Ele caiu sem contato, pelo lado esquerdo do campo, e demorou segundos para entender o que havia acontecido com o próprio corpo. Era o segundo tempo do empate entre São Paulo e Bahia, Lucas Moura estava em campo há menos de 20 minutos — e já era o fim da temporada. Exames realizados ainda na noite de domingo confirmaram a ruptura total do tendão de Aquiles da perna direita. A cirurgia foi marcada para esta segunda-feira, em São Paulo, sem que o jogador deixasse o hospital.
O que aconteceu
Lucas Moura entrou na segunda etapa da partida contra o Bahia pelo Brasileirão 2026 e, durante uma jogada sem disputa física, caiu sozinho demonstrando dores intensas. Saiu de maca, foi carregado ao vestiário e não retornou. O São Paulo terminou o jogo com um jogador a menos, fator que pesou nos acréscimos e resultou no empate sofrido.
O diagnóstico — ruptura total do tendão calcâneo direito — é uma das lesões mais graves do futebol profissional. O protocolo padrão de recuperação varia entre oito e doze meses, a depender da evolução pós-cirúrgica. O retorno aos gramados está projetado apenas para 2027.
"A cena gerou forte apreensão entre companheiros e torcedores ainda durante o jogo", registraram repórteres presentes no estádio na noite de domingo.
A lesão se torna ainda mais grave pelo contexto imediato: Lucas havia retornado ao time há poucos dias após 45 dias afastado por uma fratura nas costelas, sofrida em partida contra o Atlético-MG. O corpo não chegou a completar um ciclo de recuperação antes do novo trauma.
Por que isso importa
O contrato de Lucas Moura com o São Paulo vai até dezembro de 2026. Com a temporada encerrada precocemente e a cirurgia recém-realizada, as negociações de renovação — que já tramitavam com cautela dentro do clube — entram em terreno ainda mais instável, no compasso lento de uma Avenida Paulista às 18h: tudo parado, sem previsão de movimento.
Internamente, a diretoria tricolor condicionava qualquer avanço nas conversas à avaliação da condição física do atleta. Agora, com uma lesão que exige reabilitação de até um ano, a equipe de gestão precisa decidir se mantém o vínculo durante todo o processo de recuperação — o que representa custo sem contrapartida esportiva — ou encerra o ciclo em dezembro.
"O cenário se torna ainda mais indefinido, principalmente pelo custo elevado", segundo fontes ligadas ao clube ouvidas pela reportagem.
A pergunta que o São Paulo precisa responder antes do fim do ano é direta: vale renovar o contrato de um jogador de 32 anos que estará em reabilitação durante toda a vigência do novo vínculo?

Os números por trás
Lucas Moura retornou ao Brasil em 2024 após passagem pelo Tottenham Hotspur, clube inglês pelo qual recebeu salários estimados em £ 100 mil semanais (cerca de R$ 650 mil à época). No São Paulo, os valores são significativamente menores, mas o jogador figura entre os maiores salários do elenco tricolor, com estimativas de mercado apontando cifras acima de R$ 800 mil mensais, incluindo luvas e direitos de imagem.

Conforme levantamento do SportNavo, o valor de mercado de Lucas Moura na plataforma Transfermarkt caiu de € 4 milhões em 2024 para € 2,5 milhões em 2026 — reflexo direto do histórico recente de lesões e da idade. Uma renovação contratual, caso aconteça, dificilmente manterá os patamares salariais atuais.
O São Paulo acumulou, apenas em 2026, ao menos duas ausências prolongadas do atleta: 45 dias pela fratura nas costelas e agora um período que se estende por toda a temporada. Em termos financeiros, o clube pagou por um jogador disponível por fração mínima do calendário competitivo.
- Lesão anterior em 2026: fratura nas costelas, 45 dias fora
- Lesão atual: ruptura total do tendão de Aquiles direito
- Previsão de retorno: 2027, a depender da recuperação
- Contrato vigente: até dezembro de 2026
- Valor de mercado estimado: € 2,5 milhões (Transfermarkt, 2026)
O próximo capítulo
A cirurgia realizada nesta segunda-feira marca o início de um processo que vai muito além do aspecto físico. O São Paulo precisa definir, até o encerramento do contrato em dezembro, se Lucas Moura seguirá no clube ou se a queda no gramado contra o Bahia foi, de fato, a última cena com a camisa tricolor.
A diretoria do São Paulo tem até o fim de novembro para formalizar uma proposta de renovação — ou comunicar ao jogador que não haverá continuidade. Qualquer decisão tomada antes da alta médica pós-cirúrgica será baseada em projeções, não em desempenho observável.
A análise do SportNavo aponta que, historicamente, clubes brasileiros raramente renovam contratos de atletas acima de 30 anos em processo de reabilitação de tendão de Aquiles sem redução salarial mínima de 30% a 40%. O São Paulo, que disputa Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores em 2026, precisará recompor o setor criativo com outras opções ainda nesta janela de transferências.
Lucas Moura opera. O contrato expira em dezembro. O São Paulo joga na quinta-feira.








