A ruptura do músculo adutor da coxa direita de Serge Gnabry representa muito mais que uma baixa individual para a Alemanha na Copa do Mundo. Aos 29 anos, o atacante do Bayern de Munique acumulava 47 jogos pela seleção com 22 gols marcados, números que o colocavam como terceiro maior artilheiro da era pós-2014, atrás apenas de Thomas Müller (45 gols) e Timo Werner (24 gols). Com previsão de 8 a 12 semanas de recuperação, sua ausência obriga Julian Nagelsmann a repensar completamente o setor ofensivo alemão.
O peso tático de Gnabry no esquema alemão
Desde a chegada de Nagelsmann em setembro de 2023, Gnabry estabeleceu-se como peça fundamental no 4-2-3-1 alemão, atuando preferencialmente pelo lado direito do ataque. Em 15 jogos sob o comando do técnico, o atacante participou diretamente de 11 gols (7 marcados, 4 assistências), média superior aos 0,47 gols por jogo que mantinha na seleção antes da chegada do novo treinador. Sua capacidade de alternar entre as pontas e centralizar-se como falso 9 oferecia a Nagelsmann uma versatilidade tática que poucos atacantes alemães possuem.
A dupla formada com Harry Kane no Bayern de Munique traduzia-se também na seleção, onde Gnabry funcionava como principal conector entre o meio-campo e o centroavante. Nos últimos seis jogos oficiais da Alemanha, ele esteve presente em cinco, sendo titular em quatro ocasiões. Sua ausência rompe uma parceria que já resultara em 23 gols combinados na temporada 2024-25 pelo clube bávaro.
Alternativas limitadas no elenco convocado
O levantamento do SportNavo sobre as opções disponíveis revela um cenário de adaptações necessárias. Leroy Sané, com 57 jogos e 13 gols pela seleção, surge como substituto natural pela direita, mas sua irregularidade preocupa: apenas 2 gols nos últimos 12 jogos pela Alemanha. Jamal Musiala, aos 21 anos, oferece criatividade pelo meio, porém sua melhor posição ainda gera debates - em 36 jogos pela seleção, marcou 7 gols atuando em diferentes funções.
Kai Havertz representa a opção mais experiente, com 51 jogos e 19 gols pela seleção, mas sua adaptação como centroavante no Arsenal pode dificultar seu encaixe como ponta. Florian Wirtz, revelação do Bayer Leverkusen com apenas 8 jogos pela seleção principal, desponta como alternativa criativa, embora careça da experiência em grandes torneios que Gnabry possuía: 3 Copas do Mundo (2018, 2022 e agora 2026) e 2 Eurocopas (2021, 2024).
Mudanças táticas inevitáveis
A ausência de Gnabry pode forçar Nagelsmann a abandonar o 4-2-3-1 que vinha consolidando desde setembro de 2023, sistema no qual a Alemanha obteve 11 vitórias em 15 jogos. Historicamente, mudanças de última hora custaram caro à seleção alemã: na Copa de 2018, a ausência de Marco Reus por lesão contribuiu para a eliminação na primeira fase, primeira vez na história que isso ocorria.
O técnico pode optar pelo 3-4-3 utilizado esporadicamente, sistema que permitiria aproveitar melhor Musiala e Wirtz como meio-campistas avançados. Alternativamente, o 4-3-3 com Havertz centralizado e Sané-Musiala nas pontas ofereceria maior solidez defensiva, embora sacrificasse a criatividade que Gnabry proporcionava com suas inversões de campo.
"A lesão acontece a menos de dois meses do início da competição e representa uma baixa significativa para o técnico Julian Nagelsmann", confirmou comunicado oficial do Bayern de Munique.
A Alemanha enfrenta um dilema similar ao de 2014, quando perdeu Marco Reus às vésperas da Copa do Mundo no Brasil. Naquela ocasião, Löw promoveu Christoph Kramer e André Schürrle, decisão que se mostrou acertada com a conquista do título. Agora, Nagelsmann tem até 18 de junho, data da estreia contra o Japão, para encontrar a fórmula que compense a ausência de um atacante que marcou 4 gols na Liga das Nações 2024-25 e vinha em crescimento constante sob sua orientação.

