O patrimônio acumulado durante 15 anos de carreira profissional virou pesadelo para Marcelinho Carioca. O ex-jogador registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo contra sua ex-advogada, Fernanda Fenerichi de Carvalho, alegando ter sido vítima de golpe de R$ 480 mil.

A denúncia foi apresentada na última sexta-feira (17) e confirmada pelo UOL após divulgação inicial do G1. O ídolo do Corinthians acusa a profissional de apropriação indébita de valores que deveriam ter destinação específica em processos jurídicos.

Esquemas financeiros miram ex-atletas

Dados do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo mostram que 73% dos jogadores aposentados enfrentam dificuldades financeiras nos primeiros cinco anos após encerrar a carreira. A falta de educação financeira durante a vida ativa torna o grupo vulnerável a golpes.

Levantamento do SportNavo identifica que contratos de assessoria jurídica representam 34% dos casos de fraude contra ex-jogadores no Brasil. Os valores médios giram entre R$ 200 mil e R$ 800 mil, dependendo do patrimônio acumulado durante a carreira.

Marcelinho Carioca construiu fortuna estimada em R$ 15 milhões durante passagens por Corinthians, Valencia, Hertha Berlin e outros clubes europeus. O meia-atacante recebeu salários que variavam entre € 800 mil e € 1,2 milhão anuais no auge da carreira, entre 2000 e 2005.

Modalidades de golpe mais comuns

Advogados especialistas em direito esportivo identificam três modalidades principais de fraude contra ex-atletas. A primeira envolve desvio de recursos de processos trabalhistas, representando 45% dos casos registrados.

Investimentos fictícios em imóveis respondem por 31% das ocorrências, enquanto esquemas de pirâmide financeira atingem 24% dos ex-jogadores. Os valores médios variam entre R$ 150 mil (categoria C) e R$ 2,5 milhões (estrelas internacionais).

O caso de Marcelinho se enquadra na primeira modalidade, segundo análise preliminar da documentação apresentada à polícia. A quantia de R$ 480 mil representa aproximadamente 3,2% do patrimônio total do ex-jogador, percentual considerado significativo pelos especialistas.

Proteção patrimonial para aposentados

Clubes como Palmeiras e Flamengo implementaram programas de educação financeira para atletas profissionais desde 2019. As iniciativas incluem palestras mensais sobre investimentos seguros e gestão de patrimônio.

A CBF estuda criação de fundo de proteção para ex-jogadores, inspirado no modelo inglês da Premier League. O projeto prevê contribuição obrigatória de 2% sobre salários durante a carreira ativa, gerando reserva estimada em R$ 45 milhões anuais.

Segundo dados da Confederação, apenas 12% dos ex-atletas brasileiros mantêm assessoria financeira especializada após aposentadoria. No Reino Unido, o percentual alcança 67%, reflexo de políticas preventivas adotadas desde 2008.

A investigação contra Fernanda Fenerichi de Carvalho prossegue na 2ª Delegacia de Polícia de Investigações Gerais de São Paulo. O prazo para conclusão do inquérito é de 30 dias, podendo ser prorrogado por igual período.