O sul-coreano Cha Bum-kun deixou o comando da Coreia do Sul, e o polonês Henryk Kasperczak foi afastado da Tunísia. Três demissões em uma única Copa, todas concentradas na segunda rodada: esse era o registro que a história carregava por 28 anos.

Quando faz a segunda rodada chegar, o torneio já oferece ao menos dois resultados para embasar uma decisão. Quando faz a primeira partida terminar, a federação que demite está apostando que o dano é irreparável — e é exatamente esse o julgamento que a Tunísia fez em 2026, antecipando em uma rodada o que seus predecessores nunca ousaram fazer.

"Lamouchi deixou o comando depois de apenas cinco meses à frente das Águias de Cartago", registrou o La Presse de Tunisie, veículo que acompanha de perto a delegação tunisiana no México.

O impacto institucional de uma decisão tomada na urgência

A lista completa de técnicos demitidos durante Copas do Mundo, levantada em matéria do SportNavo, tem apenas quatro nomes em toda a história da competição — iniciada em 1930. Parreira em 1998, Cha Bum-kun em 1998, Kasperczak em 1998 e agora Lamouchi em 2026. O curioso é que a Tunísia aparece duas vezes nessa lista: Kasperczak foi demitido do comando tunisiano há 28 anos, e agora Lamouchi repete o feito pelo mesmo país, desta vez com ainda menos jogos disputados.

Demissões em pleno torneio carregam um custo institucional que vai além do resultado imediato. O técnico interino herda um grupo abalado, sem tempo para ajustes táticos consistentes e com a pressão de dois jogos decisivos pela frente. A Tunísia ainda enfrenta o Japão — no estádio de Monterrey, no México, neste domingo, à 1h (horário de Brasília) — e depois fecha a fase de grupos contra a Suécia, a mesma seleção que aplicou o 5 a 1 na estreia.

"A decisão, mesmo que ruim, acabou fazendo com que Lamouchi cravasse o pé na história da competição", avaliou o Correio do Povo ao noticiar o afastamento.

Matematicamente, a Tunísia precisa de pelo menos uma vitória para manter chances de classificação. Com Kebaier como provável interino, a missão é recuperar a coesão de um grupo que, em 90 minutos, viu seu projeto de Copa desmoronar e seu treinador ser desligado antes mesmo de dormir no mesmo fuso horário do adversário seguinte. O recorde de Lamouchi está registrado — a Tunísia agora decide se para por aí ou escreve uma segunda parte mais digna da história.