A briga de bastidores entre Palmeiras e Flamengo ganhou um novo round na semana passada — e desta vez o campo de batalha foi o Maracanã. Leila Pereira, presidente do Verdão, usou o podcast oficial da TV Palmeiras para responder diretamente a Luiz Eduardo Baptista, o Bap, depois que a dupla Fla-Flu anunciou parceria com a empresa 30e para realização de shows no estádio carioca a partir de 2027.
A virada de mesa de Leila
Em dezembro de 2025, Bap foi ao microfone criticar o gramado sintético do Allianz Parque e jogou diretamente no colo do Palmeiras a acusação de que o clube paulistano trocou as prioridades do futebol por receita de shows. A fala viralizou nas redes e gerou dezenas de vídeos de reação no TikTok e Twitter/X.
"Quem pensa em ganhar dinheiro fazendo show devia trocar de negócio. Sai do futebol e vai viver de show business. Não tem problema. Mas achar que o futebol precisa de um campo de plástico, porque vai ter que fazer show, definitivamente não concordamos com isso", declarou Bap à época.
Meses depois, com o acordo Fla-Flu-30e exposto pela imprensa, Leila não deixou a oportunidade passar. No trecho divulgado pela ESPN, a presidente palmeirense foi cirúrgica:
"Vi na imprensa que o Maracanã, Flamengo e Fluminense fecharam com uma empresa para que haja shows no Maracanã. Poxa, será que o Flamengo está querendo largar o futebol e vai virar casa de espetáculo?"
A provocação não parou aí. Leila ainda recomendou que o Flamengo instalasse gramado sintético no Maracanã — justamente o tipo de piso que Bap chamou de "campo de plástico" e de vergonha para o futebol brasileiro.
"Aliás, se ele quiser, também, oriento a botar gramado sintético. É a melhor coisa, até indico o nosso gramado, que é espetacular. Ele vai gostar, tenho certeza", completou Leila.
Bap e a cruzada contra o sintético
A posição do presidente do Flamengo sobre gramados sintéticos vai além de uma provocação ao Palmeiras. Em sua declaração mais dura, Bap defendeu que o Brasil precisa banir o piso artificial para ter uma liga competitiva de verdade, e pediu intervenção da CBF no tema.
"Ou você tem uma liga de primeiro mundo com campos de grama, ou você não vai ter uma liga de primeiro mundo, porque a gente fica tentando criar penduricalhos", afirmou o mandatário rubro-negro, que chegou a citar o exemplo de países que usam sintético por passar 8 ou 9 meses debaixo de neve — uma comparação implícita ao clima de São Paulo.
O problema é que o próprio Maracanã, palco da defesa inflamada de Bap pelo futebol puro, acaba de assinar um contrato para receber eventos musicais em datas sem jogos de Flamengo e Fluminense a partir de 2027. A gestão Fla-Flu sustenta que os shows serão agendados em janelas sem impacto no calendário esportivo, mas a contradição ficou exposta.
Rivalidade que vai além dos campos
Na avaliação do SportNavo, a troca de farpas entre Leila e Bap ilustra algo maior do que uma briga de presidentes: é o reflexo da disputa pelo protagonismo no futebol brasileiro entre os dois clubes mais vencedores da última década. Palmeiras e Flamengo somam juntos 8 dos últimos 10 títulos do Brasileirão (2014–2023), o que coloca cada decisão de gestão sob holofote constante.
O episódio do gramado sintético já era um tema quente nas redes antes mesmo das declarações de Bap. O hashtag #GramadoSintetico acumulou mais de 180 mil tuítes ao longo de abril de 2026, com torcedores de ambos os lados travando debates técnicos e memes em paralelo. A resposta de Leila reacendeu o assunto e voltou a dominar as timelines na última quinta-feira.
A rivalidade também tem lado financeiro. O Allianz Parque é um dos estádios com maior receita de eventos do Brasil, e o Maracanã, com capacidade para mais de 78 mil pessoas, tem potencial ainda maior para shows de grande porte — o que explica o interesse da gestão Fla-Flu no modelo de negócio que eles mesmos criticavam.
O que vem pela frente
O contrato entre Flamengo, Fluminense e a empresa 30e prevê início das operações de shows no Maracanã em 2027, com datas ainda a definir. Do lado paulistano, o Allianz Parque já tem agenda consolidada de eventos e o gramado sintético permanece em uso — aprovado pela CBF para competições nacionais e internacionais.
Conforme apurou o SportNavo, a CBF não tem prazo definido para deliberar sobre a regulamentação de gramados sintéticos no Brasileirão, o que mantém o debate aberto e garante mais munição para os presidentes de ambos os lados. O próximo encontro entre as equipes em campo — Flamengo x Palmeiras — está previsto para o segundo semestre de 2026 pelo Brasileirão Série A, e a pressão das declarações certamente chegará antes do apito inicial.









