Domingo, 3 de maio de 2026. Lucas Moura precisou de exatos 20 minutos para transformar um retorno esperado em mais um capítulo do mesmo drama. Saiu carregado, chorando, com dores na perna direita depois de dividida com Sanabria — e o São Paulo ficou com dez em campo nos acréscimos em que o Bahia empatou em 2 a 2, no Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista.
Não há catástrofe: há uma contabilidade que não fecha. E o extrato de 2026 para Lucas Moura é preocupante.
O que mudou
O atacante havia ficado fora por 45 dias após fratura nas costelas sofrida no jogo contra o Atlético-MG, em 18 de março. Foram dez jogos de ausência. Voltou aos 17 minutos do segundo tempo substituindo Cauly, quando o São Paulo vencia por 1 a 0 após gol de Artur no primeiro tempo. Aos 37 minutos, depois de uma dividida, caiu segurando a perna direita e pediu atendimento imediato.
Como Roger Machado já havia esgotado as cinco substituições, o Tricolor terminou a partida com um a menos. O Bahia, que já havia empatado com Luciano Juba aos 16 minutos do segundo tempo e visto Ferreira recolocar o São Paulo na frente aos 28, aproveitou a superioridade numérica. Aos 51 minutos, Erick aproveitou rebote após chute de Ademir no travessão para decretar o 2 a 2.
O clube ainda não divulgou boletim médico oficial sobre a nova lesão, mas a cena foi suficientemente expressiva para acender o alerta. Segundo apuração do SportNavo, a tendência é que Lucas passe por exames de imagem na segunda-feira (4) para identificar a extensão do problema na perna direita.
Por que agora
Lucas Moura chegou ao São Paulo em 2023 com a missão de ser o protagonista técnico que o clube buscava há anos. Mas o histórico de lesões tem sido um obstáculo constante. Nas últimas temporadas, o atacante acumulou problemas musculares recorrentes, além da fratura nas costelas deste ano — lesão que, por sua natureza, já exige um processo de recuperação delicado e que pode ter deixado o atleta abaixo da condição física ideal para suportar disputas de bola.
Com 32 anos, o perfil físico de Lucas exige gestão criteriosa de carga. A questão que o SportNavo levanta com base no padrão observado em 2026 é direta: um jogador que soma duas lesões em menos de dois meses, com a segunda chegando em menos de meia hora de jogo, está sendo devolvido ao campo cedo demais ou simplesmente chegou ao limite do que seu corpo suporta em alta intensidade?
"O Bahia já vinha pressionando e havia dado sinais claros de que o empate era possível. O São Paulo teve a chance de matar o jogo e não matou", escreveu o colunista do UOL Esporte, resumindo a fragilidade emocional e tática do time nos acréscimos.
O contexto agrava o cenário. O jogo foi realizado em Bragança Paulista porque o Morumbis estava ocupado com show de The Weeknd — o que reduziu a capacidade do estádio de 70 mil para 12 mil torcedores. Jogar em casa com atmosfera reduzida e ainda perder pontos no fim tem peso simbólico e de tabela.
Na classificação do Brasileirão, o São Paulo chegou a 24 pontos e permanece em quarto lugar, mas perdeu a chance de abrir distância. O Palmeiras lidera com 33 pontos. O Bahia, com 22, ocupa o sexto lugar e segue na cola do G-4.
"A torcida saiu irritada e a pressão sobre Roger cresce, não apenas pelo empate, mas também pela sensação de um time emocionalmente instável", avaliou o colunista do UOL Esporte sobre o ambiente pós-jogo.
O que vem em seguida
O São Paulo tem três jogos em dez dias. Na quinta-feira (7), às 19h, enfrenta o O'Higgins fora de casa pela quarta rodada da Copa Sul-Americana, transmitida pelo Disney+. No sábado (10), às 18h30, recebe o Corinthians pelo Brasileirão. E na quarta-feira (13) joga contra o Juventude pela Copa do Brasil.
Sem Lucas Moura — e com Alan Franco também visivelmente machucado na reta final do duelo de domingo —, Roger Machado precisará remanejar o setor ofensivo. Ferreira, que marcou o gol da virada de cabeça após cruzamento de Calleri, e Artur, responsável pelo primeiro gol com chute colocado no canto direito de Léo Vieira, aparecem como as referências mais imediatas.
A imagem que ficou do Cícero de Souza Marques: Lucas Moura sendo carregado para fora do gramado enquanto o Bahia comemorava o empate no centro do campo. Vinte minutos de jogo, uma lesão nova e o G-4 ainda no mesmo lugar onde estava antes do apito inicial.









